Precisamos falar sobre cânones literários!!!


Ao se tomar conhecimento das principais obras que influenciaram determinado período literário nos deparamos com os cânones literários, ou seja, aqueles livros que são mais valorizados e pertencem especificamente a uma respectiva escola literária.

É válido sabermos que Cânone é uma palavra que tem origem grega; Kanón, como se fosse uma vara para realizar medições. Na nossa língua o termo significa regra geral, modelo, norma, preceito. Então, quando nos referimos às obras canônicas, significa que estamos considerando as obras-modelo, o conjunto de livros que são estimados no âmbito da literatura.

É pertinente refletirmos sobre as considerações de GUMBRECHT sobre o termo canônico.

Um conceito metahistórico de cânone teria a função de estabelecer parâmetros os quais seriam capazes de atuar independentemente de condicionantes históricos, de forma a poder-se traçar uma história do cânone sem haver variação nos padrões orientadores da seleção e da valoração. O cânone poderia, assim, servir como uma categoria capaz de caracterizar a cultura, a despeito da transformação que lhe é inerente. (1998, p. 61).

Com relação ao termo clássico – usado por alguns autores como sinônimo de cânone e por outros de forma diferenciada. Ele apareceu pela primeira vez na obra de Aulo Gélio, Noctes Aticae, e foi empregado como o objetivo de classificar os cidadãos conforme a sua fortuna, Os considerados de primeira classe, eram chamados de clássicos. No que concerne à literatura, portanto, os clássicos são as obras de primeira classe.

De acordo com Harold Bloom (1995), “Quem lê tem de escolher, pois não há, literalmente, tempo suficiente para ler tudo, mesmo que não se faça mais nada, além disso.” (1995, p. 23). Mas como fazer esta escolha? Para auxiliar nessa decisão existem os escritores-críticos que, como você deve imaginar. São responsáveis por realizar a crítica, ou seja, o julgamento positivo ou negativo sobre determinado autor/obra.

Assim como, por exemplo, os críticos gastronômicos que acabam por expor/determinar os melhores restaurantes/chefes de cozinha e, de certo modo, orientam os consumidores, nós temos os críticos literários que exercem esta função de nortear aqueles que desejam se embrenhar pelos meandros da escrita bem elaborada.

É claro que não somos obrigados a ler os cânones literários, mas a pergunta é… Por que não? Porque são chatos! Muitos podem dizer… Mas o interessante é que como se pode realizar esta afirmação sem de fato conhecer a obra, ou os contextos de produção, muitos se esquecem de que aquilo que hoje – depois de profundos estudos, análises e críticas- é considerado um cânone literário, em outro momento da história pode não ter sido compreendido ou valorizado tal como o é hoje.

O importante é quebrarmos nossos preconceitos, passarmos a encarar o livro como uma experiência de vida, e nos deixarmos mais abertos, para que os livros sejam verdadeiras possibilidades de enxergar o mundo que nos cerca. Como afirma Silva (1998,pág.56) “em certo sentido, a leitura de textos se coloca como uma ‘janela para o mundo’. Por isso mesmo, é importante que essa janela fique sempre aberta, possibilitando desafios cada vez maiores para a compreensão e decisão do leitor”.

 É fato que existe todo tipo de escrita literária e que, por sua vez, podem promover experiências diferentes. Cabe a nós decidir que tipo de experiência pretendemos ter, talvez uma mais superficial e rasa ou outra mais profunda e envolvente? Bem, você é livre para escolher! Mas não se esqueça! Não será possível ler tudo, infelizmente! Então, escolha com sabedoria!

Referências:

ARAUJO, Daniel, open cite_ GUMBRECHT, Hans Ulrich. un concepto metahistórico del canon como categoría básica para una tipología histórica de la cultura (, 1998a, p. 61).

BLOM, Harold. O cânone ocidental– 2ª edição. Objetiva, 1995.

CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos? Companhia das letras, 1994.

MOISÉS, Leyla Perrone. Altas literaturas. Companhia das letras, 1998.

SILVA, Ivanda Maria Martins. Literatura em sala de aula: da teoria literária à prática escolar.  In: Anais do Evento PG Letras 30 Anos Vol. I, 2003.

 

Até mais tarde!

Jessica Marquês.

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