Afinal, o que é Cultura Pop?

Falamos tanto em cultura pop, mas você sabe o que vem a ser a cultura pop? Ela vai além da manifestação cultural de HQs, séries, filmes? É relevante destacar que existem vários autores e concepções para a cultura POP, uma das concepções que é aceita para o que é a cultura POP, é a de que ela é uma alternativa para a cultura oficial. Ela surge como resposta à massificação da arte provocada pela indústria cultural* e de forma diferente, a Cultura Pop deve trazer contestação e sair do lugar comum.

Rogério de Campos num editorial da revista General Visão afirma que os “Criadores que vivem além das fronteiras das imaculadas galerias ou apenas inconvenientes, fora do lugar correto, fora do tempo, contraditórias, infinitas imagens elétricas para ofuscar as imagens oficiais. Não significa ficar deslumbrado pela Indústria Cultural, mas, ao contrário, enfrentá-la com ações e visões críticas”. Esse texto está presente no editorial de lançamento da referida revista.

Desse modo, entende-se que a cultura pop nasce da Indústria Cultural, mas não se limita ao fato da indústria cultural ser acrítica e homogênia.  Ao contrário, a Cultura Pop é subversiva. Pois a sua intenção é a de incomodar o receptor, ao invés de acomodá-lo. Essa produção crítica e provocadora não se encaixa em absoluto no conceito de Indústria Cultural. Assim, alguns produtos da Indústria Cultural acabam se tornando Cultura Pop. Considere algumas características da Cultura Pop:

  1. Ela deve ser inovadora com relação aos seus congêneres, tanto em termos de forma quanto de conteúdo;
  2. Apresentar uma leitura crítica de mundo;
  3. Ser provocadora;
  4. Fazer parte do consciente coletivo, deve estar na boca do povo, deve ser conhecida e difundida, não isolada em sua torre de Marfim.

Essas características fazem com que, embora a Cultura Pop passe pelos mesmos mecanismos de reprodução em massa, ela é diferente daquilo que chamamos de Indústria Cultural.

É válido ressaltar que ela representa o segundo estágio da Cultura de Massa tendo em vista que são produtos que possuem uma produção em massa, estão presentes nos Canais de comunicação, a internet é um grande difusor dessa cultura, entretanto exercem uma função diferente, pois é aquilo que é lido com maior profundidade.

Podemos dizer também que a Pop Art foi uma forte influenciadora da Cultura Pop. Ela surgiu na Inglaterra e nos Estados Unidos e foi um estilo característico nos anos 60. O termo Pop Art (abreviação das palavras em inglês Popular Art) foi utilizado pela primeira vez em 1954, pelo crítico inglês Lawrence Alloway, para denominar a arte popular que estava sendo criada em publicidade, no desenho industrial, nos cartazes e nas revistas ilustradas. Aquela imagem multicolorida de “Marilyn Monroe” é um dos grandes destaques da Pop Art, o criador dessas versões dessa diva do cinema foi Andy Warhol, produzindo-a em 1967.

* Indústria cultural: proposta na década de 40 por dois filósofos russos; Theodor Adorno e Max Horkheimer da chamada Escola de Frankfurt, segundo eles a arte deixou de ser algo autêntico e exclusivo e passou a ser um produto. Os meios de comunicação em massa seriam os grandes responsáveis por isso.

Até mais,

Jessica Marquês.

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As principais características do Trovadorismo

Já sabemos que o contexto histórico, social e religioso da escola literária portuguesa que compreende os séculos XII, XIII e XIV e está inserido na era medieval possui alguns elementos que influenciaram diretamente a sua produção literária.

No período do Trovadorismo, o homem centrava todos os acontecimentos bons ou ruins em Deus, este homem medieval colocava-se totalmente sob o julgo de Deus, as vontades divinas estavam acima de todas as coisas, inclusive do destino de cada homem e até mesmo dos fenômenos naturais.

É fato que a religião influenciou diretamente a cultura e a arte e não seria diferente com a literatura da época. Só para se ter uma ideia, no que concerne a arquitetura da época, as construções estavam voltadas para igrejas, catedrais, capelas e mosteiros. As temáticas religiosas também estavam presentes de forma significativa nas pintura e escultura.

Como o clero tinha grande influência na pirâmide social, a maioria das obras literárias eram cantigas que exaltavam e glorificavam a Deus. É válido ressaltar que nesse período aconteceram as cruzadas, diante disso foram produzidas muitas cantigas de amor embasadas no sofrimento e na saudade que os cavaleiros em viagem sentiam por suas amadas.  De uma forma menor, houve também produções que narravam o costume da sociedade.

A principal marca do Trovadorismo são as poesias cantadas, que aqui são chamadas de cantigas, elas eram produzidas no idioma galego-português e são divididas em dois tipos gêneros literários;  a) o lírico – produção mais bem elaborada, em que se preocupa com a composição poética, de maior potencial formam a base da poesia lírica tanto portuguesa como, futuramente, brasileira. b) o satírico – nesse tipo de produção tratava-se de personalidades da época, sem muita preocupação com o trabalho erudito da linguagem, construía-se o texto numa linguagem mais popular e, muitas vezes, obscena.

De acordo com estilos peculiares de produção e o objetivo do texto existem quatro tipos de cantigas. Veremos em outros artigos aqui na Companhia Literária cada uma delas mais especificamente, conhecendo as características e principais produções.

Gênero lírico Gênero satírico
Cantigas de amor Cantigas de escárnio
Cantigas de amigo Cantigas de maldizer

 

*Soldados com a cruz em suas roupas foram lutar em nome da igreja com a finalidade de ocupar e manter a “terra santa”.

Até breve,

Jessica Marquês.

 

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A narração

A tipologia textual é formada por cinco elementos distintos e muito utilizados na produção textual, cabe a cada estudante e/ou apreciador da arte de escrever conhecer cada elemento que compõe os cinco tipos textuais. Quando falamos da narração precisamos nos ater ao fato de que narrar não se restringe simplesmente a contar algo, pois existem algumas características que precisam estar presentes numa narração para ela ser completa e bem elaborada.

Para compreender a narração podemos analisá-la por meio de diversos víeis, considerando os elementos que a compõe, a sua estrutura, o tempo, o espaço, as personagens, os tipos de narradores, dentre outros. Nesse artigo será possível conhecer os seis elementos básicos e fundamentais de um narrativa, são eles:

  1. Fato;
  2. Quem?
  3. Quando?
  4. Onde?
  5. Como?
  6. Por quê?

A representação de se ter um fato e os elementos que estão ligados a ele, significa dizer que todas as vezes que uma história é narrada o narrador acaba sempre contando onde, quando, como e com quem aconteceu aquela história, no fato discute-se e apresenta o propulsor que deu início à história, preocupa-se em saber sobre o que a narrativa aborda.

Em cada narrativa, de algum modo, é necessário que haja um (ou mais) personagem seja ele principal ou secundário. Por isso, o quem, ou seja, em sua narrativa irá apresentar com quem aquele fato está relacionado.

Além disso, se tem o momento ou período em que se deu o acontecimento que está sendo narrado. E também há vários conectores temporais, já que ela deve se situar no tempo, isso não significa que ela deve ser linear, ela pode ser linear, ou não. Mas de algum modo ela vai se situar no tempo. O autor vai utilizar ainda advérbios de tempo ou os próprios tempos verbais ao nos esclarecer quando as ações da história ocorreram. Quando falamos de tempo da narrativa, nós temos ainda algumas especificações. Como tempo psicológico, cronológico, por exemplo.

A obra sempre terá alguma ambientação, o onde da narrativa, pode ser a localidade do enredo; seja uma cidade, uma floresta, um quarto… O lugar onde ocorre uma ação ou ações é chamado de espaço, temos então o espaço da narrativa representado no texto pelos advérbios de lugar.

Dada a circunstância da narrativa teremos o que motivou e também  o modo como as personagens agiram diante daquela situação. Os porquês presentes na narrativa representa a causa, ou seja, o motivo que determinou a ocorrência que vai guiar a narrativa. Quando a gente fala do enredo do livro, estamos nos referindo àquilo que impulsionou a narrativa, e aos elementos que estão ligados a ele. Ou seja, o conjunto de ações que compõem o texto narrativo, a história que é contada recebe o nome de enredo.

Na narração predomina-se a ação: o texto narrativo é um conjunto de ações, por isso, a narração está pautada em verbos de ação, tendo em vista que ela vai nos apresentar situações que movimentaram alguma circunstância, que tirou as personagens de seu eixo comum. A narrativa pode ser realizada em 1ª ou 3ª pessoa.

Além desses elementos, nós temos a estrutura de um texto narrativo. E como um bom texto, a narração terá uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Mas como se constrói isso numa narrativa? Bem esse será o assunto da próxima semana, não perca!

Abraços,

Jessica Marquês.

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O homem da máquina de escrever

“O homem da máquina da escrever” eis o título do livro e também a forma com que a personagem principal é chamada durante toda a narrativa. Este livro do escritor português, Fernando Campos é uma verdadeira metalinguagem, tendo em vista que ele vai abordar durante a construção narrativa, a própria composição literária. Para quem gosta ou anseia por escrever é uma leitura fundamental, pois ele vai acrescentando as conjecturas de sua produção, de forma bem humorada e poética.

A cada nova escolha, um novo caminho a seguir, e assim, vai costurando os elementos da narrativa e os meandros que permeiam a narração que pretende construir. Logo nas primeiras páginas podemos conhecer a sua paixão pela máquina de escrever que acabara de comprar. De uma maneira poética, percebemos que com suas próprias mãos, ele constrói um lugar – do zero- para abrigar e proteger seu novo tesouro, a máquina de escrever a qual somente ele (e mais ninguém!) poderia tocá-la.

Sabe quando você compra aquele livro que tanto desejava e almeja por colocá-lo no melhor lugar de sua estante? Como se gratificasse o livro por ser tão bom, ou por te fazer sentir tão bem pelo simples fato de possuí-lo. Foi exatamente assim que me senti ao ler o prólogo desse livro. A metáfora de construir do zero o espaço para abrigar a sua máquina de escrever, a ferramenta daquele ofício de escrever, pode estar presente em vários momentos que almejamos criar algo por meio da palavra darmos vida a seres, ambientes, falas, acontecimentos e tramas.

Quando por um título decide realizar a produção de seu texto. Temos então a possibilidade de conhecer a história intitulada “O beijo roubado”. O homem da máquina de escrever se propõe a escrever esse livro, e naturalmente, começa a se questionar sobre a própria produção, e a cada nova pergunta um novo caminho a seguir em sua construção literária. Ele começa a se perder em si mesmo…

“ «o beijo roubado!» Exclamou ele. Mas um roubo era um crime punível por lei! Logo… Isto tem de meter a polícia. Além disso, é um atentado contra o pudor…Mau! A coisa embrulha-se! É preciso meter também o tribunal. Não há que ver. O conto tem de ser policial. Paciência! Já não será um conto romântico, mas um conto policial…(CAMPOS, 16,1997)

É interessante o fato de que só percebi a conexão desse livro com assuntos que traremos essa semana aqui na Companhia Literária depois que me sentei para escrever essa resenha literária. Digo isso porque na terça teremos um vídeo sobre metalinguagem, e este livro é uma excelente opção para compreender o que vem a ser uma metalinguagem, pois ele é uma metalinguagem! Além disso, na quarta-feira você terá a possibilidade de conhecer alguns apontamentos sobre a narração, e tal livro fala o tempo todo da composição narrativa. (Coincidências interessantes!)

A trama dessa obra será embasada a partir do desejo do autor escrever o livro e o fato de, às vezes, procrastinar antes de iniciar efetivamente a produção, o que fala diretamente conosco, quando é que deixamos de procrastinar? Quando já não há mais tempo? Quando estamos já na última opção? Como tem administrado o seu tempo como leitor ou escritor?

O narrador/personagem do livro também era jornalista e utiliza algumas notícias para construir alguns elementos da trama de seu livro. Ao longo da narrativa, misturam-se relatos do livro e de memórias do próprio narrador que divaga sobre os lugares por onde sua narrativa pode passar- lugares de Lisboa, por exemplo. Além dessa mistura, há também um constante diálogo com o leitor, como se estivéssemos fazendo perguntas acerca de sua construção narrativa, de tal modo que você se sente parte daquela produção.

Depois de ter superado aos inúmeros questionamentos iniciais, a narrativa dá-se início com a história de um roubo em que uma jovem loira, alta, de lábios bonitos ora é a vítima, ora é o suspeito. Acrescenta-se ao mistério também outra jovem, esta agora morena e igualmente bela que poderia, enfim ser a verdadeira vítima do crime do beijo roubado…

Assim que ele finaliza a sua narrativa, o homem da máquina de escrever sai para caminhar pela cidade, logo que iniciou sua caminhada, subitamente sentiu a necessidade de voltar para a sua máquina de escrever, pois havia sido atingido por uma onda de sentimento poético… Após martelar as teclas sem cessar… Falaria agora sobre o arranha-céus solitário.

“Ando fora de mim

Por viver dentro de mim…”

Com um breve relato, mas profundo em suas palavras, a história do arranha-céus solitário pode ser cada indivíduo que se ausenta das palavras de um poeta. “Oco, despido, nada sentia dentro de si a não ser a fria humidade* da argamassa recente. Pensava que estava gelado quando deu conta de que o poeta louco se tinha ido embora e as salas haviam emudecido” (CAMPOS,71 ) Sob essa temática do silêncio, O homem da máquina de escrever também nos apresenta uma fábula com uma das pirâmides no deserto de Gizeh.

Eis um livro divertido, recheado de metáforas que avassalam o nosso ser e de diálogos que nos colocam diante da dificuldade que, às vezes, pode se ter com o ato de colocar uma ideia no papel. A trama aqui é o que importa, não são as personagens, nem o ambiente, ou o tempo da narrativa… Por exemplo, quando nomeia as personagens recebem os seguintes nomes: Fulana de Tal y Tal – Sicrana de Tal y Qual- Beltrano, e as demais personagens são apresentadas apenas por meio de substantivos próprios; o policial, o juiz, a dona da casa e assim por diante. Os questionamentos que perpassam a narrativa são muito necessários à vida, ou ao simples ato de escreve sobre outras vidas- reais ou ficcionais.

Este livro foi escrito em 1956, mas só foi publicado pela primeira vez no ano de 1987 e reflete a voz de um escritor que se calara por trinta anos, tais anseios pela escrita ou dúvidas são perceptíveis nas poucas, porém profundas páginas que compõem este livro. Além de escritor ficcional, Fernando Campos também foi importante autor de obras didáticas e monografias de investigação etimológica e literária.

Afirma-se na descrição do livro “O homem da máquina de escrever” que esse é “uma sátira que tem por vítima a própria literatura ou as subliteraturas.” E de fato, leva-nos a refletir a todo o momento sobre esta arte da palavra.

Abraços,

Jessica Marquês.

Referência

CAMPOS, Fernando. O homem da máquina de escrever. Lisboa: Difel, 1997.

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Ferramentas para criar Mapas Mentais

Quando nos propomos a escrever ou a organizar algo que necessita de um cuidado e atenção maior devido à importância e/ ou extensão do trabalho é importante nos atermos a alguns recursos que podem nos auxiliar nessa organização.

Os mapas mentais são um caminho que podemos adotar ao realizar determinado planejamento, mas podemos também utilizar outros elementos. Veja alguns exemplos abaixo:

  1. ORGANIZAÇÃO COM POST-IT

Usar e abusar das cores, aproveitar os espaços de sua casa que possam lhe auxiliar na visualização de todo o quadro daquilo que se planeja escrever ou organizar, a ideia é poder construir um painel para que se possa acompanhar todos os elementos de sua produção.

       

2. PROGRAMA XMIND-8

Existem diversos softwares ou programas que podemos utilizar em nosso computador para somar no apoio à organização. Além de Excel ou outros já disponíveis nos computadores, você pode baixar um programa simples e fácil para criar mapas mentais. As funções básicas do Xmind-8 são gratuitas, existem outras que seria necessário pagar para adquiri-las, o que limita alguns elementos, mas não impossibilita a construção de bons e úteis mapas mentais seja para criar o seu plano de escrita ou organização geral.

3. APLICATIVO TRELLO

Se você tiver disciplina para manter as informações do aplicativo para celular intitulado Trello atualizadas, você conseguirá organizar e acompanhar a evolução de seu trabalho, outro fator interessante é que ele pode ser compartilhado com outros usuários e  atualizado por cada um, tendo a possibilidade de inserir comentários e observações acerca do trabalho. Se estiver produzindo um texto com coautores este aplicativo estará à mão de forma simples e fácil.

Abraços,

Jessica Marquês.

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O mito que inspirou a história “A Bela e a Fera”

Fernando Pessoa em sua incrível capacidade poética apresenta em seu poema “Eros e Psique” uma versão lírica e concisa do Mito Grego de mesmo nome, e que também tem relação com o conto original da Bela e a Fera. Esse mito foi eternizado por meio da escrita pela primeira vez no livro intitulado “Metamorfoses” também conhecido como “O asno de Ouro” do escritor Lucio Apuleio no ano de 150 D.C. Entretanto, esse conto já estava na oralidade e pertence a era clássica grega que compreende os séculos V,IV e III a.C.

Eis o poema de Fernando Pessoa, depois de conhecer o Mito de Eros e Psiquê, poderá analisar com mais cuidado cada linha poética que compõe as suas estrofes.

Eros e Psiquê

Conta a lenda que dormia

Uma Princesa encantada

A quem só despertaria

Um Infante, que viria

Do além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,

Vencer o mal e o bem,

Antes que, já libertado,

Deixasse o caminho errado

Por o que à Princesa vem.

A Princesa adormecida,

Se espera, dormindo espera.

Sonha em morte a sua vida,

E orna-lhe a fronte esquecida,

Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,

Sem saber que intuito tem,

Rompe o caminho fadado.

Ele dela é ignorado.

Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino –

Ela dormindo encantada,

Ele buscando-a sem tino

Pelo processo divino

Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro

Tudo pela estrada fora,

E falso, ele vem seguro,

E, vencendo estrada e muro,

Chega onde em sono ela mora.

E,inda tonto do que houvera,

À cabeça, em maresia,

Ergue a mão , e encontra hera,

E vê que ele mesmo era

A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa.

 

O MITO EROS E PSIQUÊ

 

Conta a lenda que uma jovem chamada Psiquê filha caçula de um rei e uma rainha, era muito bela e idolatrada por aqueles que a conheciam. Ela tinha duas irmãs que alimentavam uma inveja por ela, pelo sucesso que fazia com todos que a cercava.

Mas a inveja não era exclusiva das irmãs, pois Afrodite – a Deusa do amor, da beleza e da sexualidade – também não estava satisfeita com toda a veneração que aquela mera mortal recebia. Alguns diziam que Psiquê poderia ser mais bela que a própria Deusa.

As irmãs mais velhas dessa princesa casaram-se e os seus pais, preocupados por sua filha mais jovem ainda não ter se casado decide procurar um oráculo para então conhecer o destino da filha. Acontece que a Deusa Afrodite, havia incumbido aquele oráculo a mentir e dizer que o destino da jovem pertencia a uma fera que deveria desposá-la.

Apesar de extremamente tristes, o pais da jovem Psiquê decidem cumprir a sua profecia, então realizam uma procissão cujos aspectos assemelhavam-se tanto a cerimônia de casamento quanto a de um velório. Eles então acorrentam Psiquê a uma rocha no alto de uma montanha.

Para cumprir o seu plano, Afrodite pede que o seu filho, Eros (o deus do amor, o cupido) atirasse uma flecha em Psiquê para que assim ela se apaixonasse pela fera que estava por se casar. Entretanto, Eros se encanta com a estonteante beleza de Psiquê acaba se distraindo e acidentalmente fere-se com a própria flecha do amor, apaixonando-se instantânea e profundamente por Psiquê.

Desse modo, ele pede que a Zéfiro, o vento oeste, que levasse a jovem para o Vale do Paraíso.  Eles passam a ser, então, marido e mulher e Psiquê fica completamente encantada com os prazeres de se viver no Olimpo. Contudo, de acordo com uma solicitação de Eros, ela não poderia vê-lo.

Ela começa a se encontrar com suas irmãs cuja inveja é intensificada ao descobrirem que a irmã havia se casado com um deus e vivia, literalmente, no paraíso. Psiquê pede autorização para que as irmãs visitem aquele lugar encantador. Neste período, Psiquê já havia descoberto que estava grávida. Após inúmeros questionamentos, a jovem revela às irmãs que não tinha autorização para conhecer a imagem de seu esposo, pois não poderia vê-lo. As irmãs, então, convence a irmã caçula de que ele tinha a forma de uma serpente e que pretendia devorar tanto a ela quanto ao filho que era gerado em seu ventre.

Persuadida, a jovem decide durante a noite pegar uma lâmpada para ver o seu esposo e com uma adaga matá-lo. Eros não pretendia que a jovem olhasse para ele, porque não queria que ela tivesse encanto e amor por sua imagem, e sim por quem ele era. Assim que ela o vê fica extasiada, distrai-se e encosta-se a uma das flechas de Eros e assim, apaixona-se perdidamente por ele, mas acaba deixando o óleo quente de sua lâmpada cair em Eros que subitamente acorda e descobre que Psiquê acabou por descumprir a sua solicitação.

Eros, apesar de ser o deus do amor, não tem compaixão de Psiquê e a abandona, além disso, também afirma que aquele filho que ela estava por gerar seria um mero humano, e não um deus como o pai. Embora ela tenha sido desamparada por quem amava, ela decide andar pelo Olimpo pedindo que alguns deuses a ajudasse a reconquistar o coração de Eros, no entanto, todos rejeitam ajudá-la, pois temiam que Afrodite irasse-se por darem suporte a quem machucara o seu filho.

Destemida, Psiquê decide procurar diretamente a deusa do amor. Ela então propõe quatro desafios para que a jovem estivesse livre do desígnio de Eros. Psiqué inicia uma dura jornada pela terra. É importante destacar que, se não tivesse sucesso nas tarefas propostas além de não retornar para Eros também perderia a vida.

Eis as tarefas propostas à jovem:

  1. Psiquê deveria separar e selecionar cada tipo de semente de uma montanha de sementes antes do anoitecer. Mas a jovem acaba adormecendo antes de cumprir a tarefa, mas provavelmente não estava sozinha nessa empreitada, pois enquanto dormia, milhares de formigas fizeram o trabalho por ela.
  2. Em sua segunda tarefa, ela deveria levar à Afrodite um tosão de ouro, ou seja, a lã de ouro dos ferozes carneiros que viviam na margem oposta do rio. Psiquê já estava desistindo da tarefa quando ouve uma voz em meio aos juncos da margem do rio, dizendo para ela esperar anoitecer e então retirar a plumagem dos animais que ficavam presas nos espinhos, assim ela fez.
  3. Decidida a derrotar a jovem, Afrodite pede que ela lhe traga uma taça de cristal com a água do rio Estige. Acontece que este rio chega a perpassar pelas regiões abissais do inferno, além disso, existem diversos monstros que guardam o local, tornando assim a aproximação. Mas Psiquê recebe uma ajuda divina, pois Zeus na tentativa de ajudar o filho pede que sua águia pegue a taça das mãos da jovem a vá retirar a água do rio solicitado por Afrodite.
  4. Em sua derradeira tentativa. Psiquê é orientada a ir até o inferno e procurar por Perséfone, a esposa de Hades para buscar o cofre com o unguento da beleza. A jovem enfrenta uma dura e longa jornada até chegar ao inferno como encontrar com Cérbero, com as três tecelãs do destino, nega ajuda a um coxo e também a um homem que se afogava, e depois de conquistar a simpatia de Perséfone ela consegue sair com o cofre que Afrodite solicitara. Como já se sentia desgastada depois de tudo o que passara, ela decide abrir o cofre para ter acesso ao unguento da beleza, mas na verdade, Afrodite a enganara, e na verdade havia dentro do cofre o sono da morte.

Eros, já curado da ferida, sai à procura de sua amada quando a encontra adormecida na morte, ele então guarda o sono da morte no cofre e usa uma de suas flechas nela, assim Psiquê retorna à vida. Eros então pede ajuda para seu pai, Zeus para que ele convencesse Afrodite a aceitar Psiquê e também a transformá-la numa deusa para que pudessem levar o seu amor por toda a eternidade, assim é feito!

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Em grego Psiqué (psychí / ψυχή ) significa alma. Desse modo esse conto poderia ser uma alegoria da eternidade da alma e da junção entre alma e amor. Mas existem três interpretações para este mito que são convergentes e complementares entre si.  A primeira interpretação considera que a história narra a jornada da alma, a segunda aceita que se refere à teoria do conhecimento e a última acredita que representa o ritual dos mistérios de renascimento.

É perceptível algumas semelhanças com o conto da madame Villeneuve de 1740, A Bela e a Fera,
como a mãe do príncipe que não aceitou em primeira instância a esposa do filho, as irmãs invejosas, a construção da personagem Bela semelhante à Psiquê, a obrigatoriedade de ir viver com uma Fera, dentre outros elementos.

Referências

BEAUMONT,Jeane Marie & VILLENEUVE, Gabrielle. A Bela e a Fera. SÃO PAULO: Zahar, 2016.

ADERALDO, Noemi Elisa.  Sobre Eros e Psique de Fernando Pessoa. Rev. de Letras. Fortaleza, 3/4 (2 / 1): Pág. 102-107, jul./dez. 1980, jan./jun. 1981

PESSOA, Fernando. Obra Poética. Rio de Janeiro, Ed. Aguilar, 2. ed., 1965, p. 178.

http://paulorogeriodamotta.com.br/o-mito-de-eros-e-psique/acessado em 20 de fev. de 2017 às 12h13.

 

Abraços,

Jessica Marquês.

 

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As leis dos Mapas Mentais

Os mapas mentais ou mapas da mente são recursos interessantes para organização de ideias e conteúdos.  É como se fosse um diagrama que possui alguns elementos fundamentais para auxiliar na memorização, no aprendizado e/ou na organização daquilo que almeja realizar ou estudar.

A proposta visa a representação do maior número de detalhes daquilo que permeia o conceito da ideia a ser trabalhado ou estudado. É uma forma de tentar ilustrar uma ideia, um conceito. Concretizando-as na tentativa de torná-la, digamos mais palpável.

Esse processo foi formalizado pelo escritor inglês, Tony Buzan, sistematizando-o. Desse modo, ele criou algumas regras para intensificar os resultados que se pretende ao criar um Mapa Mental.

Tony Buzan nasceu em 2 de junho de 1942,  alguns estudiosos o associam como criador do mapa mental, auxiliando mais de 250 milhões de pessoas a liberar potencial do cérebro. Entretanto, outros preferem conceber a ideia de que o Tony Buzan apenas formalizou algo que as pessoas, indistintamente e independente do conhecimento das regras criadas pelo escritor Inglês já utilizavam.

Tony Buzan é autor de assuntos sobre psicologia, apresenta várias justificativas sobre a eficiência dessa prática, ele traz apontamentos sobre liberar potencial do cérebro, o uso da memória, questões que podem melhorar a aprendizagem,  já escreveu vários livros a respeito

As sete leis de Tony Buzan são:

  1. Comece no centro de um papel;
  2. Use uma imagem central que designe a ideia principal;
  3. Utilize-se de cores;
  4. Conecte ramos primários, secundários, terciários e quantos forem necessários;
  5. Deixe os ramos curvilíneos para dar um aspecto de árvore a eles;
  6. Use imagens, nossa mente lida melhor com elas;
  7. Use palavras chaves.

Referências:

http://www.mapasmentais.idph.com.br/

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A Bela e a Fera: o conto original

Este conto foi publicado há 277 anos pela escritora francesa, Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve, no livro intitulado “La Jeune americaine” ou “Les contes Marins”. Nele é possível encontrarmos uma narrativa fluída e recheada de fantasias conectando as críticas que a autora pretendia evidenciar.

Eis um breve resumo do conto La Belle e la Bête

O Pai de Bela era um rico comerciante da ilha Bem-aventurada de um país bem distante, mas ele veio à falência depois que um incêndio consumiu a sua casa com todos os seus títulos bancários, dinheiro, ouro e mercadoria. Além disso, as embarcações que ele tinha posse sofreram naufrágio piorando a situação financeira da família.

Entregue à miséria, ele se viu sem o amparo dos amigos e precisou sair da cidade juntamente com seus 12 filhos solteiros, seis mulheres e seis homens. Eles foram viver em uma casa de campo a qual no passado, ele usava para descansar.

Depois de dois anos, ele recebeu a notícia de que uma de suas embarcações fora resgatada. O homem, então retornou à cidade na esperança de recuperar a antiga vida. Antes de sair, as demais filhas lhe pediram presentes luxuosos e caríssimos, a Bela, porém, não pediu nada, até que depois da insistência do Pai ela resolveu pedir uma rosa, pois no lugar onde eles viviam essa planta não crescia.

Este homem então regressa à cidade, mas não consegue reaver as mercadorias ou o navio e enquanto volta desolado para a cidade do campo, acompanhado de seu cavalo enfrenta uma tremenda tempestade de neve, quando então avista um lindo castelo, e decide procurar abrigo naquele local.

CRANE, 2016.

Quando ele lá chega, não consegue falar com ninguém, mas acaba por ficar por ali enquanto o tempo lá fora se acalma. Assim que acorda é recebido com um delicioso baquete, mas ainda não consegue ver ou falar com nenhum humano, pouco antes de ir embora, ela percebe uma linda roseira no jardim do castelo, já que ele não conseguira reaver a sua riqueza, poderia sanar o desejo de pelo menos uma de suas filhas.

Assim que ele encosta-se à rosa, “Uma fera medonha enrolou em seu pescoço uma espécie de tromba como a de um elefante e, como uma voz assustadora – Quem o autorizou a colher minhas rosas?” (VILLENEUVE, 2016) o homem pede desculpas, mas já era tarde demais, ele tinha agora uma dívida com aquele monstro. A Fera pergunta se ele não ficou satisfeito com o tratamento VIP que recebeu no castelo, enquanto se abrigava das adversidades do tempo… E faz um acordo com ele, dizendo que a sua liberdade poderá ser trocada por uma de suas filhas que aceitem substituí-lo ficando em seu lugar.  Mas a Fera ressalta que ela não deve vir forçada.

CRANE, 2016.

O homem teria um mês para decidir se retornaria ao Castelo para cumprir a sua perna com o crime que cometera, ou se submeteria uma de suas filhas a tal castigo. Quando ele retorna ao seu lar, ele relata o que aconteceu, e Bela se dispõe a ocupar o seu lugar, o pai nega que ela faça tal sacrifício, mas ela e os demais membros daquele lar o convence do contrário.

CRANE, 2016.

Quando se completou o mês, os cavalos da Fera foram buscar o velho e sua filha, assim que eles chegaram ao castelo, a Fera os recebeu e deixou que o Pai de Bela levasse uma quantidade de riqueza para melhorar a condição de sua família.

A Bela passa a viver no castelo atormentada pelo medo de que destino levaria a sua vida, mas a Fera aproxima-se dela durante poucos minutos do dia, apenas durante o jantar. No tempo livre, Bela vislumbra a beleza do local, é acompanhada por seres animalescos como macacos, patos e papagaios que fazem todas as suas vontades e cuidam dela como cuidariam a uma rainha, além disso, por meio de algumas janelas, Bela tem acesso a concertos e apresentações teatrais da França, da Itália ou de outros lugares do mundo.

CRANE, 2016.

Durante todas as noites do castelo, Bela é avassalada por um sonho que se parece muito real, nele ela se encontra com um príncipe belo e gentil, com o tempo ela se apaixona por esta figura onírica.A Fera amedronta a Bela quando começa a questioná-la se ela aceitaria deitar-se com ele. Ela, educadamente, nega. Ele então sai da sala de jantar e apenas lhe diz boa noite… Isso passa a acontecer em todas as noites, então ele sempre a questiona se poderiam ir para o mesmo leito e ela sempre nega, apesar do medo do que ocasionalmente aconteceria a ela se continuasse a negar.

CRANE, 2016.

Apesar das diversas atividades e distrações que Bela tinha à sua disposição durante o dia, ela se sente entediada e fica preocupada com sua família. Ela pede então a Fera, para que ela a deixe ir ter com a sua família, até para que eles passassem a saber como ela estava.

Bela foi e levou diversos produtos de valor, a pedido da Fera, para presentear a sua família, depois dos três meses que passou longe da Fera, quando ela regressa, a Fera estava quase sucumbindo. Mas o Pai da Bela a havia aconselhado a aceitar o pedido da Fera de se deitar com ele. Quando ela regressão ao castelo, eles se casam, fazem os votos ali, apenas os dois e ela permite que ele a despose. Assim que eles chegam ao quarto ele simplesmente dorme, um sono bem profundo.

CRANE, 2016.

Quando ela acorda, percebe que uma carruagem real se aproxima do castelo, chegava ali a Fada que ajudara a Fera a se livrar de sua maldição e a Rainha, mãe da Fera. Bela então conhece a verdadeira forma da Fera, e também a jornada a qual a Fera foi incumbida a cumprir.

A Fera, agora na forma de Príncipe, explica o que aconteceu para ter o seu destino avassalado por tal maldição. Ele nos relata que a sua mãe, Rainha, depois da morte de seu pai, precisou administrar uma guerra pessoalmente. Por isso, uma Fada ficou encarregada de cuidar do príncipe, enquanto ela estivesse fora.

No início, a Fada cuidou muito bem da criança, ela até a chamava de mãe, mas depois de retornar de uma viagem, a Fada havia mudado o seu comportamento, passando a insistir que o Príncipe dormisse com ela.

Quando a Rainha retorna ao seu lar, a Fada continua a insistir que o Príncipe a desposasse. Tanto a Rainha quando o Príncipe nega veementemente. Então a Fada lança uma maldição sobre ele, transformando-o numa Fera. Ela golpeia o jovem e ele subitamente metamorfoseia-se numa horrenda criatura.

Ele então, lança a sua vingança dizendo: “ordeno que finja ser tão estúpido quanto medonho, e para que recupere a sua forma original ordeno que espere, sob tal aparência, que uma bela moça venha procurá-lo voluntariamente, mesmo persuadida de que você deve devorá-la. Ela também deve, após descobrir que sua vida não corre mais perigo, se apaixonar por você a ponto de lhe propor casamento. Até você encontrar essa pessoa rara, quero que seja um objeto de horror para si próprio e para todos aqueles que o virem.” (VILLENEUVE, 2016)

Essa Fada ainda ordena que a Rainha afaste-se de seu filho e não informe a ninguém que é a mãe de tal criatura. Após a Fada que lançou o feitiço horrendo sair, a Rainha pede ajuda a outra Fada. Essa Fada transforma todos os seres presentes no castelo em estátua, para que ninguém relatasse que a Fera era filha da rainha, estes seres ainda estavam nessa condição no castelo.

A Fera passou a viver sozinha naquele castelo e tudo o que aconteceu com a Bela fora arquitetado por esta segunda Fada que pretendia libertar a Fera. A Rainha, mãe da Fera, mesmo vislumbrando o seu filho liberto da maldição ainda se sente ofendida pele origem familiar da Bela, pois ela não pertencia uma família nobre (parece que a Rainha não aprendeu nada com tudo o que aconteceu!).

Nesse momento, um homem com porte real aproxima-se do castelo, ele era um Rei irmão da Rainha, mãe do Príncipe. Acontece que ele também era o pai biológico de Bela, fruto de um relacionamento proibido com uma Fada. Essa terceira Fada era irmã daquela que ajudou a Fera a se libertar da maldição, e estava presa por conta de seu crime com o humano. O Rei acreditava que tanto a esposa quanto a filha estavam mortas. A Bela rapidamente o recebe como pai.

O Rei também clama pela libertação de sua amada esposa-fada, depois de um eloquente debate, a Fada, tia de Bela, consegue que sua irmã tenha liberdade e autorização para viver com seu amado. A Bela e a  Fera se casam, suas cinco irmãs juntamente com seus maridos passam a viver na corte real, assim como o Pai que a criou e seus irmãos.

CRANE, 2016.

Referências:

BEAUMONT,Jeane Marie & VILLENEUVE, Gabrielle. A Bela e a Fera. SÃO PAULO:Zahar,2016.

CRANE, Walte e outros: ilustrações presentes no livro A Bela e a Fera. SÃO PAULO:Zahar,2016.

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Língua e linguagem

Ao dar inicio aos estudos da linguagem, tomando por base a gramática é necessário ter algumas definições básicas que farão diferença nos estudos linguísticos, a primeira delas é uma definição para o próprio termo linguagem, pois esta se apresenta como possibilidade de representação da realidade e como material necessário para promover a existência e a comunicação entre os homens, porque desde os primórdios o homem necessita necessariamente da linguagem para manter sua convivência em sociedade.

Tendo em vista estas relações que a linguagem estabelece é pertinente entender a relação entre homem-sociedade compreendendo a diversidade da linguagem, abrangendo o âmbito da palavra, da imagem, do som e até mesmo da degustação, na medida em que a linguagem se movimenta basicamente nestes quatro ambientes. Mesmo que esteja se perguntando- Degustação? É valido pensar, por exemplo, quando se depara com uma propaganda de algum alimento ou bebida que tem uma significação tão forte que nos remete até mesmo ao sabor daquele produto.

Em se tratando da linguagem cabe pensar ainda, em sistemas de comunicação, ou seja, diferentes instâncias sociais que combinam diversas linguagens com um objetivo em comum. Nestes sistemas podem-se adotar quatro exemplos de sistemas de comunicação em que é possível identificar as suas diferenças, tem-se, portanto:

  • Publicitário: Trabalha com diversos tipos de linguagens com a finalidade de construir ou apresentar um produto ideal ou na tentativa de levar o consumidor a comprar determinado produto.
  • Informativo: Tem como principal foco a clareza e a objetividade para isso necessita unir diferentes formas de linguagens para apresentar melhor a informação, é valido observar, no entanto, que a informação não se coloca como uma verdade absoluta, pois há uma luta de interesses nos meandros daquilo que difunde a informação.
  • Artístico: Em muitos casos os seus objetivos ou temas não são explícitos, pois seu principal foco é fazer o individuo refletir através de inquietudes ou de estranhamentos, mas mesmo assim não se constrói realidades, mas como já se especificou, possibilidades. Para alcançar estes efeitos o sistema artístico também utiliza diferentes termos e estruturas linguísticas.
  • Entretenimento: As diversas formas de linguagem são apresentadas em muitos casos de maneira simples, objetiva, clara e direta na medida em que sua principal finalidade é a diversão, a distração.

É necessário deixar claro os seguintes conceitos:

LÍNGUA: é um fenômeno natural, um organismo dinâmico, que evolui com o passar dos tempos. É relevante destacar que a língua não é um sistema homogêneo, fixo e imutável, pois esta é uma forma de linguagem.

LINGUAGEM: é um processo comunicativo pelo qual as pessoas interagem entre si, ou seja, um fenômeno social. Entende-se também como um meio de expressão
do pensamento individual, por isso é uma organização racional e uma manifestação cultural.

  • VERBAL: tem como base o uso da palavra, escrita ou falada para estabelecer a comunicação. Um texto ou uma conversa com os amigos são exemplos dela.
  • NÃO VERBAL: é a comunicação sem o uso das palavras, por isso, utiliza os gestos, os sons, os símbolos e os ícones para conceder a comunicação.
  • MISTA: é aquela que simultaneamente utiliza a linguagem verbal e não verbal. Uma história em quadrinhos ou um cartaz de publicidade são exemplos de linguagem mista.

 

Referências:

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. 2ª ed. Nova fronteira, 2010.

CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. 3ªed. Nova fronteira, 2001.

Até mais!

Jessica Marquês.

 

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