Introdução ao Trovadorismo

Symphonia da Cantiga 160, Cantigas de Santa Maria de Afonso X, o Sábio – Códice do Escorial. (1221-1284)

O surgimento do Trovadorismo compreende os séculos XII-XIV e se dá em meio à independência portuguesa. Em 1179, após uma batalha para tornar o condado Portucalense livre e autônomo sendo Afonso Henrique de Borgonha reconhecido pelo Papa  Alexandre III como rei, originando, assim, o Reino de Portucalense, também conhecido como Dinastia de Borgonha. Terminada a guerra contra os Mouros, surge um movimento social de paz, que engloba o nascimento do Trovadorismo.

O termo trovadorismo elucida a palavra francesa “trouver” que significa achar, que faz alusão à ideia de que os trovadores “achavam” as canções e saiam pelas ruas acompanhados de instrumentos como; alaúde, flauta, gaita, viola cantando e exercendo sua função social, já que os trovadores tinham extrema liberdade para abordar questões políticas, sociais e até mesmo religiosas.

Este período é marcado pela oralidade característica da tradição medieval e tem a poesia como anterior a prosa, pois o objetivo era produzir poesias cantadas, por isso cantigas que além dos instrumentos também tinha como acompanhamento um coro, as cantigas são ricas em paralelismos e compostas por refrões que facilitam a memorização da cantiga.

As cantigas são marcadas pela linguagem galego-português visto que não havia ainda uma autonomia do idioma português, só com o rei D. Dinis que a língua portuguesa se torna oficial.

O marco inicial para o Trovadorismo ocorre com Cantiga da Ribeirinha, também conhecida por Cantiga de Guarvaia, composta pelo trovador Paio Soares de Taveirós no ano de 1186 ou 1198. O término deste movimento literário se dá no fim da Dinastia de Borgonha em 1385 quando surge a Dinastia de Avis, após a revolução de Avis que declara o trono de Portugal a D. João I.

Cantiga da Ribeirinha


No mundo non me sei parelha
mentre me for como me vai,
ca ja moiro por vós e ai!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi em saia.
Mao dia me levantei
que vos entom nom vi fea!

E, mia senhor, des aquelha
me foi a mi mui mal di’ai!
E vós, filha de Dom Paai
Moniz, e bem vos semelha
d’aver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós ouve nem ei
valia d’ua correa.

Glossário:

non me sei parelha: não conheço ninguém igual a mim.
mentre: enquanto.ca: pois.
branca e vermelha: a cor branca da pele, contrastando com o rosado do rosto.
retraia: pinte, retrate, descreva.
en saia: sem manto.
que: pois
dês: desde
semelha: parece
d’aver eu por vós: receber por seu intermédio.
guarvaia: manto luxuoso, provavelmente vermelho, usado pela nobreza.
alfaia: presente
valia d’un correa: objeto de pequeno valor.

Até a próxima!

Jessica Marquês.

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