Literatura

Da emoção à palavra… Da palavra à emoção

        Quando paramos para pensar sobre as inspirações de um escritor, de um poeta é comum encontrarmos em sua maioria algum elemento dos meandros da trajetória desse autor em que há determinada relação com a sua obra.

         Ao terminar uma leitura – aquelas que nos consomem, aturdem-nos, aquelas em que sentimos a dor da personagem, ou que sonhamos, acreditamos, e, verdadeiramente nos alegramos com suas conquistas. Aquelas leituras que nos tiram de nosso corpo e nos transportam a outra atmosfera. Todas estas emoções vêm ao nosso encontro por meio da palavra.

        Este pensamento coloca em evidência o termo literatura, em que há diversos aspectos relevantes para sua compreensão, um deles envolve aquilo que se pode chamar de objeto social, pois necessita ser produzido e lido num processo que envolve um diálogo entre os participantes desse intercâmbio social, ou seja, ela nasce a partir de um processo de comunicação.

        Não há uma resposta definitiva para esta pergunta, porque necessita se levar em consideração o ambiente histórico, temporal e social no qual a obra é produzida, o que não se pode negar é a característica artística da literatura presente em qualquer lugar, tempo, ou contexto histórico. Desse modo, outra característica que define a literatura é o seu caráter artístico e este se refere à capacidade de contestação do ambiente não qual ela é produzida.

        Pode se afirmar, desse modo, que na literatura há um valor cultural em que a arte necessita levar o seu interlocutor a refletir, a pensar e a interagir com o seu ambiente, na medida em que a finalidade a da arte é promover a reflexão e a construção de sujeitos mais críticos e capazes de discernir o ambiente no qual estão inseridos.

        Ao pensar sobre a disciplina Literatura é essencial pensar sobre sua significação etimológica, temos por base, portanto, sua origem latina, litteratura, que por sua vez, advém também de outra palavra latina littera, ou seja, letra sendo o símbolo que expressa a fonética, a produção oral. Nesse sentido, a relação entre literatura e letra é diretamente ligada, na medida em que a literatura necessita da letra para ter existência concreta. Mas é valido observar também que a literatura se faz uso de qualquer instrumento artístico da linguagem.

       Através da literatura é possível construir sujeitos mais críticos, pois se apresenta como lugar de reflexão e de saberes, através da literatura é possível conhecer a história,. Cada momento histórico é constituído de determinadas formas de produção literária, tais maneiras de leitura do mundo permitem uma amplitude de saberes e uma visão mais completa de cada momento histórico.

         Além dessas questões, pode se estabelecer um crivo, em que é possível identificar de maneira simples, objetiva, mas superficial o que é e o que não é literatura ficcional, o termo essencial para esta resposta é se a obra baseia-se na realidade através da imaginação, quando se coloca esse questionamento e tem uma resposta positiva, está diante de um texto literário, caso contrário, não. Para isso segue abaixo dois Exemplos:VER TEXTO

Exemplo 1:

“Na quinta feira passada, o Museu de Arte de São Paulo, o Masp, foi palco de um crime. Em três minutos entre 5h09 e 5h12 da madrugada, um grupo de ao menos três bandidos invadiu o museu e furtou duas telas de destaque de seu acervo: O retrato de Suzanne  Bloch, do espanhol Pablo Picasso, e o Lavrador de Café do brasileiro Candido Portinari.” (revista VEJA 26 de Dezembro de 2007, p. 62).

Exemplo 2:

“RUMO AO SUMO

   Disfarça, tem gente olhando.

Uns, olham pro alto,

    cometas, luas, galáxias.

Outros olham de banda,

     lunetas, luares, sintaxes.

De frente ou de lado,

     sempre tem gente olhando,

olhando ou sendo olhado

     Outros olham para baixo,

procurando algum vestígio

     do tempo que a gente acha,

em busca do espaço perdido.

     Raros olham para dentro,

já que dentro não tem nada.

     Apenas um peso imenso,

a alma, esse conto de fada. ”

(Paulo Leminski, La vie em close, 2007 p. 49)