Psicanálise Junquiana presente na obra “Mulheres que correm com os lobos”


A psicanálise Junquiana cerca as complexas análises desenvolvidas na obra Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem, de Clarissa Pinkola Éstes. Mas afinal? Do que se trata essa vinculação psicanalítica?

É mais do que relevante conhecermos o idealizador e criador dessa teoria, o qual a nomeia também, estamos falando do Suíço Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta. Ele nasce no ano de 1875, no dia 26 de julho, na cidade de Kresswil, na Basiléia. Era filho de pastor da Igreja Luterana, e desde novo teve acesso a diversos textos sobre filosofia e espiritualidade. No ano de 1961 ele publicou a sua autobiografia “Memórias, sonhos e reflexões” em que nos apresenta os assuntos pelos quais ocupou-se ao longo de sua vida e a relação deles com suas práticas pessoais e profissionais.

Era formado em medicina e dedicou toda a sua vida e carreira para o estudo da psique humana, veio a falecer no ano de 1961, dez dias depois de terminar o livro “O homem e seus símbolos”. Jung era contemporâneo de Freud, e por algum tempo eles alinhavam seu pensamento e estudo, mas as divergências de compreensão da mente humana tornaram-se maiores e cada um desenvolveu a sua própria teoria.

Quando falamos de psicanálise Junquiana estamos nos referindo à psicologia analítica, esta, por sua vez, preocupa-se em analisar o homem levando em consideração a sua integridade, a sua vida em comunidade. Não é cabível, para a psicologia analítica, isolar este homem dos contextos os quais ele pertence. Para desenvolver essa teoria, Jung preocupou-se com temas, como: mitologia, cultura, literatura, religião e alquimia, na tentativa de conhecer os efeitos psíquicos desses temas nos homens e o próprio funcionamento da psique.

De acordo com a psicóloga Rafaella Santos Silveira, “Na psicologia analítica o psicólogo deixa o paciente livremente, mas não tanto assim, fazendo intervenções quando necessário e conduzindo ou orientando o discurso, não de maneira a influenciar, mas de modo a manter o indivíduo em seu discurso, não permitindo que ele perca o foco e vá para caminhos que, muitas vezes, podem ser distrações a serviço da resistência e de mecanismos de defesa.” (SILVEIRA, 2016).

Para quem leu o livro Mulheres que correm com os lobos é perceptível esta, digamos, aplicação da prática analítica, pois ao nos apresentar os respectivos contos presentes na obra a autora faz intervenções na construção da interpretação da história que foi transcrita.

Ademais do discurso verbal, a psicologia analítica se apropria de outros recursos para desenvolver suas concepções do estudo da psique, tais como: desenho, pintura, argila… Além disso, ela utiliza a amplificação, que consiste em associar mitologias e contos de fadas ao discurso do paciente. Em se tratando da obra estudada, essa relação com diversas histórias que cercam o universo feminino é uma constante, muitas vezes, nos sentimos parte, figurativamente, de determinada história, e consequentemente, as análises apresentadas pela autora alcançam o nosso ser.

A teoria Jung é muito complexa e completa e exige um estudo muito mais aprofundado, entretanto para tentarmos compreender de forma geral a psicologia analítica serão apresentados alguns conceitos. Ao final do artigo existem algumas referências que podem contribuir para o início de um estudo sobre esta vertente psicanalítica.

CONCEITOS DA PSICANÁLISE JUNQUIANA

  1. Individuação: considera tanto o consciente como o inconsciente, é um processo de desenvolvimento pessoal que engloba os demais conceitos, tais como: ego, centro da consciência e Self.

 

  1. Consciência: para entendê-la Jung desenvolveu as atitudes de extroversão e introversão, além disso, ele criou as funções psicológicas, ou como ele chamou: Tipos Psicológicos. De acordo com ele, os indivíduos possuem todas as atitudes e funções atribuídas, a diferença está na proporção.

        2.1 Atitudes: Elas se excluem mutuamente, alternando-se em determinadas situações, mas uma           delas prevalece em cada indivíduo.

  • Extroversão: atitude objetiva.
  • Introversão: atitude subjetiva.

        2.2 Tipos psicológicos (funções):

  • Pensamento: avalia de forma lógica os prós e contras dos fenômenos da vida, discriminando, julgando e classificando-os.
  • Sentimento: considera os fenômenos de uma forma valorativa, eles são agradáveis ou não. Coloca-se em evidência os valores pessoais.
  • Sensação: o contexto do aqui e agora são percebidos pelos órgãos dos sentidos.
  • Intuição: aquilo que se percebe sensorialmente passa a ter significados, relações e possibilidades.

  1. Inconsciente: relaciona a dinâmica da personalidade apresentando outros conceitos fundamentais para compreender a psicologia analítica.
    • Arquétipo da Persona: diferentes papéis sociais que os indivíduos exercem na sociedade.
    • Arquétipo da Sombra: estão presentes todos os aspectos que foram reprimidos desde a infância para que a aceitação social acontecesse.
    • Inconsciente pessoal: origina-se a partir do coletivo e contém assuntos mentais inacessíveis pelo ego.
    • Inconsciente coletivo: refere-se à parte do inconsciente que nunca se tornou consciente, ou seja, as ações instintivas da raça humana que foram herdadas pela psique.
    • Complexos: são os grupos que possuem uma carga emocional de ideias ou imagens.
    • Ego: é o centro da consciência, aquele que é responsável por guiar a nossa vida consciente.
    • Self: responsável pela ordem e totalidade da personalidade, é o arquétipo central.
    • Arquétipos – anima e animus: auxiliam o ego a entrar em contato com o inconsciente. “Anima é a parte interior feminina da psique do homem e animus a parte interior masculina da psique da mulher, servindo então ao equilíbrio do sistema psíquico, uma vez que compensam a atitude masculina ou feminina da consciência.” (SILVEIRA).

Referências:

ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem. Barcarena: Marcador, 2016.

SILVEIRA, Rafaella Santos. Principais Conceitos da Psicologia Analítica de Jung – in: http://www.apoiopsicologico.psc.br/principais-conceitos-psicologia-analitica-jung/ acessado em 13 de jan. de 2017.

http://www.ajb.org.br/

 

Até mais!

Jessica Marquês.

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