Decodificar, Ler e Interpretar

Quando paramos para refletir sobre o ato de ler, precisamos considerar que existe uma relação estrita entre os códigos e as linguagens, pois a linguagem elucida imagens e signos que remetem os significados das palavras e das coisas. A língua portuguesa, a literatura e as artes de modo geral são competências que permitem a leitura e a identificação dos signos, daí a importância de apreender a norma padrão e conhecer as variedades linguísticas, para poder ler de maneira completa e definitiva.

Diante disso, é importante compreender o ato de ler e a forma como acontece esse processo, em primeira instância existe uma determinação que é adotada como o passo inicial para a leitura, esse momento é conhecido como decodificação, ou seja, a quebra do código linguístico. É aquele primeiro processo que se aprende na pré-escola em que CA+SA = CASA ou a imagem que temos de casa.  A decodificação se dá, portanto, da simples identificação do signo linguístico. É uma leitura limitada que deve estar presente apenas no processo de aprendizagem inicial. Caso contrário, o leitor será apenas funcional!*

Quando se aborda a especificação da leitura é relevante compreendermos que essa acontece quando se é capaz de transmitir uma informação. Se houve realmente um avanço, ou seja, se o leitor ou leitora saiu do campo da decodificação para de fato realizar uma leitura, ele ou ela tem de ser capaz de falar acerca do assunto abordado no texto.

A leitura depende de textos verbais – em que há o envolvimento de palavras – ou não verbais – que não abarca palavras e sim outras formas de significação, tais como: imagens, sons, cores, dentre outros. Para uma leitura mais completa é necessário ainda promover uma análise do texto (a palavra análise vem do grego e significa quebra, ou seja, é necessário entender o sentido que os signos linguísticos, as palavras produzem). Desse modo, temos a distinção entre os termos conotativo e denotativo que exercem função importante na construção de sentidos:

Conotativo: Refere-se ao sentido figurado de uma palavra. Por exemplo: Mathias é fera em matemática. Lembre-se! “C” de criação, o enunciador cria novos significados para aquela palavra.

Denotativo: Trata as palavras a partir de sentidos e significados coincidentes, ou seja, aqueles atrelados diretamente ao termo compartilhado no dicionário. Por exemplo: O leão é uma fera que pode ser encontrada África Subsaariana e na Ásia. Lembre-se! “D” de dicionário, a palavra em seu sentido real.

Os termos em destaques são distintos em seus sentidos e nas colocações das frases, porque aludem a ideias diferentes. Um menino ser fera em matemática, não quer dizer que ele é um animal selvagem como o leão, mas que ele é bom em matemática. É possível afirmar que os contratos sociais da linguagem são importantes para a identificação dos sentidos. Para uma boa leitura é importante identificar essas diferenças nos textos e compreender as significações e as relações entre os termos.

Tendo essas noções bem estabelecidas, cabe diferenciar o termo compreensão e interpretação a fim de trabalhar melhor a capacitação linguística dos leitores. Cabe esclarecer, desse modo, que o termo compreensão visa uma análise superficial e direta. E a interpretação, por sua vez, envolve em sua análise um aprofundamento relevante que depende de conhecimento formal e vivencial.

 Dentro dessa conjuntura, distinguisse dois tipos de interpretação; a literal – que abarca o campo das ideias textuais, que está preso ao texto, que faz leituras “ao pé da letra”- e a crítica, que acontece com a transmissão do texto para a realidade, ligando as construções de significados com o ambiente histórico, social e ideológico no qual está inserido.

Não se pode confundir essa ação com julgamento, pois criticar envolve juízo de fato, ou seja, fatos comprovados e analisados cuidadosamente. Diferente do juízo de valor, que se refere à opinião dos sujeitos, não passando por um ambiente de pesquisa e constatação, sendo, portanto, encarado como julgamento, esse tipo de prática deve ser evitada em processos de leitura e análise interpretativa.

 De acordo com Paulo Freire (1989: 49) “ato de ler […] implica sempre percepção crítica, interpretação e ´reescrita` do lido”.  Por isso, é válido ressaltarmos, que quando alguém se prepara para uma prova de interpretação de textos e consequentemente a utilização da gramática normativa é necessário se ater; a relações de ideias, a noção de lógica e a solução de problemas, promovendo, assim, uma extensão interpretativa da prova, preocupando-se com as informações explícitas, implícitas e subentendidas.

*Falaremos mais sobre esse assunto em outros artigos aqui na Companhia Literária!

Referências:

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. 2ª ed. Nova fronteira, 2010.

CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. 3ªed. Nova fronteira, 2001.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 23ªed. Cortez,1989.

 

Até mais!

Jessica Marquês.

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