Canais no YouTube estão fora do ar?

Nesta tarde de 02 de abril de 2018 os canais no YouTube não estão tendo o acesso permitido, seja no celular ou no desktop. Entretanto, quando se trata de acessar determinado vídeo isolado, é possível visualizá-lo normalmente. O YouTube, até o momento, não disponibilizou informações oficiais a respeito apresentando aos usuários a explicação do porquê desse erro.  Quando se acessa qualquer canal, aparece apenas a página de error interno 500. Será que os canais do YouTube foram vítimas de alguma ação? Por enquanto há apenas especulações… Aguardamos notificação oficial do Youtube.

 

Continue Reading

Curiosidades sobre Super Mario

1º O Criador desse nosso querido personagem Shigeru Miyamoto, inserio-o como mero coadjuvante em outro jogo intitulado Donkey Kong, um arcade lançado em 1981;

2º O personagem nem  era chamado originalmente de Mario, o primeiro nome que ele recebeu  foi Jumpman, bem conveniente, já que este homem pula a todo momento. Mas quando ele recebeu este nome, Mario? Acredita-se que quando ele foi levado para os Estados Unidos, o nome da personagem foi dada em homenagem ao dono do depósito que era alugado pela Nintendo em Redmond;

3º É visivelmente perceptível que o personagem Mario, passou por um longo processo de criação, apareceu primeiramente em outro jogo, com outro nome, e até mesmo com outra profissão. Isso mesmo, o Mário nem sempre foi encanador, ele foi apresentado inicialmente como carpinteiro. É claro que ao longo do tempo ele desenvolveu outras habilidades profissionais;

4º Ele tem essa bigodão por conta da limitação gráfica das máquinas e consoles da época em que ele foi criado, o bigode e o boné foram uma estratégia de Miyamoto para simplificar a imagem de sua personagem.

5º você provavelmente já notou, mas é válido ressaltar, o Mário não é um homem de cabeça literalmente dura, pois quando ele pula para quebrar os tijolinhos e os bônus ele levanta a mão e fecha o punho. Não tinha notado? Não acredito!!

6º Apesar do grande sucesso desse personagem e mesmo arrastando multidões de fãs por décadas, o seu filme produzido em 1993 foi um fracasso, tanto de renda, público e inclusive da crítica;

7º No Super Mario RPG é possível ver discretamente uma participação do herói Link, do jogo Zelda, em um dormitório do querido Super Mario. Aproveitando que ambas franquias pertencem à Nintendo.

8º Ao final do terceiro mundo de Super Mario Bros. 3 é possível conhecer o chefão da família real. Quem será? Confira pela imagem.

9º O luigi, também chamado por alguns de Mario Verde, veio como o irmão mais velho para ocupar o player 2 do console da Nintendo, acontece que o seu nome não nasceu ao acaso, ele foi batizado por esse nome comum  na Itália que tem como significado parecido, semelhante.

10º Outros parentes foram adcionados à família, como o primo malvado, Wario cujo nome vai além da inversao do M, pois ele tem como base a  palavras japosena “warui”, que pode ser traduzido como “malvado” ou mesmo “imoral”.  Assim como o outro primo, Waluigi, cuja pronuncia japonesa é “Waruiji” — “warui Luigi”, ou Luigi mal.

Abraços,

Jessica Marques.

Continue Reading

Super Mario Run!!!

Finalmente saiu o novo jogo do Mário desenvolvido pela Nintendo para smartphones nas plataformas android ou IOS. Ele foi lançado primeiro para IOS os quais já puderam jogar desde o dia 15 de dezembro de 2016. Nós relis mortais do android só tivemos o prazer de conhecer esse jogo no dia 23 de março desse ano.

No site oficial do Super Mario run podemos vislumbrar alguns vídeos sobre o game e inclusive um lindo vídeo intitulado “Do You Know Mario?” Fico a pensar quem será que não conhece o mário? Esse texto agora se tornou quase que uma utilidade pública, afinal, todos precisam conhecer o Mário!!!! (eu sei que essa não é a realidade de TODO o mundo, ok? Confesso que me exaltei um pouco)

Enfim, voltando à realidade, para aqueles que conhecem esse jogo que já possui três décadas, esse vídeo é um vislumbre para rememorarmos as edições anteriores do jogo, de uma forma rápida e divertida.

Passemos então aos apontamentos acerca do novo game, a proposta da Nintendo é que você possa jogá-lo com uma mão, por isso, o Mário corre sem parar, na verdade quando digo sem parar é uma expressão, pois existem alguns bloquinhos de pausa em que ele pode parar enquanto você planeja qual estratégia adotar, qual caminho a seguir.

Ele continua tão lindo como nas versões para DS ou do console da Nintendo, e ainda traz alguns recursos de outros games atuais, como a possibilidade de realizar uma batalha com outro player. Nessa modalidade do jogo, você faz uma batalha em que você e outro gamer vão correr “sem parar”, mas o objetivo do jogo não é chegar primeiro ao final da linha, e sim quem consegue pegar mais moedas e ainda consegue ganhar mais liks dos diversos, fofos e lindos toads de várias cores (vermelho, verde, azul, roxo e amarelo).

Essa modalidade do jogo é muito divertida, ao final de cada batalha, você pode ganhar ou perder mais toads para o seu mundo. A quantidade de Toads é fundamental para liberar outras fases ou comprar o ovo que vai gerar o querido Ioshi. Não só a quantidade, mas também as cores podem influenciar para a liberação de determinados elementos. Como produtos na loja do jogo em que você pode adquirir para deixar o reino do Mário no seu estilo, podendo incluir construções ou acessórios decorativos, o meu mundo já está assim, observe aquele pequeno castelo ao fundo, ele era um casebre, mas conforme você vai ganhando corridas, e conquistando mais Toads, vai evoluindo de nível e deixando esse castelo mais suntuoso.

O que não achei interessante nessa batalha é que ela não é feita em tempo real com os gamers, como o jogo Clash Royale, por exemplo, em que você para batalhar precisa esperar outro game de qualquer parte do mundo estar online ao mesmo tempo que você ou quando vai jogar com algum parceiro. Pelo que observamos até o momento, acreditamos que quando alguém seleciona batalhar conosco, é apresentado o nosso melhor desempenho no referido mundo daquela corrida. Como fica os Toads que eventualmente perdemos nessas batalhas em que apenas somos desafiados, eu ainda não sei. Acredito que só perdemos os Toads quando desafiamos a corrida e ainda perdemos. Eu prefiro o estilo que acontece no Clash Royale.

Não posso negar que estou amando o Super Mario Run, apesar de não gostar dele correr sem parar, pois infelizmente sou de uma geração em que vídeo game era pare meninos e só pude desfrutar dessa maravilha depois de uma certa idade, com mais liberdade para as próprias escolhas. Então, infelizmente não tenho muito bem desenvolvidas as habilidade de pegar todas as moedas ou recursos especiais, na primeira passada. Consegui zerar o meu New Super Mário do DS, voltando em alguns momentos para buscar aquilo que almejava. Entendo que o jogo é Super Mário Run, mas poderia ter alguma opção para eu escolher não correr sem parar nos mundos que devo conquistar. Acredito que este será o meu maior desafio no que se refere ao jogo, adaptar-me a este modo de jogabilidade.

Outro elemento que não gostei é quanto ao valor do jogo, pois ele é gratuito apenas para as três primeiras fases e o primeiro castelo do chefão. Para você jogar os demais mundos é necessário desembolsar a bagatela de R$35,00!!!!! Já imaginou se todo jogo tivéssemos que obrigatoriamente desenbolsar um valor? Inicialmente, pensei que fosse necessário pagar somente aqueles que desejassem chegar mais rápido a estes mundos e que com determinadas conquistas apresentadas pelo jogo, seria possível evoluir ao ponto de liberar aos poucos, conquista a conquista  os mundos subsequentes, mas não, meus amigos, é isso aí, se quiser jogar vai ter que pagar. Eles fazem isso porque sabem que vamos comprar, afinal, agora posso ter o meu jogo predileto sempre à mão, no meu smatphone.

Eu sei que a questão de espaço é um mega desafio para jogos, principalmente para jogos como este com tantos recursos interativos, mas ele ocupa um espaço considerável no celular, e depende, até mesmo quando não está em batalha com alguém, de conexão à internet. Esse fator limita um pouco à prática do jogo, pois acredito que seria interessante ele pelo menos jogar no modo treino enquanto estivermos offline.

Não conhece ainda o Super Mario Run? Apague algumas coisinhas do seu smathphone e o corra para baixá-lo!

Abraços,

Jessica Marques.

Continue Reading

Você (Brasil e Portugal)

Já parou para pensar que o comumente “você” utilizado no Brasil pode ter uma aplicação um pouco diferente em Portugal? Sabemos que o pronome de tratamento “você” é utilizado para se referir a segunda pessoa (com quem se fala), mas ele recebe a conjugação verbal na terceira pessoa. Isso acontece, pois existe uma segunda pessoa indireta.

A segunda pessoa indireta será considerada quando pronomes que indicam o nosso interlocutor, ou seja, a pessoa com quem falamos, a segunda pessoa do discurso, entretanto, ao invés de apresentar verbos conjugados na segunda pessoa do discurso, realiza a construção textual por meio da terceira pessoa do discurso. Temos essa situação com os pronomes de tratamento.

Em algumas regiões do Brasil, o pronome de tratamento “você” ganhou estatuto de pronome pessoal, e nessas áreas houve quase uma extinção do uso do “tu” e do “vós”. Na maior parte do Brasil, o “você” é a forma mais comum de se dirigir a qualquer pessoa, é claro que para as pessoas mais velhas ou em situações formais, superiores hierárquicos ou autoridades, nós utilizamos os pronomes de tratamento, “senhor” ou “senhora” e as suas variações de número.

É nesse quesito que encontramos a diferença do pronome “você” entre Portugal  e Brasil, porque esse pronome em Portugal é uma forma de tratamento semi-formal, então nas situações de informalidade que no Brasil chamamos a pessoa de “você”, em Portugal seria como se num contexto informal você estivesse tratando a pessoa tal qual nós aplicamos o senhor/senhora no Brasil.

Dependendo do contexto, isso não pega muito bem, apesar de que os Portugueses já sabem como nós utilizamos o “você” e entendem que é a nossa maneira informal de se dirigir a alguém. E esse “você”, de maneira informal, não é exclusivo da língua portuguesa falada no Brasil, outros países lusófonos também o utilizam de maneira informal. E como existem muitos imigrantes desses países vivendo em Portugal esses conterrâneos já conhecem essa nossa prática com o termo “você”.

Uso dos pronomes pessoais e formas de tratamento
1.ª pessoa singular Eu falo
2.ª pessoa singular Tu falas Brasil (algumas regiões): pouco usado

Portugal: informal

3.ª pessoa singular Ele/Ela

Você

O senhor/A senhora

A gente

fala Você no Brasil: informal

Você em Portugal e algumas regiões brasileiras: semi-formal

O senhor/A senhora: sempre formal

A gente: sempre informal

1.ª pessoa plural Nós falamos
2.ª pessoa plural Vós falais Brasil: não se usa

Portugal: usa-se (pouco) nos dialectos setentrionais e galegos

3.ª pessoa plural Eles/Elas

Vocês

Os senhores/As senhoras

falam Vocês: sempre informal

Os senhores/As senhoras: sempre formal

Se, por exemplo, você precisar escrever algum texto publicitário é fundamental conhecer essas diferenças, e aplicá-las no contexto correto, seja ela formal ou informal. Além disso, é primordial produzirmos um texto ou enunciarmos utilizando a Uniformidade de Tratamento, ou seja, quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”, não poderemos usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa.

Por exemplo:
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (errado)
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. (correto)
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (correto)

Algumas observações sobre o modo como se dirigir a segunda pessoa do discurso, num contexto informal no Brasil:

  • Apesar do pouco uso do pronome tuno português falado na maior parte do Brasil, o seu correspondente pronome oblíquo te ainda é amplamente utilizado no português brasileiro, frequentemente em combinação com formas pronominais e verbais de terceira pessoa. Apesar de comum mesmo entre falantes escolarizados, o uso de te com você é condenado pelas gramáticas normativas usadas nas escolas brasileiras e é evitado na linguagem formal escrita.
  • O pronome possessivoteu também é ocasionalmente usado no português brasileiro para referir-se à segunda pessoa, embora seja menos comum do que o oblíquo te.
  • A combinaçãovocê/te/teu no português brasileiro falado assemelha-se em natureza à combinação vocês/vos/vosso encontrada requentemente no português europeu coloquial.
  • Otu é amplamente utilizado nas regiões norte  e sul, mas conjugado requentemente na 3ª pessoa do singular: Tu fala, tu foi, tu é. Em algumas regiões do Norte e do Nordeste, o uso do tu na forma culta (conjugado na 2ª pessoa do singular) é até bem mais usado que o você.
  • Em alguns lugares da região Sul e em praticamente todo o Nordeste, o tratamento portu é mais comum, usando-se os pronomes pessoais oblíquos de forma mais consistente (p.ex. para ti, com o mesmo significado que teria para você).
  • Em parte da região sul e do Nordeste, muitas vezes conjuga-se o pronome pessoal tu com a mesma forma utilizada na 3ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do subjuntivo para referir-se ao pretérito perfeito do indicativo. Ex: Tu fizesse isso? Tu comesse no bar ontem?

 A gente se vê,

Jessica Marquês.

Continue Reading

Afinal, o que é Cultura Pop?

Falamos tanto em cultura pop, mas você sabe o que vem a ser a cultura pop? Ela vai além da manifestação cultural de HQs, séries, filmes? É relevante destacar que existem vários autores e concepções para a cultura POP, uma das concepções que é aceita para o que é a cultura POP, é a de que ela é uma alternativa para a cultura oficial. Ela surge como resposta à massificação da arte provocada pela indústria cultural* e de forma diferente, a Cultura Pop deve trazer contestação e sair do lugar comum.

Rogério de Campos num editorial da revista General Visão afirma que os “Criadores que vivem além das fronteiras das imaculadas galerias ou apenas inconvenientes, fora do lugar correto, fora do tempo, contraditórias, infinitas imagens elétricas para ofuscar as imagens oficiais. Não significa ficar deslumbrado pela Indústria Cultural, mas, ao contrário, enfrentá-la com ações e visões críticas”. Esse texto está presente no editorial de lançamento da referida revista.

Desse modo, entende-se que a cultura pop nasce da Indústria Cultural, mas não se limita ao fato da indústria cultural ser acrítica e homogênia.  Ao contrário, a Cultura Pop é subversiva. Pois a sua intenção é a de incomodar o receptor, ao invés de acomodá-lo. Essa produção crítica e provocadora não se encaixa em absoluto no conceito de Indústria Cultural. Assim, alguns produtos da Indústria Cultural acabam se tornando Cultura Pop. Considere algumas características da Cultura Pop:

  1. Ela deve ser inovadora com relação aos seus congêneres, tanto em termos de forma quanto de conteúdo;
  2. Apresentar uma leitura crítica de mundo;
  3. Ser provocadora;
  4. Fazer parte do consciente coletivo, deve estar na boca do povo, deve ser conhecida e difundida, não isolada em sua torre de Marfim.

Essas características fazem com que, embora a Cultura Pop passe pelos mesmos mecanismos de reprodução em massa, ela é diferente daquilo que chamamos de Indústria Cultural.

É válido ressaltar que ela representa o segundo estágio da Cultura de Massa tendo em vista que são produtos que possuem uma produção em massa, estão presentes nos Canais de comunicação, a internet é um grande difusor dessa cultura, entretanto exercem uma função diferente, pois é aquilo que é lido com maior profundidade.

Podemos dizer também que a Pop Art foi uma forte influenciadora da Cultura Pop. Ela surgiu na Inglaterra e nos Estados Unidos e foi um estilo característico nos anos 60. O termo Pop Art (abreviação das palavras em inglês Popular Art) foi utilizado pela primeira vez em 1954, pelo crítico inglês Lawrence Alloway, para denominar a arte popular que estava sendo criada em publicidade, no desenho industrial, nos cartazes e nas revistas ilustradas. Aquela imagem multicolorida de “Marilyn Monroe” é um dos grandes destaques da Pop Art, o criador dessas versões dessa diva do cinema foi Andy Warhol, produzindo-a em 1967.

* Indústria cultural: proposta na década de 40 por dois filósofos russos; Theodor Adorno e Max Horkheimer da chamada Escola de Frankfurt, segundo eles a arte deixou de ser algo autêntico e exclusivo e passou a ser um produto. Os meios de comunicação em massa seriam os grandes responsáveis por isso.

Até mais,

Jessica Marquês.

Continue Reading

A Bela e a Fera: crítica do filme

Sentimentos são… fáceis de mudar…

Estes versos da canção que embalou nossos corações no início da década de 90 com a animação da Disney sobre o conto A Bela e a Fera não foram suficientes para acalentar os nossos saudosos e nostálgicos corações ao assistir ao live action que lançou essa semana.

Diferente de outras live actions da Disney que optaram por apresentar outro olhar acerca daquela história, este filme preferiu se dedicar a fidelidade da animação de 1991, é claro apresentando algumas adaptações, mas sem fugir da essência do filme original, é compreensível isso tendo em vista que a produção de 1991 foi responsável por reerguer os estúdios da Disney e tem um peso tão importante assim como a primeira produção de sucesso “A branca de neve e os sete anões”.

É interessante poder assistir nas telas do cinema aquela narrativa presente em nossa infância e ainda na opção de live action, poder encontrar alguns elementos tanto do conto original quanto do clássico e vislumbrar cada elemento da narrativa, mas infelizmente meu sentimento ao produzir esse texto é sem muita profundidade, paixão, emoção. Deixe-me explicar melhor!

Durante os meses em que fomos preparados/ instigados/provocados para assistir a esta produção, em vários momentos senti uma súbita emoção ao assistir, por exemplo a interpretação da atriz Angela Lansbury cantando a célebre canção do filme “The beauty and the beast” em um especial sobre o filme foi simplesmente lindo, nem imaginava que me emocionaria tanto ao assistir aquela canção; chorei, arrepiei-me e revi inúmeras vezes…

Nos vídeos de divulgação do Live action, quando mostrava os lustres do castelo, a canção introdutória, a Bela olhando a rosa, tudo isso mexeu com as emoções e, consequentemente com as expectativas para o filme. É preciso deixar claro que não achei o filme ruim, pelo contrário, gostei da produção, das canções, da fotografia, da atuação das principais personagens…  O que faltou, entretanto, foi a emoção! (Logo a  Disney que  tem a arte de trabalhar tão bem com o efeito emoção em muitas de suas produções!)

Sinto um nada, digo nada porque não é tristeza, nem alegria, ao declarar isso, mas sinto um nada, um vazio, uma ausência de profundas emoções esperadas com esta produção. A preocupação do diretor Bill Condon em apresentar a narrativa de 1991 e ainda acrescentar alguns elementos (como as história da mãe da Bela e também a explicação do por que aquele príncipe seria tão arrogante) tornou as coisas um pouco automatizadas demais, sem nos surpreender. Faltou o elemento importante de uma narrativa, a surpresa!

Nesse mundo em que as coisas acontecem tão rápido, o filme apresentar, assim como o conto clássico da Madame Beaumont, uma evolução, o crescimento do relacionamento entre a Bela e a Fera teria sido mais gostoso de assistir. Na vida real, as coisas acontecem
em seu tempo, naturalmente, é claro que existem momentos que são avassaladores, mas fazem parte de um processo. Infelizmente, esse processo foi pulado, (ou talvez mal construído) ao se apresentar o sentimento de Bela crescendo pela Fera. Acredito que existem vários recursos cinematográficos tão comumente utilizado pelas produções Hollywoodianas; como mostrar vários momentos flashes da interação entre eles, e incluir outros com mais emoção, teria sido, talvez banal, mas efetivo.

A personagem Bela continua encantadora, dona de si, responsável por suas escolhas e ações, agente de seu futuro e do cuidado com o seu pai, por exemplo. Apesar de ser Bela até no nome ela se identifica com a Fera, por ser diferente. Ela é uma jovem que não consegue se acomodar naquela pequena vila e naquela rotina de vida, ela quer viver outras experiências e explorar o mundo… Amaria um final em que a Bela e a Fera saísse para explorar o mundo, mais ou menos como o final do filme dirigido por Phyllida Lloyd; o musical Mama Mia. Ficaria fieil à produção de 1991 e ainda acrescentaria um “je ne sais quoi” que faltou na produção.

Alguns momentos da edição não são muito inteligentes, há cenas que não são muito bem conectadas, existe um filme que eu simplesmente amo, em português ele tem o nome de Simplesmente amor. Nesse filme, a edição é simplesmente perfeita, porque cada cena conecta-se de uma maneira muito bem construída, aproveitando até as canções para isso. (Eu sei que usei muito a palavra, simplesmente- mas foi simplesmente proposital, simples assim…) Digo isso, porque poderiam ter conectado melhor as cenas, por se tratar de um musical, poderia, por exemplo, conectar as cenas por meio das canções, simples assim! Se não assistiu ainda ao filme Love Actually, dirigido por Richard Curtis. Assista! Você perceberá facilmente o que estou falando.

Para mim, a construção que mais deixou a desejar, foi a personagem da madame Samovar, que foi transformada em bule de chá, interpretada pela Emma Thompson, porque na produção de 1991 ela exerce um papel fundamental nessa conexão entre a Bela com a Fera e também entre expectadores e produção. Faltou trabalhar melhor essa conexão, e consequentemente, mexer com as nossas emoções.

Será que vale a pena assistir esse live action da Bela e a Fera? Com certeza… Mas esteja ciente de que nem a magia da Disney está conseguindo quebrar esses corações duros dessa nova geração. E agora, José?

Continue Reading

O mito que inspirou a história “A Bela e a Fera”

Fernando Pessoa em sua incrível capacidade poética apresenta em seu poema “Eros e Psique” uma versão lírica e concisa do Mito Grego de mesmo nome, e que também tem relação com o conto original da Bela e a Fera. Esse mito foi eternizado por meio da escrita pela primeira vez no livro intitulado “Metamorfoses” também conhecido como “O asno de Ouro” do escritor Lucio Apuleio no ano de 150 D.C. Entretanto, esse conto já estava na oralidade e pertence a era clássica grega que compreende os séculos V,IV e III a.C.

Eis o poema de Fernando Pessoa, depois de conhecer o Mito de Eros e Psiquê, poderá analisar com mais cuidado cada linha poética que compõe as suas estrofes.

Eros e Psiquê

Conta a lenda que dormia

Uma Princesa encantada

A quem só despertaria

Um Infante, que viria

Do além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,

Vencer o mal e o bem,

Antes que, já libertado,

Deixasse o caminho errado

Por o que à Princesa vem.

A Princesa adormecida,

Se espera, dormindo espera.

Sonha em morte a sua vida,

E orna-lhe a fronte esquecida,

Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,

Sem saber que intuito tem,

Rompe o caminho fadado.

Ele dela é ignorado.

Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino –

Ela dormindo encantada,

Ele buscando-a sem tino

Pelo processo divino

Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro

Tudo pela estrada fora,

E falso, ele vem seguro,

E, vencendo estrada e muro,

Chega onde em sono ela mora.

E,inda tonto do que houvera,

À cabeça, em maresia,

Ergue a mão , e encontra hera,

E vê que ele mesmo era

A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa.

 

O MITO EROS E PSIQUÊ

 

Conta a lenda que uma jovem chamada Psiquê filha caçula de um rei e uma rainha, era muito bela e idolatrada por aqueles que a conheciam. Ela tinha duas irmãs que alimentavam uma inveja por ela, pelo sucesso que fazia com todos que a cercava.

Mas a inveja não era exclusiva das irmãs, pois Afrodite – a Deusa do amor, da beleza e da sexualidade – também não estava satisfeita com toda a veneração que aquela mera mortal recebia. Alguns diziam que Psiquê poderia ser mais bela que a própria Deusa.

As irmãs mais velhas dessa princesa casaram-se e os seus pais, preocupados por sua filha mais jovem ainda não ter se casado decide procurar um oráculo para então conhecer o destino da filha. Acontece que a Deusa Afrodite, havia incumbido aquele oráculo a mentir e dizer que o destino da jovem pertencia a uma fera que deveria desposá-la.

Apesar de extremamente tristes, o pais da jovem Psiquê decidem cumprir a sua profecia, então realizam uma procissão cujos aspectos assemelhavam-se tanto a cerimônia de casamento quanto a de um velório. Eles então acorrentam Psiquê a uma rocha no alto de uma montanha.

Para cumprir o seu plano, Afrodite pede que o seu filho, Eros (o deus do amor, o cupido) atirasse uma flecha em Psiquê para que assim ela se apaixonasse pela fera que estava por se casar. Entretanto, Eros se encanta com a estonteante beleza de Psiquê acaba se distraindo e acidentalmente fere-se com a própria flecha do amor, apaixonando-se instantânea e profundamente por Psiquê.

Desse modo, ele pede que a Zéfiro, o vento oeste, que levasse a jovem para o Vale do Paraíso.  Eles passam a ser, então, marido e mulher e Psiquê fica completamente encantada com os prazeres de se viver no Olimpo. Contudo, de acordo com uma solicitação de Eros, ela não poderia vê-lo.

Ela começa a se encontrar com suas irmãs cuja inveja é intensificada ao descobrirem que a irmã havia se casado com um deus e vivia, literalmente, no paraíso. Psiquê pede autorização para que as irmãs visitem aquele lugar encantador. Neste período, Psiquê já havia descoberto que estava grávida. Após inúmeros questionamentos, a jovem revela às irmãs que não tinha autorização para conhecer a imagem de seu esposo, pois não poderia vê-lo. As irmãs, então, convence a irmã caçula de que ele tinha a forma de uma serpente e que pretendia devorar tanto a ela quanto ao filho que era gerado em seu ventre.

Persuadida, a jovem decide durante a noite pegar uma lâmpada para ver o seu esposo e com uma adaga matá-lo. Eros não pretendia que a jovem olhasse para ele, porque não queria que ela tivesse encanto e amor por sua imagem, e sim por quem ele era. Assim que ela o vê fica extasiada, distrai-se e encosta-se a uma das flechas de Eros e assim, apaixona-se perdidamente por ele, mas acaba deixando o óleo quente de sua lâmpada cair em Eros que subitamente acorda e descobre que Psiquê acabou por descumprir a sua solicitação.

Eros, apesar de ser o deus do amor, não tem compaixão de Psiquê e a abandona, além disso, também afirma que aquele filho que ela estava por gerar seria um mero humano, e não um deus como o pai. Embora ela tenha sido desamparada por quem amava, ela decide andar pelo Olimpo pedindo que alguns deuses a ajudasse a reconquistar o coração de Eros, no entanto, todos rejeitam ajudá-la, pois temiam que Afrodite irasse-se por darem suporte a quem machucara o seu filho.

Destemida, Psiquê decide procurar diretamente a deusa do amor. Ela então propõe quatro desafios para que a jovem estivesse livre do desígnio de Eros. Psiqué inicia uma dura jornada pela terra. É importante destacar que, se não tivesse sucesso nas tarefas propostas além de não retornar para Eros também perderia a vida.

Eis as tarefas propostas à jovem:

  1. Psiquê deveria separar e selecionar cada tipo de semente de uma montanha de sementes antes do anoitecer. Mas a jovem acaba adormecendo antes de cumprir a tarefa, mas provavelmente não estava sozinha nessa empreitada, pois enquanto dormia, milhares de formigas fizeram o trabalho por ela.
  2. Em sua segunda tarefa, ela deveria levar à Afrodite um tosão de ouro, ou seja, a lã de ouro dos ferozes carneiros que viviam na margem oposta do rio. Psiquê já estava desistindo da tarefa quando ouve uma voz em meio aos juncos da margem do rio, dizendo para ela esperar anoitecer e então retirar a plumagem dos animais que ficavam presas nos espinhos, assim ela fez.
  3. Decidida a derrotar a jovem, Afrodite pede que ela lhe traga uma taça de cristal com a água do rio Estige. Acontece que este rio chega a perpassar pelas regiões abissais do inferno, além disso, existem diversos monstros que guardam o local, tornando assim a aproximação. Mas Psiquê recebe uma ajuda divina, pois Zeus na tentativa de ajudar o filho pede que sua águia pegue a taça das mãos da jovem a vá retirar a água do rio solicitado por Afrodite.
  4. Em sua derradeira tentativa. Psiquê é orientada a ir até o inferno e procurar por Perséfone, a esposa de Hades para buscar o cofre com o unguento da beleza. A jovem enfrenta uma dura e longa jornada até chegar ao inferno como encontrar com Cérbero, com as três tecelãs do destino, nega ajuda a um coxo e também a um homem que se afogava, e depois de conquistar a simpatia de Perséfone ela consegue sair com o cofre que Afrodite solicitara. Como já se sentia desgastada depois de tudo o que passara, ela decide abrir o cofre para ter acesso ao unguento da beleza, mas na verdade, Afrodite a enganara, e na verdade havia dentro do cofre o sono da morte.

Eros, já curado da ferida, sai à procura de sua amada quando a encontra adormecida na morte, ele então guarda o sono da morte no cofre e usa uma de suas flechas nela, assim Psiquê retorna à vida. Eros então pede ajuda para seu pai, Zeus para que ele convencesse Afrodite a aceitar Psiquê e também a transformá-la numa deusa para que pudessem levar o seu amor por toda a eternidade, assim é feito!

—————————————————-

Em grego Psiqué (psychí / ψυχή ) significa alma. Desse modo esse conto poderia ser uma alegoria da eternidade da alma e da junção entre alma e amor. Mas existem três interpretações para este mito que são convergentes e complementares entre si.  A primeira interpretação considera que a história narra a jornada da alma, a segunda aceita que se refere à teoria do conhecimento e a última acredita que representa o ritual dos mistérios de renascimento.

É perceptível algumas semelhanças com o conto da madame Villeneuve de 1740, A Bela e a Fera,
como a mãe do príncipe que não aceitou em primeira instância a esposa do filho, as irmãs invejosas, a construção da personagem Bela semelhante à Psiquê, a obrigatoriedade de ir viver com uma Fera, dentre outros elementos.

Referências

BEAUMONT,Jeane Marie & VILLENEUVE, Gabrielle. A Bela e a Fera. SÃO PAULO: Zahar, 2016.

ADERALDO, Noemi Elisa.  Sobre Eros e Psique de Fernando Pessoa. Rev. de Letras. Fortaleza, 3/4 (2 / 1): Pág. 102-107, jul./dez. 1980, jan./jun. 1981

PESSOA, Fernando. Obra Poética. Rio de Janeiro, Ed. Aguilar, 2. ed., 1965, p. 178.

http://paulorogeriodamotta.com.br/o-mito-de-eros-e-psique/acessado em 20 de fev. de 2017 às 12h13.

 

Abraços,

Jessica Marquês.

 

Continue Reading

Curiosidades sobre A Bela e a Fera

No dia 16 desse mês finalmente teremos o privilégio de assistir ao live action “A Bela e a Fera” como geração que se torna nostálgica cada vez mais cedo reacendemos as emoções da infância que foram afloradas com o conhecimento da narrativa em questão.

Acreditamos que esta história tem muito mais a acrescentar em nosso universo literário e cultural, por isso, diante dessa paixão e a busca por desvendar as origens que permeiam o conto a Companhia Literária vai realizar um especial sobre “A Bela e a Fera”, para isso teremos uma agenda para as próximas segundas-feiras e sextas.feiras do mês de março.

Convidamos você a se inscrever em nosso canal e nos acompanhar nesse projeto!

10 Curiosidades sobre “A Bela e a Fera”


1ª Curiosidade:
O filme da Disney lançado em 1991 rendeu à empresa quase 350 milhões de dólares apenas nas bilheterias. Nos dias de hoje esse rendimento seria um desastre em termos de lançamentos cinematográficos, mas na época foi um recorde;

2ª Curiosidade: Foi a primeira animação a ser indicada para o óscar e venceu como melhor trilha sonora original e melhor canção original “Beauty and the Beast”. Mas além disso também recebeu indicação a melhor filme, melhor som, melhor Canção Original – “Belle” e Melhor Canção Original – “Be Our Guest”;

3ª Curiosidade: O sucesso da animação também rendeu o Globo de Ouro como Melhor Filme – Comédia/Musical, melhor Trilha Sonora Original e melhor Canção Original – “Beauty and the Beast”;

4ª Curiosidade: Ganhou também em 1992 o prêmio Annie Awards como a melhor animação;

5ª Curiosidade: a cartela de cores foi fundamental para a construção do enredo e da caracterização das personagens, de acordo com o Diretor de Arte,  Brian McEntee, a Bela, por exemplo, é a única que usa azul no vilarejo, uma analogia ao fato dela não se encaixar com o lugar;

6ª Curiosidade: A personagem principal desse enredo é uma ávida leitora, o que causa estranhamento por membros do vilarejo onde ela vivia. Além disso, na animação de 1991 ela canta sobre o livro que lê, e a história conversa com aquilo que ela viveria na narrativa;



7ª Curiosidade:
A canção “Human Again” (em português, Humano Outra Vez) foi cortada pouco antes da produção começar. Posteriormente, ela foi adicionada ao show da Broadway e na versão animada relançada em 2002;



8ª Curiosidade:
A adaptação cinematográfica da Disney de 1991 e outras tantas produções artísticas são embasadas no conto clássico escrito em 1756, pela francesa, Jeanne-Marie le Prince de Beaumont, a madame Beaumont;

9ª Curiosidade: o conto clássico da madame Beaumont foi uma releitura de outro conto, também escrito por uma francesa no ano de 1740, Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve, a madame Villeneuve;

10ª Curiosidade: o mito grego pré-cristão da era clássica, Eros e Psiquê, descrito no ano de 150 d.C. foi, de acordo com alguns estudiosos, uma base para a narrativa produzida pela madame Villeneuve.

obra de Canova

Ainda há especulações de que uma história verídica teria motivado a criação da narrativa original. Ao longo dessas semanas vou mais peculiaridades que cercam os meandros dessa narrativa. Conto com a sua companhia neste especial “A Bela e a Fera”.

Continue Reading

Phonétique française

Uma questão é inegável quando falamos sobre a língua francesa: a sonoridade de suas palavras é encantadora, por isso, é mais do que conveniente iniciar o estudo dessa língua irmã compreendendo alguns detalhes de sua fonética.

Antes, no entanto, é pertinente conhecermos o que vem a ser a fonética. Desse modo, temos que a Fonética dedica-se ao estudo dos sons falados, ou seja, a língua em sua realização, enquanto a Fonologia estuda os fonemas da língua. Entende-se por fonema a menor unidade significativa de uma língua, que compõem um sistema linguístico.

Os fonemas distinguem vocábulos, já que cada fonema possui uma unidade significativa. Cabe ressaltar que fonema e letra não é a mesma coisa, pois letra é a representação gráfica dos fonemas de uma língua, enquanto o fonema são as unidades sonoras mínimas da língua. Em alguns casos o número de letras é o mesmo do número de fonemas, mas em outros não há coincidência.                Quando o assunto é a língua francesa, essa incidência de quantidade de letras e fonemas diferentes é bem grande, veja o exemplo:

Por isso, é pertinente conhecermos os sons que a junção destas letras, ou seja, as regras da pronunciação francesa. É valido ressaltar que existem diversas outras regras da fonética francesa, esta é uma pequena amostragem, só para termos uma ideia, ao longo do tempo, outras serão acrescentadas a esta listagem. Observe:

LETRAS / SÍLABAS

SOM

EXEMPLO FONÉTICA
AU/ EAU Ô Oiseau /uazo/
OU U Toujour /Tuju/
OI Soir /sua/
U* “Í” Jus /Jy/

   

 

*É um som intermediário, diferente do “i” que conhecemos, para saber  mais assista ao vídeo abaixo:

 

Au revoir!

Jessica Marquês

Continue Reading

O Consigo é o nosso contigo!

Quando falamos sobre as variações linguísticas – que se dividem em: histórica, social, situacional, política e regional- estamos nos referindo às modificações que ocorrem em todas as línguas em função de algumas influências. A Língua Portuguesa, apesar de ser a mesma língua, ela é usada com um grupo específico e apresenta características próprias.

Essas variações da língua que veremos hoje se enquadram na definição da variedade regional, pois diz respeito às diferenças que uma língua representa nas diversas regiões em que é falada, seja fora ou dentro do país. É claro que hoje apresentaremos apenas as diferenças de um termo entre dois países (Brasil e Portugal), mas existem tantos outros países lusófonos que possuem a sua riqueza linguística e as suas variações, que almejamos conhecer e explorar.

Elenco desse modo, uma utilização pronominal que é notável a sua diferença. É uma prática muito comum na região metropolitana de Lisboa (não sei dizer das demais variações linguísticas existentes nos outros cantos de Portugal) que é a utilização do pronome “consigo”.

Antes de discutirmos sobre as diferenças desse pronome nos países referidos precisamos ter em mente que existem três pessoas do discurso:

1ª pessoa do discurso Quem fala/ escreve
2ª pessoa do discurso Com quem se fala ou escreve
3ª pessoa do discurso De quem se fala ou escreve

PRONOME

Palavra que substitui o substantivo passando a representar os seres. Ela é variável em gênero, número e pessoa. O nome enquanto pronome passa a ser uma pessoa no discurso. Pode ser dividido quanto a sua aplicação em: pessoais, demonstrativos, interrogativos, indefinidos, relativos e interrogativos.

 Daremos maior atenção hoje a um tipo de pronomes pessoal, ou seja, aquele que indica os nomes e apresenta as pessoas do discurso e pode ser dividido em duas especificidades.

  • Retos: Exerce sintaticamente a função de sujeito na oração.
  • Oblíquos: Exerce sintaticamente a função de complemento ou objetos da oração.

Observação: Os pronomes oblíquos também exercem a função de sujeito na frase, isso acontece quando o sujeito exerce ação e sofre ao mesmo tempo e, nesse caso, são chamados de pronomes reflexivos.

 

PECULIARIDADES DO TERMO “CONSIGO”

Em Portugal esse pronome pode ter referência aos pronomes: “você”, “senhor”, “senhora”, então quando se utiliza esse pronome “consigo”, está colocando-o na segunda pessoa do discurso. Observe a frase:

Eu caminhava e falava consigo sobre o que ocorreu no comboio.

Se considerarmos as regras da gramática da Língua Portuguesa no Brasil, veremos que esta frase está incorreta, pois o correto seria inserir o pronome “contigo/com você” no lugar de “consigo”, pois nesse caso não há uma aplicação reflexiva.

A interpretação para esse exemplo, levando em consideração as normas da gramática da Língua Portuguesa em Portugal seria:

Eu caminhava e falava com você /contigo sobre o que ocorreu no comboio.

Já no Brasil a colocação “eu falava consigo” não é adequada! O correto seria se o pronome estivesse na terceira pessoa do discurso, ou seja, se a frase fosse:

Ela caminhava e pensava consigo sobre o que ocorreu no comboio.

Ou seja, pensava com ela mesma, de modo que a ação seria reflexiva.

As expressões usadas em Portugal, como:

Tudo bem consigo?

Gosto muito de si.

Queria ir consigo.

Depois falo consigo.

No Brasil, seriam:

Tudo bem com você / contigo?

Gosto muito de você / ti.

Queria ir com você/ contigo.

Depois falo com você/ contigo.

 

Você pode se perguntar: Mas em Portugal não existe o pronome “contigo”?

Sim! Ele existe, mas a sua utilização exige cautela e atenção, não apenas pelo fator linguístico, mas também social … Falarei mais sobre ele em breve!

 

Referências:

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. 2ª ed. Nova fronteira, 2010.

CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. 3ªed. Nova fronteira, 2001.

VILARINHO, Sabrina. O uso do “consigo” e “contigo”; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/gramatica/o-uso-consigocontigo.htm>. Acesso em 2 de fevereiro de 2017.

Até a próxima!

Jessica Marquês.

Continue Reading