A tríplice da gramática

Primeiro precisamos saber que existem diversos tipos de gramática (comparada/comparativa, descritiva, gerativa/generativa, histórica, prescritiva, transformacional, universal e normativa) Cada tipo de gramática lança um olhar específico para considerar determinada língua. Em nossos estudos iniciais nos preocuparemos com a gramática normativa, pois é a partir dela que muitos concursos, vestibulares, Enem, currículos escolares, dentre outros estruturam suas avaliações. As demais veremos em outros artigos mais a frente.

No que se refere à língua ela é concebida por meio de um sistema tríplice em que há um sistema de formas (mófico), um sistema de frases (sintático) e um sistema de sons (fônico). Desse modo, a gramática possui três divisões essenciais e outras duas complementares.  Observe essas divisões e suas características.

  1. Fonética/fonologia: a Fonética se dedica ao estudo dos sons falados, ou seja, a língua em sua realização, enquanto a Fonologia estuda os fonemas da língua. Entende-se por fonema a menor unidade significativa de uma língua, que compõem um sistema lingüístico.
  2. Morfologia: entende-se por morfema a unidade mínima significativa, ou seja, as “partes” de uma palavra que possuem um significado ou exercem uma função.
  3. Sintaxe: a Análise sintática é a parte da gramática da Língua Portuguesa que se dedica aos estudos dos termos que compõem uma frase, entre as múltiplas combinações possíveis para transmitir um significado completo e compreensível.

Abraços,

Jessica Marquês.

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Qual a diferença entre onde e aonde?

Antes de entendermos as diferenças ortográficas dessas formas é relevante compreendermos que o termo “onde” não pode ser usado como o curinga na qual muitas vezes ele é aplicado, tendo em vista que só se deve utilizar onde quando referir-se a lugar físico, caso contrário deve-se utilizar o termo “em que” ou “no qual” (e suas variantes)

A reunião onde  em que/ na qual atuei foi fenomenal!

Nas oportunidades onde  em que/ as quais eles se encontravam.

 O estatuto onde  em que / no qual ele considerou para a sua defesa final estava desatualizado.

Atençao! Sempre que utilizar o termo “onde” em seu texto, volte e verifique se ele está fazendo referência a lugar físico, se não for o caso, substitua-o pelo termo “em que”.

Sabendo que onde ou aonde só são utilizados para se referir a lugares físicos, quando devemos utilizá-los?

Para considerar a diferença entre os termos, deve-se considerar os verbos que os acompanham, sabendo fazer essa análise a diferenciação é simples, veja:

  1. Onde : será utilizado com verbos que indicam estado ou permanência, por exemplo:

Não sei onde estou.

Vivo no mesmo prédio onde mora  o homem-aranha.

Onde ficou meu celular?

  1. Aonde também é utilizado para trasmitir a ideia lugar, mas deverá ser utilizado quando acompanhado de verbos que indicam movimento, tais como: ir, chegar, dirigir, dentre outros.

Aonde você vai?

Aonde chegamos agora?

Aonde devo me dirigir para conseguir essa assinatura?

 

Basta considerar o verbo para diferenciar!!!

Gramaticalmente o termo  “onde” pode exercer a função de pronome relativo, advérbio interrogativo, adjunto adverbial os quais serão apresentados quando iniciarmos nossos estudos sintáticos

Até breve!

Jessica Marquês.

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As funções da linguagem

Você já parou para pensar sobre os seus processos comunicativos? Faça uma breve análise, todas as vezes que emana algo de sua mente para outrem existe uma determinada intenção nesta comunicação.

E isso não é algo negativo, não quer dizer que há outras intenções por trás daquilo que se diz ou escreve (se bem que, às vezes, pode existir), e que sejam más intenções, mas todas as vezes que qualquer frase é construída por você ela vem recheada de intenções.

De acordo com o dicionário Houaiss intenção significa “aquilo que se pretende fazer; propósito, plano, ideia/ aquilo que se procura alcançar, conscientemente ou não; propósito, desejo, intento”. Desse modo, todas as vezes que você se comunica tem algum objetivo nessa comunicação, seja consolar alguém, divertir, explicar, justificar, dentre outros.

Diante desse fato, o mesmo linguista que formulou o conceito com os elementos da comunicação presentes no Ato Comunicativo, Roman Jakobson, também desenvolveu um estudo sobre as intenções dos processos comunicativos, desse modo, existem as funções da linguagem.

Tais funções relacionam-se diretamente com cada elemento da comunicação, desse modo temos:

Ao longo das semanas que se seguem iremos conceituar cada uma das funções da linguagem:

  1. FUNÇÃO EMOTIVA/ EXPRESSIVA

Como fica claro no esquema acima, essa função está centrada “emissor” da comunicação, ou seja, por meio dela o ato de fala é utilizado para exprimir o estado de espírito, as emoções, as opiniões desse “emissor”. Para esse tipo de construção é comum se utilizar alguns elementos:

  1. Subjetividade: nesse tipo de texto será apresentada uma visão pessoal, particular, individual de determinada situação, é chamada assim pois é a característica do que é subjetivo, ou seja, pertencente ao sujeito, ao “eu”.
  2. Interjeição: a classe de palavras que se encarrega de exprimir as emoções, os sentimentos ou estados de espírito é uma ótima opção para este tipo de produção comunicativa. Por meio das interjeições é possível que este emissor consiga liberar a sensação emotiva construída em seu texto.
  3. Sinais de pontuação: para acompanhar essa interjeição e falar das próprias emoções, o emissor também recorre ao recurso da pontuação, construindo um texto com exclamações, interrogações, reticências e qualquer sinal que o auxilie a exprimir aquilo que sente.
  4. Primeira pessoa do discurso: já que este emissor está intencionalmente falando de si mesmo, expondo a sua visão de mundo, é comum que ele recorra às construções na primeira pessoa do discurso, principalmente no singular. Por isso, nesse tipo de texto, encontramos verbos, pronomes pessoais e possessivos na primeira pessoa do discurso.

Observe tais elementos em destaque no poema abaixo

 

O que penso eu do mundo?

Sei lá o que penso do mundo!

Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das cousas?

Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?

Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma

E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos

E não pensar. *

Alberto Caeiro

Heterônimo de Fernando Pessoa.

* O único elemento da função emotiva que faltou nesse poema foram as interjeições, mas não é obrigatório ter todos elementos, eles servem apenas para nortear nosso estudo de identifica, analisar e/ ou construir um texto na referida função. 

2. FUNÇÃO POÉTICA

Ela está centrada na “mensagem” do nosso ato comunicativo, na medida em que a maior preocupação do emissor, é no modo como vai construir e apresentar essa mensagem. Nesse tipo de intenção comunicativa o mais importante é como se fala ou escreve, não o quê. Para isso, o escritor-poeta, utiliza dos seguintes recursos para sua composição literária:

  1. Estilo da escrita: nesse tipo de função, o autor vai se preocupar com as escolhas das palavras, com a posição que elas ocupam no texto, não são meras palavras soltas, por mais que, às vezes, as significações ou ressignificações mais profundas dessas colocações lexicais fujam à nossa interpretação.
  2. Conotação: o sentido figurado das palavras será uma constante nesse tipo de produção, pois os autores desse tipo de texto pretendem criar novos significados para as palavras, elas são ferramentas importantíssimas, para que a mensagem seja bem elaborada.
  3. Combina expressões: este autor elabora novas possibilidades de combinações com as expressões, é aquilo que enriquece a produção Literária, que nos diferencia dos demais seres, essa capacidade de abstrair a linguagem e os demais elementos que nos cercam para criar novos significados e sentidos, sejam eles concernentes às palavras ou à mensagem presente nelas.
  4. Sonoridade e ritmo: já que a intenção está centrada no modo como esta mensagem se apresentará, haverá uma preocupação com a colocação das palavras, com o som que determinadas palavras combinadas produzem. Observe essa estrofe do poema simbolista “Violões que choram” de Cruz e Souza:

Vozes veladas, veludosas vozes,

volúpias dos violões, vozes veladas,

vagam nos velhos vórtices velozes

 dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

E. Figuras de linguagem: tendo em vista a constante brincadeira com a palavra, a apropriação das formas mais ricas e interessantes da linguagem, na função da poética, é comum encontrar diversas figuras de linguagem, como: aliteração (repetição intencional de consoantes), assonância, (repetição intencional de vogais),  sinestesia (mistura dos sentidos humanos), dentre outras.

Observe o poema “Rumo ao sumo” do Leminski, nota-se que não são palavras soltas, mas que constroem significações profundas daquilo que cerca os seres.

Disfarça, tem gente olhando.

Uns, olham pro alto,

cometas, luas, galáxias.

Outros, olham de banda,

lunetas, luares, sintaxes.

De frente ou de lado,

sempre tem gente olhando,

olhando ou sendo olhado.

Outros olham para baixo,

procurando algum vestígio

do tempo que a gente acha,

em busca do espaço perdido.

Raros olham para dentro,

já que dentro não tem nada.

Apenas um peso imenso,

a alma, esse conto de fada.

Paulo Leminski

 

      3.FUNÇÃO APELATIVA

Ao se produzir este tipo de comunicação a intenção é alcançar o receptor, ele será o foco principal da interpelação, seja para convencê-lo de algo ou apresentar algo diretamente a ele, uma orientação, um conselho, por meio de um apelo, daí o nome da função.

Desse modo, o locutor/ emissor se apropria de determinados elementos para atingir o seu receptor. A função apelativa também pode ser chamada de CONATIVA. Esse tipo de texto é bem comum em anúncios publicitários, por exemplo.

  1. Modo imperativo: já que este modo verbal tem a intensão de apresentar uma ordem, conselho ou sugestão, nada melhor do que utilizá-lo nas produções apelativas. Constrói-se o texto dizendo o que o receptor deve ou não deve fazer.
  2. Vocativo: já que o receptor é o foco da comunicação, chamar a atenção dele é um recurso interessante para convencê-lo / orientá-lo de algo. Por isso, ao longo da produção conativa utiliza-se o vocativo para buscar a atenção do receptor para o emissor. O vocativo é o termo que serve para chamar, interpelar, invocar alguém. Ele vem separado da frase, por vírgulas, pois não tem relação sintática com ela.
  3. Segunda pessoa do discurso: tendo em vista que a comunicação está voltada para a pessoa com quem se fala ou escreve, ou seja, para a segunda pessoa do discurso, é comum encontrar verbos, pronomes e outras colocações nessa categoria discursiva.

Observe estes elementos nos exemplos a seguir:


 

    4.FUNÇÃO REFERENCIAL

Como o próprio nome diz, essa função está centrada no referente do ato comunicativo, e tem como foco apresentar a informação, o contexto de determinada produção comunicativa. Ela também pode ser chamada de função denotativa, tendo em vista que usará as palavras em seu sentido real, pois a intenção não é realizar trocadilhos, nem brincar com a palavra, ao contrário, a intenção é usar a palavra para apresentar de forma clara aquilo que se pretende comunicar, pretende-se aqui evitar as redundâncias. Encontra-se esse tipo de função da linguagem em textos jornalísticos, científicos, técnicos, dentre outros. Assim como as demais funções da linguagem, possui características específicas, tais como:

  1. Linguagem objetiva: já que este texto está centrado no referente, ou seja, no contexto da comunicação, o texto precisa ser claro e direto, apresentando
  2. O que dizer: Enquanto a função poética está preocupada com em como vai construir a sua mensagem, com a forma da mensagem a função referencial está preocupada com o que ela vai dizer, qual a informação que será passada, pois isso ela precisa ser clara, direta, objetiva.
  3. Verbos na terceira pessoa do discurso: serão mais comuns nesse tipo de produção aqueles verbos na terceira pessoa do discurso, pois o emissor procura distanciar-se da produção.
  4. Impessoalidade: o emissor quer dar o foco mesmo no conteúdo ali descrito, nos dados concretos, nas circunstancias e nos fatos. Por isso, não deve haver espaço para o autor falar de si mesmo, ou se sua visão pessoal/ subjetiva de algo.

Observação: é comum alguns concursos e provas e também o ENEM apresentarem questões comparando a função referencial com a poética. Ou apresentando textos que possuem as características de cada, solicitando análise.

Exemplo: Texto informativo.  

NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO É ADIADO PARA 2016 

Por Wanja Borges

Prorrogação visa a alinhar cronograma brasileiro com o de outros países, como Portugal. A vigência obrigatória do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi adiada pelo governo brasileiro por mais três anos. A implementação integral da nova ortografia estava prevista para 1º de janeiro de 2013, contudo, o Governo Federal adiou para 1º de janeiro de 2016, prazo estabelecido também por Portugal.

Assinado em 1990 por sete nações da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e adotado em 2008 pelos setores público e privado, o Acordo tem como objetivo unificar as regras do português escrito em todos os países que têm a língua portuguesa como idioma oficial. A reforma ortográfica também visa a melhorar o intercâmbio cultural, reduzir o custo econômico de produção e tradução de livros e facilitar a difusão bibliográfica nesses países.

Nesse sentido, a grafia de aproximadamente 0,5% das palavras em português teve alterações propostas, a exemplo de “idéia”, “crêem” e “bilíngüe”, que, com a obrigatoriedade do uso do novo Acordo Ortográfico, passaram a ser escritas sem o acento agudo, circunflexo e trema, respectivamente. Com o adiamento, tanto a ortografia atual quanto a prevista são aceitas, ou seja, a utilização das novas regras continua sendo opcional até que a reforma ortográfica entre em vigor.

    5.FUNÇÃO METALINGUÍSTICA

Quando a expressão comunicativa utiliza o próprio código para falar de si mesmo, temos a manifestação da metalinguagem, nesse sentido, essa função da linguagem coloca em evidencia o código do ato comunicativo. A palavra meta significa própria, ou seja, própria da linguagem.  É quando a linguagem pega o código que agora se torna o assunto da mensagem que também utiliza a própria linguagem para falar dele mesmo.

Não existem elementos específicos para classificar essa função, o que precisa ficar em destaque é o fato do código se tornar também o assunto da comunicação.

Exemplos:

 Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam

Não se sabe de onde e pousam

No livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão.

Eles não têm pouco

Nem porto.

Alimentam-se um instante em cada parte de mãos e partem.

E olhas então, estas suas mãos vazias,

No maravilhado espanto de saberes

Que o alimento deles já estava em ti…

Mário Quintana

(No poema predito acontece a metalinguagem, pois é um poema falando sobre a própria composição poética, ou seja, o código- poema- torna-se também o assunto).

No dicionário, que utiliza palavras para explicar palavras, temos a manifestação da metalinguagem. Cada verbete é produzido para desenvolver uma explicação de si mesmo.

     6.FUNÇÃO FÁTICA

O canal de comunicação é responsável pela transmissão da mensagem e a efetivação dela. É por meio da função fática que os interlocutores (emissor e receptor) irão iniciar, manter, testar e encerrar a comunicação. É por meio dele que o emissor inicia o seu processo comunicativo, e ao longo de sua comunicação verifica se o seu receptor está acompanhando o que enuncia, assim como estes interlocutores encerram a comunicação.

Está constantemente presente no diálogo, pois tem como elemento toda e qualquer expressão que marca a troca entre os interlocutores. Fática quer dizer relativa ao fato, ao que está ocorrendo. A intenção de utilizá-la é estabelecer esta relação com o receptor. Não possui muitas características específicas, mas tem como marca as expressões de cumprimento, como: olá? Tudo bem? Até logo… ok?, dentre outros.

Referências:

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. 2ª ed. Nova fronteira, 2010.

BORGES, Wanja. Novo Acordo Ortográfico é adiado para 2016 ; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/acordo-ortografico/novo-acordo-ortografico-podera-ser-adiado-para-2016.htm>. Acesso em 14 de marco de 2017.

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 36ª ed. São Paulo:Cultrix, 1999.

CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. 6ª ed. Belo Horizonte:Itatiaia, 1981, v.I.

CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. 3ªed. Nova fronteira, 2001.

KURODA, Matheus Seiji Bazaglia; SÁ, Léa Sílvia Braga de Castro. Leitura e Produção de Textos: do EU-comunicante ao TU­-interpretante.. Um novo olhar sobre a creche na perspectiva da psicologia escolar educacional. Mi­mesis, Bauru, v. 34, n. 2, p. 233-246, 2013.

MAINGUENEAU, D. Novas tendências em Análise do Discurso. 3ª ed. Campinas: UNICAMP; São Paulo: Pontes, 1997.

ORLANDI, E. P. Análise de Discurso: princípios e procedimen­tos. Campinas: Fontes, 2001.

 

Até a próxima!

Jessica Marquês.

 

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Língua e linguagem

Ao dar inicio aos estudos da linguagem, tomando por base a gramática é necessário ter algumas definições básicas que farão diferença nos estudos linguísticos, a primeira delas é uma definição para o próprio termo linguagem, pois esta se apresenta como possibilidade de representação da realidade e como material necessário para promover a existência e a comunicação entre os homens, porque desde os primórdios o homem necessita necessariamente da linguagem para manter sua convivência em sociedade.

Tendo em vista estas relações que a linguagem estabelece é pertinente entender a relação entre homem-sociedade compreendendo a diversidade da linguagem, abrangendo o âmbito da palavra, da imagem, do som e até mesmo da degustação, na medida em que a linguagem se movimenta basicamente nestes quatro ambientes. Mesmo que esteja se perguntando- Degustação? É valido pensar, por exemplo, quando se depara com uma propaganda de algum alimento ou bebida que tem uma significação tão forte que nos remete até mesmo ao sabor daquele produto.

Em se tratando da linguagem cabe pensar ainda, em sistemas de comunicação, ou seja, diferentes instâncias sociais que combinam diversas linguagens com um objetivo em comum. Nestes sistemas podem-se adotar quatro exemplos de sistemas de comunicação em que é possível identificar as suas diferenças, tem-se, portanto:

  • Publicitário: Trabalha com diversos tipos de linguagens com a finalidade de construir ou apresentar um produto ideal ou na tentativa de levar o consumidor a comprar determinado produto.
  • Informativo: Tem como principal foco a clareza e a objetividade para isso necessita unir diferentes formas de linguagens para apresentar melhor a informação, é valido observar, no entanto, que a informação não se coloca como uma verdade absoluta, pois há uma luta de interesses nos meandros daquilo que difunde a informação.
  • Artístico: Em muitos casos os seus objetivos ou temas não são explícitos, pois seu principal foco é fazer o individuo refletir através de inquietudes ou de estranhamentos, mas mesmo assim não se constrói realidades, mas como já se especificou, possibilidades. Para alcançar estes efeitos o sistema artístico também utiliza diferentes termos e estruturas linguísticas.
  • Entretenimento: As diversas formas de linguagem são apresentadas em muitos casos de maneira simples, objetiva, clara e direta na medida em que sua principal finalidade é a diversão, a distração.

É necessário deixar claro os seguintes conceitos:

LÍNGUA: é um fenômeno natural, um organismo dinâmico, que evolui com o passar dos tempos. É relevante destacar que a língua não é um sistema homogêneo, fixo e imutável, pois esta é uma forma de linguagem.

LINGUAGEM: é um processo comunicativo pelo qual as pessoas interagem entre si, ou seja, um fenômeno social. Entende-se também como um meio de expressão
do pensamento individual, por isso é uma organização racional e uma manifestação cultural.

  • VERBAL: tem como base o uso da palavra, escrita ou falada para estabelecer a comunicação. Um texto ou uma conversa com os amigos são exemplos dela.
  • NÃO VERBAL: é a comunicação sem o uso das palavras, por isso, utiliza os gestos, os sons, os símbolos e os ícones para conceder a comunicação.
  • MISTA: é aquela que simultaneamente utiliza a linguagem verbal e não verbal. Uma história em quadrinhos ou um cartaz de publicidade são exemplos de linguagem mista.

 

Referências:

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. 2ª ed. Nova fronteira, 2010.

CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. 3ªed. Nova fronteira, 2001.

Até mais!

Jessica Marquês.

 

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O ato comunicativo

Quando nos referimos ao ato comunicativo estamos associando os elementos presentes no ato da comunicação à efetivação dessa comunicação. Antes disso, é fundamental compreendermos o que é comunicação.

De acordo com o dicionário Houaiss, Comunicação é “o que se relaciona ou pode ocasionar a transmissão ou recepção de ideias ou de mensagens, buscando compartilhar informações”.

Desse modo, a comunicação está diretamente relacionada à linguagem e interação entre os sujeitos, em que há uma mensagem a ser transmitida num processo que envolve emissor e receptor.  O termo “comunicação” deriva do latim “communicare” e tem como significado “partilhar, tornar comum, participar de algo, compartilhar”.

É fato que no processo de comunicação existem ruídos, ou seja, quando a mensagem não é decodificada de forma adequada pelo interlocutor e, portanto, ela é concebida de forma equivocada. Quem nunca na vida passou por uma falha de comunicação? Seja por problemas de interpretação, erro de palavras, entonações, pontuações, barulho no local, voz baixa, dentre outros. De modo que, todo e qualquer elemento que pode atrapalhar a mensagem de alcançar o seu interlocutor pode ser entendido nessa condição de ruído.

Nesse ínterim, surge o ato comunicativo, desenvolvido pelo linguista russo Roman Jakobson, pois no ano de 1949 havia uma teoria que buscava aprimorar as transmissões entre os aparelhos de telecomunicação, o linguista, então, interpretou que, assim como os ruídos nestes aparelhos poderiam deixar de existir, aqueles presentes na comunicação humana, também poderiam – não deixar de existir, mas serem melhores compreendidos se houvesse um esquema que demonstrassem quais são os elementos que estão presentes quando uma comunicação é colocada em prática.

Ele então criou um modelo e o intitulou de “Esquema tradicional da comunicação”. Nesse modelo, podemos contemplar seis elementos, tais como: emissor, mensagem, receptor, canal de comunicação, código e referente.

ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO:

  • Emissor (ou locutor) – É a pessoa que emite a mensagem.
  • Receptor (ou interlocutor) – É a pessoa a quem a mensagem é remetida.
  • A mensagem – Constitui a essência do que se propõe a dizer, ou seja, o conteúdo contido na informação.
  • O código – Representa o conjunto de signos linguísticos combinados entre si, de acordo com o conhecimento do falante em relação à língua materna.
  • O canal – Trata-se do meio pelo qual a mensagem é transmitida, seja por livros, meios de comunicação de massa, entre outros.
  • O contexto ou referente – É o objeto, assunto ou lugar a que a mensagem faz referência.

É claro que esse modelo não elimina o ruído, pois qualquer falha em qualquer dos elementos pertencentes a ele pode atrapalhar a efetivação dessa comunicação. Por isso, esse modelo recebe críticas de outros estudiosos, pois verificam que Jakobson o considerou apenas de modo linear, como se fôssemos máquinas.

Mas você já sabe que as coisas não são assim! Tendo em vista que a mensagem não é um envelope fechado, lacrado, nela estão presentes também aspectos sociais, históricos, ideológicos… Que contribuem para a construção de sentidos. Pois, “Não se trata apenas de transmissão de informa­ção, nem há essa linearidade na disposição dos elementos da comunicação, como se a mensagem resultasse de um processo assim serializado: alguém fala, refere alguma coisa, baseando-se em um código, e o receptor capta a mensagem, decodificando-a” (ORLANDI, 2001, p. 20).  Mas isso é assunto para outro artigo!

Referências:

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. 2ª ed. Nova fronteira, 2010.

CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. 3ªed. Nova fronteira, 2001.

KURODA, Matheus Seiji Bazaglia; SÁ, Léa Sílvia Braga de Castro. Leitura e Produção de Textos: do EU-comunicante ao TU­-interpretante.. Um novo olhar sobre a creche na perspectiva da psicologia escolar educacional. Mi­mesis, Bauru, v. 34, n. 2, p. 233-246, 2013.

MAINGUENEAU, D. Novas tendências em Análise do Discurso. 3ª ed. Campinas: UNICAMP; São Paulo: Pontes, 1997.

ORLANDI, E. P. Análise de Discurso: princípios e procedimen­tos. Campinas: Fontes, 2001.

 

Até breve!

Jessica Marquês

 

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O uso dos porquês

Charge de Fabio Cgroi/uol

Você provavelmente já deve ter se perguntado: Afinal, por que existem tantos porquês na Língua portuguesa? Antes de tentar compreender esse motivo, você precisa ter em mente que as regras gramaticais são arbitrárias, e, portanto, foram definidas em um determinado momento, e existem por uma convenção social, e não são grandezas científicas, como a gravidade, por exemplo, que está lá e existe independente da vontade do homem.

 O que acontece é que quando a língua portuguesa dentro desta arbitrariedade foi normatizada, os estudiosos que a organizaram decidiram dar uma grafia diferente para cada intenção de comunicação, do encontro das duas palavras “por” e “que”. Desse modo, em cada tipo de porque, este “por” e “que” podem pertencer a classes de palavras (substantivo, pronome, conjunção, preposição) diferentes.

Assim, nós temos:

 

Agora, quanto à aplicação destes porquês em seus textos, entenda os seguintes contextos:

POR QUÊ: utiliza-se somente em final de frases ou quando sinalizado/aplicado sozinho. Exemplos:

Terminou o namoro de novo por quê?

Você não veio à aula. Por quê?

POR QUE: Pode acontecer de duas situações:

1ª SITUAÇÃO: Exerce a função de pronome interrogativo, como o próprio nome diz, ele será utilizado para realizar perguntas o sentido de “por qual motivo, por qual razão”, isso quando a palavra “por que” não vier no final da frase, caso contrário, aplica-se a regra predita. Exemplo:

Por que (Por qual motivo, por qual razão) o voto é obrigatório?

2ª SITUAÇÃO: Quando o “que” exerce a função de pronome relativo* e o “por que” pode ser substituído pela expressão “pelo qual” e suas variantes (pela qual, pelos quais, pelas quais). Ou quando não está numa interrogação, mas mesmo assim, substitui os termos “qual motivo, qual razão”. Neste segundo caso, o “que” ainda é um pronome relativo.

*Representam pessoas já pronunciadas no discurso, para que não haja repetição de um mesmo termo, utiliza-se o pronome relativo. Vem, portanto, a substituir substantivo ou adjetivo antes usado na frase.

 

PORQUÊ:  Utilizado como substantivo, ou seja, funciona com algo que nomeia seres, para identificá-lo basta inserir na frente da palavra “porquê” os seguintes termos: o, um, algum, qualquer, nenhum, muitos. Se fizer sentido, está confirmado que é um substantivo e que, portanto deve ser usado junto e sem acento. * Por exemplo:

Maria não entendeu o porquê de tanta reclamação.

*Em língua portuguesa é possível substantivar outras classes de palavras, quando se modifica a classe de palavras por meio de artigos antes da palavra. Por exemplo:

Vou jantar com meus amigos hoje, tudo bem? (verbo)

O jantar ainda não foi servido. (substantivo)

PORQUE: Terá essa grafia quando estiver funcionando como conjunção, ou seja, estiver conectando orações entre si e exercendo a função de causa/finalidade, ou quando for a conjunção coordenada explicativa.

Eles ficaram porque estava muito tarde. (já que, uma vez que – causa)

Corramos, porque não cheguemos atrasados. (para que = finalidade)

Faltei porque estava doente. (pois – explicação)

ATENÇÃO!!!!

Muito cuidado para não confundir POR QUE (preposição+ pronome relativo) com PORQUE (conjunção). Para evitar este tipo de confusão, faça a seguinte substituição dos termos, observe os exemplos:

Não sei por que João não veio. (por qual motivo)

João não veio porque está doente (já que, pois)

Faça sempre estas substituições que não restará dúvidas sobre a sua aplicação. Lembrando, os concursos adoram utilizar esses dois tipos (por que / porque) em suas questões. Fique atento!!!

Referências:

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. 2ª ed. Nova fronteira, 2010.

CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. 3ªed. Nova fronteira, 2001.

Até a próxima!

Jessica Marquês.

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Os 100 erros mais comuns da Língua Portuguesa

 portugues

 1 – “Mal cheiro”, “mau-humorado”. Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.

2 – Fazem cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

3 – “Houveram” muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.

4 – “Existe” muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam ideias.

5 – Para “mim” fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

6 – Entre “eu” e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

7 – “Há” dez anos “atrás”. Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

8 – “Entrar dentro”. O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.

9 – “Venda à prazo”. Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.

10 – “Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.

11 – Vamos assistir “o” jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.

12 – Preferia ir “do que” ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.

13 – O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.

14 – Não há regra sem “excessão”. O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: “paralizar” (paralisar), “beneficiente” (beneficente), “xuxu” (chuchu), “previlégio” (privilégio), “vultuoso” (vultoso), “cincoenta” (cinqüenta), “zuar” (zoar), “frustado” (frustrado), “calcáreo” (calcário), “advinhar” (adivinhar), “benvindo” (bem-vindo), “ascenção” (ascensão), “pixar” (pichar), “impecilho” (empecilho), “envólucro” (invólucro).

15 – Quebrou “o” óculos. Concordância no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.

16 – Comprei “ele” para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

17 – Nunca “lhe” vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.

18 – “Aluga-se” casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.

19 – “Tratam-se” de. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos.

20 – Chegou “em” São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.

21 – Atraso implicará “em” punição. Implicar é direto no sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.

 22 – Vive “às custas” do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não “em vias de”: Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.

23 – Todos somos “cidadões”. O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.

24 – O ingresso é “gratuíto”. A pronúncia correta é gratúito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo.

25 – A última “seção” de cinema. Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.

26 – Vendeu “uma” grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc.

27 – “Porisso”. Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.

28 – Não viu “qualquer” risco. É nenhum, e não “qualquer”, que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.

29 – A feira “inicia” amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.

30 – Soube que os homens “feriram-se”. O que atrai o pronome: Soube que os homens se feriram. / A festa que se realizou… O mesmo ocorre com as negativas, as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no assunto… / Como as pessoas lhe haviam dito… / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro.

31 – O peixe tem muito “espinho”. Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O “fuzil” (fusível) queimou. / Casa “germinada” (geminada), “ciclo” (círculo) vicioso, “cabeçário” (cabeçalho).

32 – Não sabiam “aonde” ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?

33 – “Obrigado”, disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: “Obrigada”, disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.

34 – O governo “interviu”. Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.

35 – Ela era “meia” louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.

36 – “Fica” você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.

37 – A questão não tem nada “haver” com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.

38 – A corrida custa 5 “real”. A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.

39 – Vou “emprestar” dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.

40 – Foi “taxado” de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.

41 – Ele foi um dos que “chegou” antes. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.

42 – “Cerca de 18” pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.

43 – Ministro nega que “é” negligente. Negar que introduz subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.

44 – Tinha “chego” atrasado. “Chego” não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.

45 – Tons “pastéis” predominam. Nome de cor, quando expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.

46 – Lute pelo “meio-ambiente”. Meio ambiente não tem hífen, nem hora extra, ponto de vista, mala direta, pronta entrega, etc. O sinal aparece, porém, em mão-de-obra, matéria-prima, infra-estrutura, primeira-dama, vale-refeição, meio-de-campo, etc.

47 – Queria namorar “com” o colega. O com não existe: Queria namorar o colega.

48 – O processo deu entrada “junto ao” STF. Processo dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não “junto ao“) Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não “junto aos“) leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não “junto ao“) banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não “junto ao“) Procon.

49 – As pessoas “esperavam-o”. Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

50 – Vocês “fariam-lhe” um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca “imporá-se”). / Os amigos nos darão (e não “darão-nos”) um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo “formado-me”).

51 – Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco minutos. indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.

52 – Blusa “em” seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.

53 – A artista “deu à luz a” gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu “a luz a” gêmeos.

54 – Estávamos “em” quatro à mesa. O em não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.

55 – Sentou “na” mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.

56 – Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu. Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.

57 – O time empatou “em” 2 a 2. A preposição é por: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por.

58 – À medida “em” que a epidemia se espalhava… O certo é: À medida que a epidemia se espalhava… Existe ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem.

59 – Não queria que “receiassem” a sua companhia. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam).

60 – Eles “tem” razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.

61 – A moça estava ali “há” muito tempo. Haver concorda com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)

62 – Não “se o” diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.

63 – Acordos “políticos-partidários”. Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social-democratas.

64 – Fique “tranquilo”. O u pronunciável depois de q e g e antes de e e i exige trema: Tranqüilo, conseqüência, lingüiça, agüentar, Birigüi.

65 – Andou por “todo” país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.

66 – “Todos” amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto.

67 – Favoreceu “ao” time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favoreceu os jogadores.

68 – Ela “mesmo” arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.

69 – Chamei-o e “o mesmo” não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não “dos mesmos”).

70 – Vou sair “essa” noite. É este que desiga o tempo no qual se está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 21).

71 – A temperatura chegou a 0 “graus”. Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.

72 – A promoção veio “de encontro aos” seus desejos. Ao encontro de é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.

73 – Comeu frango “ao invés de” peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.

74 – Se eu “ver” você por aí… O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.

75 – Ele “intermedia” a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.

76 – Ninguém se “adequa”. Não existem as formas “adequa”, “adeqüe”, etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.

77 – Evite que a bomba “expluda”. Explodir só tem as pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale “exploda” ou “expluda”, substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas “precavejo”, “precavês”, “precavém”, “precavenho”, “precavenha”, “precaveja”, etc.

78 – Governo “reavê” confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem “reavejo”, “reavê”, etc.

79 – Disse o que “quiz”. Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.

80 – O homem “possue” muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.

81 – A tese “onde”… Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa idéia. / O livro em que… / A faixa em que ele canta… / Na entrevista em que…

82 – Já “foi comunicado” da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém “é comunicado” de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria “comunicou” os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.

83 – Venha “por” a roupa. Pôr, verbo, tem acento diferencial: Venha pôr a roupa. O mesmo ocorre com pôde (passado): Não pôde vir. Veja outros: fôrma, pêlo e pêlos (cabelo, cabelos), pára (verbo parar), péla (bola ou verbo pelar), pélo (verbo pelar), pólo e pólos. Perderam o sinal, no entanto: Ele, toda, ovo, selo, almoço, etc.

84 – “Inflingiu” o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não “inflingir”) significa impor: Infligiu séria punição ao réu.

85 – A modelo “pousou” o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).

86 – Espero que “viagem” hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite também “comprimentar” alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).

87 – O pai “sequer” foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.

88 – Comprou uma TV “a cores”. Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV “a” preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.

89 – “Causou-me” estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não “foi iniciado” esta noite as obras).

90 – A realidade das pessoas “podem” mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso : A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não “foram punidas”).

91 – O fato passou “desapercebido”. Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

92 – “Haja visto” seu empenho… A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

93 – A moça “que ele gosta”. Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.

94 – É hora “dele” chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado… / Depois de esses fatos terem ocorrido…

95 – Vou “consigo”. Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não “para si”).

96 – Já “é” 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não “são”) 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.

97 – A festa começa às 8 “hrs.”. As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não “kms.”), 5 m, 10 kg.

98 – “Dado” os índices das pesquisas… A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas… / Dado o resultado… / Dadas as suas idéias…

99 – Ficou “sobre” a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.

100 – “Ao meu ver”. Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.

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