O Consigo é o nosso contigo!

Quando falamos sobre as variações linguísticas – que se dividem em: histórica, social, situacional, política e regional- estamos nos referindo às modificações que ocorrem em todas as línguas em função de algumas influências. A Língua Portuguesa, apesar de ser a mesma língua, ela é usada com um grupo específico e apresenta características próprias.

Essas variações da língua que veremos hoje se enquadram na definição da variedade regional, pois diz respeito às diferenças que uma língua representa nas diversas regiões em que é falada, seja fora ou dentro do país. É claro que hoje apresentaremos apenas as diferenças de um termo entre dois países (Brasil e Portugal), mas existem tantos outros países lusófonos que possuem a sua riqueza linguística e as suas variações, que almejamos conhecer e explorar.

Elenco desse modo, uma utilização pronominal que é notável a sua diferença. É uma prática muito comum na região metropolitana de Lisboa (não sei dizer das demais variações linguísticas existentes nos outros cantos de Portugal) que é a utilização do pronome “consigo”.

Antes de discutirmos sobre as diferenças desse pronome nos países referidos precisamos ter em mente que existem três pessoas do discurso:

1ª pessoa do discurso Quem fala/ escreve
2ª pessoa do discurso Com quem se fala ou escreve
3ª pessoa do discurso De quem se fala ou escreve

PRONOME

Palavra que substitui o substantivo passando a representar os seres. Ela é variável em gênero, número e pessoa. O nome enquanto pronome passa a ser uma pessoa no discurso. Pode ser dividido quanto a sua aplicação em: pessoais, demonstrativos, interrogativos, indefinidos, relativos e interrogativos.

 Daremos maior atenção hoje a um tipo de pronomes pessoal, ou seja, aquele que indica os nomes e apresenta as pessoas do discurso e pode ser dividido em duas especificidades.

  • Retos: Exerce sintaticamente a função de sujeito na oração.
  • Oblíquos: Exerce sintaticamente a função de complemento ou objetos da oração.

Observação: Os pronomes oblíquos também exercem a função de sujeito na frase, isso acontece quando o sujeito exerce ação e sofre ao mesmo tempo e, nesse caso, são chamados de pronomes reflexivos.

 

PECULIARIDADES DO TERMO “CONSIGO”

Em Portugal esse pronome pode ter referência aos pronomes: “você”, “senhor”, “senhora”, então quando se utiliza esse pronome “consigo”, está colocando-o na segunda pessoa do discurso. Observe a frase:

Eu caminhava e falava consigo sobre o que ocorreu no comboio.

Se considerarmos as regras da gramática da Língua Portuguesa no Brasil, veremos que esta frase está incorreta, pois o correto seria inserir o pronome “contigo/com você” no lugar de “consigo”, pois nesse caso não há uma aplicação reflexiva.

A interpretação para esse exemplo, levando em consideração as normas da gramática da Língua Portuguesa em Portugal seria:

Eu caminhava e falava com você /contigo sobre o que ocorreu no comboio.

Já no Brasil a colocação “eu falava consigo” não é adequada! O correto seria se o pronome estivesse na terceira pessoa do discurso, ou seja, se a frase fosse:

Ela caminhava e pensava consigo sobre o que ocorreu no comboio.

Ou seja, pensava com ela mesma, de modo que a ação seria reflexiva.

As expressões usadas em Portugal, como:

Tudo bem consigo?

Gosto muito de si.

Queria ir consigo.

Depois falo consigo.

No Brasil, seriam:

Tudo bem com você / contigo?

Gosto muito de você / ti.

Queria ir com você/ contigo.

Depois falo com você/ contigo.

 

Você pode se perguntar: Mas em Portugal não existe o pronome “contigo”?

Sim! Ele existe, mas a sua utilização exige cautela e atenção, não apenas pelo fator linguístico, mas também social … Falarei mais sobre ele em breve!

 

Referências:

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. 2ª ed. Nova fronteira, 2010.

CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. 3ªed. Nova fronteira, 2001.

VILARINHO, Sabrina. O uso do “consigo” e “contigo”; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/gramatica/o-uso-consigocontigo.htm>. Acesso em 2 de fevereiro de 2017.

Até a próxima!

Jessica Marquês.

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