O espaço da narrativa

A polissemia dos termos narração e narrativa é uma constante sendo variados e utilizados em contextos diversos. Entretanto, é possível se considerar de acordo com Reis & Lopes 1988; a narração como o ato de narrar e a narrativa como aquilo que foi narrado.

De acordo com o foco narrativo, no estudo da tipologia textual; a narração pode ser constituída essencialmente por meio de duas pessoas discursivas. Diante disso, sabemos que “A narração será feita sempre em primeira pessoa (aqui) ou em terceira pessoa (algures). Dessa maneira, teremos sempre um espaço que diz respeito a essa instância de criação do texto literário, considerado o ponto zero a partir do qual se cria a espacialidade da narrativa. Muitas vezes, teremos uma projeção do espaço da narração dentro da narrativa, outras vezes esse espaço só será pressuposto, pois quem narra narra sempre de algum lugar.”

Os lugares por onde a narrativa perpassa vão constituir o espaço dessa construção linguística, entretanto, esse espaço vai muito além do que o lugar onde a narrativa é ambientada, pois se considera também os lugares subjetivos presentes no âmago de cada ser, a depender do tipo de narrativa, ou seja, se ele é mais introspectiva, esses lugares aparecerão com maior forma e frequência. Também devemos entender que existem espaços sociais que vão sendo construídos e ganham forma ao longo da narrativa.

Naturalmente sabemos que o espaço na narrativa é o lugar físico onde as personagens circulam, onde as ações se realizam. Diante disso, podemos conceber o espaço como interno e externo. Mas, além disso, existem outras configurações para o que vem a ser o espaço da narrativa. Observe:

  1. O espaço ou ambiente físico: é aquele mais óbvio e mais fácil de identificar em um texto, pois é o espaço onde as cenas se desenrolam, tendo em vista a paisagem, o lugar literalmente físico ou a colocação dessas personagens em determinado local, é aqui que se configuram as ideias de espaço interno e externo, ou seja, em lugar fechado (um quarto, uma sala, uma casa, um escritório) como na obra “A metamorfose” do Franz Kafka, por exemplo. E o lugar externo sendo ambientado na praia, no campo, na floresta, no espaço, com “O mochileiro das galáxias” do Douglas Adams, por exemplo.
  1. O espaço ou ambiente social: irá apresentar as coincidências sociais, construindo um contexto que insere diversas personagens secundárias/ figurantes para nos apresentar os elementos de determinado contexto social. Esse tipo de construção é muito importante para a obra, pois irá construir não apenas os lugares físicos e visíveis, mas aqueles que estão embrenhados nos meandros dessa sociedade, por vezes, essa colocação vem apenas como um acessório que nos auxilia na construção da personalidade das personagens principais, ou se uma forma muito mais profunda, como uma denúncia social, por exemplo. Eis um exemplo desse tipo de construção: “Capitães de areia” de Jorge Amado ou “O cortiço” de José de Alencar.
  1. O espaço ou ambiente psicológico: nesse tipo de construção é possível conhecer a esfera interna dos seres fictícios. Muitas personagens, dependendo do tipo de construção narrativa, são seres complexos e marcadamente recheados de caracterizações psicológicas. Dessa forma é possível considerar também as experiências, os pensamentos e as emoções de cada personagem na narrativa como espaços ou ambientes psicológicos. As obras mais instrospectivas que vão nos apresentar esse tipo de construção, muitas vezes, podem nem apresentar o ambiente externo, algumas vezes podem configurar apenas as construções e situações ambientadas apenas na psqué desses seres, outras tantas, por sua vez, podem expor tanto o ambiente social quanto físico e ainda sim compor o ambiente psicológico, por exemplo a antologia “Além do ponto e outros contos” Caio Fernando Abreu.

É relevante destacar que os espaços preditos; físicos, sociais e psicológicos são estabelecidos  por meio de relações que vão se compor a  nível do discurso narrativo. Assim, a ambientação da narrativa pode não ser um mero recurso para situar as personagens no espaço, ela pode, ir mais além e contribuir para a construção, desenrolar ou até mesmo o desfecho da trama. Sendo fator fundamental para atenuar a atmosfera dramática, é claro que tudo dependerá da complexidade e da qualidade narrativa.

“A construção do ‘lugar’ ou do conjunto de lugares que um romance contém levaria à consideração de que o ‘espaço’ é, ao mesmo tempo, ‘meio’ do sentido e também seu ‘objeto’ (…)” (Suzuki open cite MONTEIRO, 2002:14).

Para se construir a ambientação na narrativa, colocamos em evidencia outro tipo textual, que se bem trabalhado pode auxiliar nessa explanação dos conflitos da narrativa, a descrição. É pertinente realizar uma descrição que atinja os cinco sentidos do leitor e, de certa forma, o transforme. Observe estes trechos em que há a construção do espaço na obra de Machado de Assis, Dom Casmurro:

“Ia entrar na sala de visitas, quando ouvi proferir o meu nome e escondi-me atrás da porta. A casa era a da rua de Matacavalos, o mês novembro, o ano é que é um tanto remoto, mas eu não hei de trocar as datas à minha vida só para agradar às pessoas que não amam histórias velhas; o ano era de 1857.”

“Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro. Uma lua quente de Verão entra pela varanda, ilumina uma jarra de flores sobre a mesa. Olho essa jarra, essas flores, e escuto o indício de um rumor de vida, o sinal obscuro de uma memória de origens. “ (ASSIS, 2016; p.11)

“Pelas nove da manhã deste dia de Setembro cheguei enfim à estação de Évora. Nos meus membros espessos, no crânio embrutecido, trago ainda o peso de uma noite de viagem […] Eis que me levanta de novo a imagem de meu pai, caído de bruços sobre a mesa, ao jantar, dias antes de eu partir. Todos os anos, pela vindima, meus pais queriam ali os três filhos pelo Natal. O Tomás vivia perto, tinha também a sua lavoura, mas não deixava nunca de comparecer ao jantar. Mas o Evaristo vivia na Covilhã. E agora, que escrevo esta história à distância de alguns anos, exactamente neste mesmo casarão em que tudo se passou, relembro vivamente o estrépito da sua chegada nessa manhã de Setembro. “(ASSIS, 2016; p.16)

Referências

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/pedagogia/o-espaco-da-narrativa/34413 acessado em 28 de abril de 2017 às 08h42.

SUZUKI, Júlio César. O espaço na narrativa: uma leitura do conto “Preciosidade”. Revista do departamento de geografia, 2006, pág. 54 a 57. São Paulo.

FILHO, OZIRIS BORGES. O espaço da narração e o espaço da narrativa. UFTM. ESTUDOS LINGÜÍSTICOS, São Paulo, 37 (3): 341-347, set.-dez. 2008.

Abraços,

Jessica Marquês.

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Tempo da narrativa

As escolhas que o autor faz ao relatar a sua história podem influenciar no tempo da narrativa, pois a meneira como ele decide relatar o fato, seguindo a ordem cronológica ou dando valor em primeira instância aos acontecimentos mais importantes, poderá definir o tempo de sua narrativa. É evidente que em muitas narrativas, os tempos se mistura, mas naturalmente um deles terá predominância. Quando falamos em tempos da narrativa, temos as seguintes possibilidades:
Cronológico ou Histórico
Esta forma de narrar vai apresentar os fatos na ordem em que eles aconteceram ou acontecem, aqui não haverá seleção do acontecimento, apenas constrói-se a narrativa levando em consideração o início, o meio e o fim de determinada situação, lembrando que na narrativa serão apresentadas circunstâncias que mexem com as estruturas das personagens e as tiram do eixo comum, então nesse tipo de tempo da narrativa, você leitor terá acesso às informações na ordem em que eles apareceram.
Por vezes pode acontecer uma variação nessa linha linear da história na medida em que o narrador pode relatar algo por meio de flashbacks, entremeando o passado e o presente, mas como foi predito, esta não é a forma predominante no tempo cronológico ou histórico. É relevante ressaltar que as narrativas de ação usam o tempo cronológico, enquanto as Histórias usam o tempo histórico e apresentam uma cronologia que corresponde à realidade histórica do passado.
Exemplo:
“Depois de um dia estranho como aquele só queria deitar e dormir, mas ainda era três horas da tarde, o máximo que poderia fazer era tirar um cochilo assim que chegasse em casa, mas minha alegria durou pouco, foi só entrar no carro que meu celular tocou anunciando uma nova mensagem de texto.”

Psicológico ou metafísico
Nessa escolha de narrativa, o tempo será apresentado conforme a ordem de relevância, a personagem vai nos apresentar as situações de acordo com a sua memória afetiva, emotiva, este tempo transcorre no interior de cada personagem e é determinado por suas vontades ou imaginação.
Esse tempo da narrativa acontece de acordo com vivências subjetivas das personagens, ou seja, o olhar individual, pessoal, particular do narrador e/ou personagem ressaltando as suas desilusões, as suas ansiedades, ou as suas fascinações e alegrias. O estado de espírito daquele que narra a história vai conduzir a narrativa, tornando-a mais longa ou curta. Nele também se utiliza do recurso intitulado de Flashback, remetendo à ações do passado enquanto relata-se fatos do presente. Com relação a isso, a diferença é que o flashback do tempo psicológico é mais frequente, é na verdade, um recurso comum e usual nesse tipo de descrição.
Exemplo:
“Ele já não consegue sentir mais nada ao seu redor, seus sentidos são sempre os primeiros a ir. Por mais que aquele processo levasse horas, ele não sentia nada disso. Ele sentia como se fossem apenas alguns minutos. Ele está completamente tonto agora, como se estivesse sonhando, seus pensamentos começam a ficar distantes de seu corpo, que se move rápido demais para sua mente.”

Referências
http://temposdanarrativa.tumblr.com/

Até breve!
Jessica Marquês.

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Foco narrativo

Já sabemos que a tipologia textual conhecida como narração tem elementos e estruturas específicos, diante disso existem características que devemos conhecer, uma delas é o foco narrativo, que consiste na estrutura narrativa, ou seja, na construção do texto na primeira pessoa do discurso ou na terceira. Para cada construção existem estratégias e recursos diferentes. Desse modo temos:

Foco narrativo em primeira pessoa

  1. Narrador personagem: Conta a história em primeira pessoa, pois faz parte dela, por isso esse texto é marcado por subjetividade, limitada a um único ângulo de visão acerca da história. Apresenta além dos fatos, uma carga emocional sobre eles. O interessante é que este tipo de narrador pode contribuir para o clima de suspense da narrativa tendo em vista que as circuntâncias e os fatos são limitados para o narrador, o leitor descobre junto com ele no decorrer da narrativa.
  2. Narrador protagonista: como o próprio nome diz, aqui o narrador personagem é o foco principal da narrativa, assim toda a trama gira em torno dele, por isso, ao narrar apresenta-se com uma carga emocional muito maior. O leitor terá, nesse caso, a visão subjetiva dessa personagem e uma visão limitada às suas emoções com relação à narrativa. Saberá da trama sob o olhar de quem a vive diretamente.
  3. Narrador testemunha: o narrador faz parte da história, mas não é a personagem principal, ainda sim, teremos uma visão subjetiva da situação, entretanto, como a trama não está centrada nele, a carga emocional é menor.

 

Foco narrativo em terceira pessoa

  1. Narrador onisciente: a palavra “onisciente” deriva do latina cujo prefixo “oni” significa todo e a palavra “ciente” refere-se àquele que tem ciência, ou seja, conhecimento de algo. O narrador onisciente, é como se fosse um deus na narrativa, ele conhece todos os ângulos da história, inclusive o pensamento, as sensações, as emoções de todas as personagens. Ele é capaz, inclusive de descrever ações que acontecem ao mesmo tempo em lugares diferente, ele também é onipresente.
  2. Narrador onisciente neutro: por mais que ele conheça tudo acerca da história e das personagens, ele apenas descreve as ações e as personagens, sem apresentar opiniões a respeito delas, desse modo, ele não influencia o leitor. Descreve os fatos para uma compreensão mais ampla da narrativa.
  3. Narrador onisciente seletivo: conhecedor de tudo, apresenta os fatos, os acontecimentos e  as personagens e ainda tece observações e opiniões acerca de cada elemento da narrativa, trazendo certa influencia para o leitor se posicionar contra ou a favor.
  4. Narrador observador: Não faz parte da história, nem conhece todos os elementos da narrativa, este narrador tem apenas um ângulo da história. É alguem que acompanha uma história de fora, por isso, suas observações são mais objetivas, porém limitadas ao seu raio de visão acerca dos acontecimentos concernentes àquela narrativa.

A não ser que seja uma intenção dentro de sua produção narrativa, não se deve mudar o foco narrativo de seu texto ora escrevendo na terceira, ora na primeira pessoa do discurso.

 

Abraços,

Jessica Marquês.

 

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Estrutura da narração

Como um bom texto, a narração terá uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão, entretanto, na narrativa eles possuem características específicas e nomenclaturas diferentes.  Como sabemos todo enredo é composto por um conflito vivido por um ou mais personagens, cujo foco principal é prender a atenção do leitor por meio de um clima de tensão que se organiza em torno dos fatos e os faz avançar. Para construir essa narrativa pode-se respeitar a seguinte estrutura:

  1. INTRODUÇÃO: é parte inicial da história, quando você pega alguns livros, está intitulado como prólogo, nele o autor vai ambientar a narrativa, começar a descrever as personagens a apresentar estas personagens e também nos situa no tempo da narrativa. Além disso, aqui é que se vão apresentar os fatos iniciais, os porquês de aquela história existir. É o primeiro momento que você vai prender o leitor. Ele precisa ficar com uma pulga na orelha, ele precisa ficar intrigado. É claro que algumas narrativas não nos deixa intrigado, pois desenvolvem o início da narração de forma mais lenta, mais carregada, mais truncada. E o que resta é a expectativa, afinal, o que vai acontecer?
  1. DESENVOLVIMENTO da narrativa, do enredo, aqui é a história propriamente dita, ela recebe o nome de trama. E na trama estão presentes dois elementos importantes: 1º Compilação: a parte em que se desenvolve o conflito. Porque para que a história aconteça é necessário que haja um conflito, ou seja, algo que tire as personagens da sua rotina comum, um acontecimento que quebre a estabilidade das personagens. Porque se for apenas apresentar a rotinas das personagens, não se tem uma narrativa, e sim um relato. Para a narrativa existir é necessário que algo aconteça com as personagens. 2º Clímax: é o ponto culminante de toda a trama, é o momento de maior tensão da narrativa, é a parte em que o conflito atinge seu ápice, tendo em vista que tudo o que foi construído e apresentado na narrativa; as personagens, o tempo, os fatos, a maneira como eles aconteceram, tudo contribui e foi preparado para este momento, é como se tudo levasse para uma encruzilhada, como se fosse um funil, tudo o que se apresentou levou a um determinado lugar, e agora a personagem deverá escolher qual caminho seguir, lembrando que não é possível escolher todos os caminhos… Haverá apenas uma opção. É aquele momento do livro, ou do texto que você fica sem ar, é quase como se a terra parasse de girar por um segundo.
  1. CONCLUSÃO: que também pode ser chamado de desfecho, ou seja, o caminho que as personagens decidiram. Aqui no desfecho, nós temos a solução do conflito instaurado na narrativa, é a conclusão da história, o final o epílogo. É nesse momento que você volta a respirar novamente, seja aliviado, ou não. É claro que este desfecho vai apresentar final trágico, ou cômico, ou triste, ou até mesmo surpreendente. Esse tipo de final depende muito tipo de obra e, muitas vezes, da vinculação literária daquele escritor ou da obra.

Se você vai escrever uma narrativa, você pode fazer de duas formas. Você pode criar um mapa mental  em que vai inserir todos os elementos da sua narrativa, antes de começar a escrever, vai planejar as personagens, as problemáticas, as compilações, o próprio clímax e obviamente o desfecho, então você sabe de toda a história antes de escrever. Ou você pode ir construindo a sua narrativa e se surpreendendo com as situações que você vai criando, com as problemáticas e soluções que vão surgindo. Mas quando se trata de uma narrativa longa, com a falta da inspiração, por exemplo, pode ser que você, ao invés de chegar numa encruzilhada, você chegue numa rua sem saída… Por isso, vale a pena planejar e se organizar.

 

Abraços,

Jessica Marquês.

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Escrever mais e melhor!

A experiência da escrita é fascinante, mas em muitos momentos nos falta inspiração, ou não escrevemos o tanto que gostaríamos ou da maneira como almejávamos. Por isso, precisamos buscar algumas estratégias que aguçam o nosso olhar artístico e nos permitem escrever mais e melhor.

É inegável que a leitura é uma chave para a escrita, pois por meio dela, temos o conhecimento de diversos recursos que nos podem auxiliar na produção de um texto; variadas formas de descrição, os olhares das personagens, as histórias que entrelaçam os enredos, as construções narrativas, os desfechos esperados ou inesperados. A cada página, um novo encanto ou desencanto, mas sempre uma oportunidade de aprender mais…

As colocações linguísticas, os recursos estilísticos, as brincadeiras com a palavra, ou a rigidez delas, cada momento em que passamos nossos olhos pelas linhas que formam um livro, um texto, a letra de uma canção, um poema, são oportunidades de aprendizado, possibilidades de conhecer novas formas de encarar o mundo, novas maneiras de vislumbrar, contemplar, ou até mesmo criticar aquilo que nos cerca.

Por isso, é importante, constantemente, quebrarmos nossos preconceitos e estarmos abertos à pluralidade da escrita, às possibilidades de conhecer a palavra se tornando arte. Quem pretende escrever é necessário sair do lugar comum, é primordial desafiar-se enquanto leitor, e conhecer a vasta disponibilidade de apropriação da linguagem, desfrutar dos diversos gêneros e recursos textuais de leitura. Com certeza, se assim o fizer, desenvolverá uma arcabouço amplo acerca daquilo que cerca o universo da leitura, e consequentemente, da escrita.

Já que precisamos sair do nosso lugar comum, enquanto escritores também precisamos nos ambientar para descrever melhor. Por isso, um auxílio para a nossa imaginação, para as nossas inspirações é sair – literalmente levantar de sua cadeira, poltrona, cama, sofá e andar, conhecer, visitar, contemplar… – Tentar sentir as vibrações dos lugares, observar os olhares das pessoas, seus humores, colocar-se à disposição para conhecer os mínimos detalhes de cada espaço que percorre, permitindo-se sentir os cheiros, as emoções, as cores, as sensações, as texturas daquilo que contemplas.

Já experimentou, por exemplo, caminhar por seu quintal descalço e sentir a grama, ou terra, ou areia, ou concreto, ou cerâmica em seus pés e perceber o frio ou o calor? Analisar a dinâmica das coisas, a essência dos seres?

O escritor precisa, por meio de suas palavras, descrever; as coisas, as pessoas, as emoções, as situações… Quanto mais explorarmos o nosso mundo, os nossos universos, mais material teremos para nossas produções textuais. Poderemos expressar no papel aquilo que percebemos e sentimos. Para isso, precisamos estar presentes…

Por isso, largue o celular, o papel, o livro… E sinta aquilo que o cerca sem as interferências rotineiras… Permita-se estar sensível para perceber e conhecer e, consequentemente, escrever mais e melhor.

Abraços,

Jessica Marquês.

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Tipologia textual, Gêneros textuais e Gêneros Literários

Para quem vai estudar para algum concurso é comum encontrar na lista dos conteúdos programáticos a serem cobrados na referida prova o tópico sobre tipos textuais, gêneros textuais ou literários, por isso, é mais do que fundamental conseguir distingui-los.

É claro que, de certo modo, estão relacionados, mas ainda assim diferenciam-se entre si. Para não errar na ora de estudar confira a diferença essencial entre cada um deles. É válido ressaltar que ao longo das semanas, às quartas-feiras, iremos tecer estudos sobre este universo da produção de um texto, por isso, hoje os referidos gêneros, tipos literários e textuais serão apenas citados, faremos um aprofundamento sobre cada um, gradualmente.

É fato que os textos não são simples amontoados de palavras, nem tão pouco estão restritos à arte da palavra, eles podem ser tanto escrito, quanto oral.  O que torna algo texto é a capacidade de transmitir uma mensagem, ou seja, quando é possível criar uma completude de sentidos.

A construção de sentidos vai acontecer em determinados contextos, e assim, ter significados diferentes a depender da situação comunicativa. Para entender os elementos que estão expostos logo abaixo, é necessário que se compreenda o ato comunicativo e os elementos que estão conectados a ele, assim como as funções que as linguagens exercem.

É mais do que fundamental perceber que quando se abre um livro e encontra um poema com a frase: “FOGO!” a sua percepção e compreensão daquela palavra será diferente, se você estiver no meio de um museu e alguém gritar “FOGO!!!”.

No primeiro momento você pode considerar as situações que o autor do poema tentou problematizar, fará, portanto, uma reflexão sobre aquilo (ou não, talvez) Mas se escuta a frase “FOGO!!!” e preza por sua vida, naturalmente, vai procurar imediatamente uma forma de sair dali. Torça para não estar no Louvre, não é nada fácil sair daquele local, mesmo seguindo as plaquinhas de “sortir”.

1.TIPOLOGIA TEXTUAL

São apresentados de forma macro e representam a diversidade de manifestação textual. Eles servem para classificar e organizar esta vasta pluralidade da escrita. Desse modo, existem cinco tipos textuais.

  • Narração
  • Descrição
  • Dissertação
  • Injunção
  • Predição

2.OS GÊNEROS TEXTUAIS

Possui uma lista muito mais extensa do que a tipologia textual, já que aqui podemos vislumbrar as estruturas socialmente aceitas de determinado textos, manifestados na escrita ou na oralidade, em situações formais ou informais. As intenções comunicativas se fazem valer de forma muito forte em cada gênero textual. De tempos em tempos surgem novos, pois eles são as variadas formas de linguagem que circulam a nossa sociedade.

  • Adivinha
  • Advertência
  • Agradecimento
  • Alvará
  • Ameaça
  • Anúncio
  • Anúncio
  • Anúncio
  • Artigo científico
  • Artigo de opinião
  • Ata
  • Atestado
  • Aviso
  • Bate-papo
  • Bilhete
  • Biografia
  • Boletim de ocorrência
  • Boleto
  • Bula de remédio
  • Cântico religioso
  • Capa de revista
  • Carta aberta
  • Carta ao leitor
  • Carta comercial
  • Carta convite
  • Carta do leitor
  • Carta oficial
  • Carta pessoal
  • Cartaz
  • Catálogo
  • Catecismo
  • Certidão
  • Certificado
  • Charge
  • Código de barras
  • Comercial
  • Comprovante de pagamento
  • Comprovante de renda
  • Conto
  • Contrato
  • Contrato
  • Convite
  • Crônica
  • Curriculum vitae
  • Debate
  • Declaração
  • Diploma
  • Dissertação
  • Documento pessoal
  • Drama
  • Edital
  • Edital
  • Editorial
  • E-mail
  • Endereço postal
  • Entrevista
  • Entrevista médica
  • Errata
  • Estatuto
  • Expediente
  • Fábula
  • Fatura
  • Ficcional
  • Fofoca
  • Folheto
  • Formulário
  • Glossário
  • Gráfico
  • História em quadrinhos
  • Homilia
  • Horóscopo
  • Humorístico
  • Informe
  • Instrucional
  • Interpessoal
  • Jornalístico
  • Jurídico
  • Lamentação
  • Lei
  • Lenda
  • Logomarca
  • Logomarca
  • Manual de instrução
  • Manual de montagem
  • Mapa
  • Memorando
  • Mensagem
  • Mito
  • Norma
  • Nota de aula
  • Nota de compra
  • Nota de rodapé
  • Nota de venda
  • Nota fiscal
  • Nota promissória
  • Notícia
  • Oração
  • Ordem
  • Parecer
  • Patente
  • Peça de teatro
  • Petição
  • Piada
  • Placa
  • Poema
  • Programação semanal
  • Propaganda
  • Publicitário
  • Receita culinária
  • Receita médica
  • Regimento
  • Regra de jogo
  • Regulamento
  • Relato
  • Religioso
  • Reportagem
  • Requerimento
  • Resenha
  • Resumo
  • Resumo de novela
  • Reza
  • Romance
  • Roteiro de viagem
  • Rótulo
  • RPG
  • Sermão
  • Tabela
  • Telegrama
  • Tese
  • Trabalho de conclusão
  • Verbete de enciclopédia

3.GÊNEROS LITERÁRIOS

É a separação de conjuntos de obras que possuem características semelhantes entre si de forma e conteúdo. Na manifestação literária, com a intenção comunicativa, em sua maioria, centrada na mensagem, existem diversas maneiras de se apropriar da linguagem e trabalhar com a palavra. Por isso, em primeira instância, separam-se os gêneros literários quanto à forma, desse modo temos o texto em prosa (organizado em parágrafos) ou em verso (construído em linhas poéticas).

No que concerne ao conteúdo, existem três tipos, mas cada um deles possui ramificações em que a manifestação literária torna-se mais específica.

Épico (atualmente também é chamado de narrativo)                                            

  • Exórdio ou proposição
  • Invocação
  • Dedicatória
  • Narração
  • Epílogo
  • Romance
  • Novela
  • Conto
  • Fábula
  • Crônica

Dramático

  •  Tragédia
  • Comédia
  • Tragicomédia
  • Farsa

Lírico

  • Ode
  • Hino
  • Elegia
  • Edílio e écloga
  • Sátira

Referências:

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. 2ª ed. Nova fronteira, 2010.

CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. 3ªed. Nova fronteira, 2001.

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Planejamento de textos para sua produção. In COELHO, Fábio André; PALOMANES, Roza (orgs.). Ensino de produção textual. São Paulo: Contexto, 2016. p. 87-107. ISBN: 978-85-7244-954-0.

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação – Uma proposta para o ensino de gramática. 1a.. ed. São Paulo: Cortez, 1996. v. 1. 245 p. ISBN: 978-85-249-0982-5. 13a. Edição: 2009.

http://www.revistaliteraria.com.br/generos.htm acessado em 20 de fev. de 2017 às 10h34.
http://www.desvendandoteatro.com/gneros.htm acessado em 20 de fev. de 2017 às 11h12..

A gente se vê em breve!

Jessica Marquês. 

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Decodificar, Ler e Interpretar

Quando paramos para refletir sobre o ato de ler, precisamos considerar que existe uma relação estrita entre os códigos e as linguagens, pois a linguagem elucida imagens e signos que remetem os significados das palavras e das coisas. A língua portuguesa, a literatura e as artes de modo geral são competências que permitem a leitura e a identificação dos signos, daí a importância de apreender a norma padrão e conhecer as variedades linguísticas, para poder ler de maneira completa e definitiva.

Diante disso, é importante compreender o ato de ler e a forma como acontece esse processo, em primeira instância existe uma determinação que é adotada como o passo inicial para a leitura, esse momento é conhecido como decodificação, ou seja, a quebra do código linguístico. É aquele primeiro processo que se aprende na pré-escola em que CA+SA = CASA ou a imagem que temos de casa.  A decodificação se dá, portanto, da simples identificação do signo linguístico. É uma leitura limitada que deve estar presente apenas no processo de aprendizagem inicial. Caso contrário, o leitor será apenas funcional!*

Quando se aborda a especificação da leitura é relevante compreendermos que essa acontece quando se é capaz de transmitir uma informação. Se houve realmente um avanço, ou seja, se o leitor ou leitora saiu do campo da decodificação para de fato realizar uma leitura, ele ou ela tem de ser capaz de falar acerca do assunto abordado no texto.

A leitura depende de textos verbais – em que há o envolvimento de palavras – ou não verbais – que não abarca palavras e sim outras formas de significação, tais como: imagens, sons, cores, dentre outros. Para uma leitura mais completa é necessário ainda promover uma análise do texto (a palavra análise vem do grego e significa quebra, ou seja, é necessário entender o sentido que os signos linguísticos, as palavras produzem). Desse modo, temos a distinção entre os termos conotativo e denotativo que exercem função importante na construção de sentidos:

Conotativo: Refere-se ao sentido figurado de uma palavra. Por exemplo: Mathias é fera em matemática. Lembre-se! “C” de criação, o enunciador cria novos significados para aquela palavra.

Denotativo: Trata as palavras a partir de sentidos e significados coincidentes, ou seja, aqueles atrelados diretamente ao termo compartilhado no dicionário. Por exemplo: O leão é uma fera que pode ser encontrada África Subsaariana e na Ásia. Lembre-se! “D” de dicionário, a palavra em seu sentido real.

Os termos em destaques são distintos em seus sentidos e nas colocações das frases, porque aludem a ideias diferentes. Um menino ser fera em matemática, não quer dizer que ele é um animal selvagem como o leão, mas que ele é bom em matemática. É possível afirmar que os contratos sociais da linguagem são importantes para a identificação dos sentidos. Para uma boa leitura é importante identificar essas diferenças nos textos e compreender as significações e as relações entre os termos.

Tendo essas noções bem estabelecidas, cabe diferenciar o termo compreensão e interpretação a fim de trabalhar melhor a capacitação linguística dos leitores. Cabe esclarecer, desse modo, que o termo compreensão visa uma análise superficial e direta. E a interpretação, por sua vez, envolve em sua análise um aprofundamento relevante que depende de conhecimento formal e vivencial.

 Dentro dessa conjuntura, distinguisse dois tipos de interpretação; a literal – que abarca o campo das ideias textuais, que está preso ao texto, que faz leituras “ao pé da letra”- e a crítica, que acontece com a transmissão do texto para a realidade, ligando as construções de significados com o ambiente histórico, social e ideológico no qual está inserido.

Não se pode confundir essa ação com julgamento, pois criticar envolve juízo de fato, ou seja, fatos comprovados e analisados cuidadosamente. Diferente do juízo de valor, que se refere à opinião dos sujeitos, não passando por um ambiente de pesquisa e constatação, sendo, portanto, encarado como julgamento, esse tipo de prática deve ser evitada em processos de leitura e análise interpretativa.

 De acordo com Paulo Freire (1989: 49) “ato de ler […] implica sempre percepção crítica, interpretação e ´reescrita` do lido”.  Por isso, é válido ressaltarmos, que quando alguém se prepara para uma prova de interpretação de textos e consequentemente a utilização da gramática normativa é necessário se ater; a relações de ideias, a noção de lógica e a solução de problemas, promovendo, assim, uma extensão interpretativa da prova, preocupando-se com as informações explícitas, implícitas e subentendidas.

*Falaremos mais sobre esse assunto em outros artigos aqui na Companhia Literária!

Referências:

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. 2ª ed. Nova fronteira, 2010.

CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. 3ªed. Nova fronteira, 2001.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 23ªed. Cortez,1989.

 

Até mais!

Jessica Marquês.

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Entenda as cinco competências do ENEM

UM

 

COMPETÊNCIA I

COMPREENDER A PROPOSTA DE REDAÇÃO E APLICAR CONCEITOS DAS VÁRIAS ÁREAS DE CONHECIMENTO EM UM TEXTO DISSERTATIVA ARGUMENTATIVO EM PROSA

Nessa competência é fundamental respeitar todos os elementos das regras gramaticais normativa, tais como; ortografia, acentuação, pontuação, emprego de pronomes, etc. Todo o texto deve ser composto por boas estruturas sintáticas, os cinco níveis da avaliação levam em consideração construções linguísticas desde precárias à excelentes. Produza sua redação deixando tempo suficiente para realizar uma revisão, pois detalhes poderão fazer toda a diferença para alcançar a nota máxima.

 

DOIS

 

 

 

 

COMPETÊNCIA II

COMPREENDER A PROPOSTA DE REDAÇÃO E APLICAR CONCEITOS DAS VÁRIAS ÁREAS DE CONHECIMENTO EM UM TEXTO DISSERTATIVO ARGUMENTATIVO EM PROSA

Existem três elementos a serem analisados e aplicados nessa competência; o primeiro deles é demonstrar que compreendeu a proposta por completo, fale especificamente do assunto proposto e não dele de modo geral, caso contrário poderá tangenciar o assunto de seu texto e perder muitos pontos por isso. É fundamental respeitar a estrutura da dissertação argumentativa (introdução- desenvolvimento- conclusão). Além disso, é necessário apresentar um repertório sociocultural produtivo, ou seja, aplicar conhecimentos de outras áreas.

 TRÊS

 

COMPETÊNCIA III

SELECIONAR, RELACIONAR, ORGANIZAR E INTERPRETAR FATOS, OPINIÕES E ARGUMENTOS EM DEFESA DE UM PONTO DE VISTA

É necessário construir uma linha de pensamento coerente defendendo determinado ponto de vista (apresentando-o na 1ª pessoa do plural ou na 3ª pessoa do singular), para isso é fundamental levantar argumentos que sustentem as ideias expressas em seu texto de forma consistente e organizada. Lembre-se de construir os argumentos relacionados ao tema proposto pela avaliação do ENEM de forma a configurá-lo como um texto autoral.

QUATRO

 

COMPETÊNCIA IV

DEMONSTRAR CONHECIMENTO DOS MECANISMOS LINGUÍSTICOS NECESSÁRIOS PARA A CONSTRUÇÃO DA ARGUMENTAÇÃO

Para produzir um texto coeso e organizado você deve costurar as informações apresentadas no interior dos parágrafos e entre eles. Cada parágrafo é como um pequeno texto argumentativo e deve, portanto, apresentar introdução, desenvolvimento e conclusão. Nessa competência, você será avaliado levando em consideração a construção de sentidos com a correta aplicação dos conectores textuais, que também devem ser diversificados. Assim, você poderá demonstrar boa articulação entre as partes do texto e as ideias levantadas nele. Fique muito atento para evitar repetições ou contradições.

CINCO

 

COMPETÊNCIA V

ELABORAR PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PARA O PROBLEMA ABORDADO, RESPEITANDO OS DIREITOS HUMANOS

Para as dissertações argumentativas do ENEM é obrigatório apresentar sugestões de soluções para o problema ou situação do tema da redação. É fundamental que essa proposta de intervenção englobe todos os sujeitos da sociedade, tais como; família, governo, escola, comunidade, dentre outros. Essas propostas podem ser desenvolvidas ao longo do texto ou na conclusão, para se alcançar a nota máxima nessa competência é importante que a proposta seja detalhada, relacionada ao tema e articulada com os argumentos levantados na redação. Sempre respeite os direitos humanos no texto (e na vida, é claro!), caso contrário, a redação será zerada.

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