A tríplice da gramática

Primeiro precisamos saber que existem diversos tipos de gramática (comparada/comparativa, descritiva, gerativa/generativa, histórica, prescritiva, transformacional, universal e normativa) Cada tipo de gramática lança um olhar específico para considerar determinada língua. Em nossos estudos iniciais nos preocuparemos com a gramática normativa, pois é a partir dela que muitos concursos, vestibulares, Enem, currículos escolares, dentre outros estruturam suas avaliações. As demais veremos em outros artigos mais a frente.

No que se refere à língua ela é concebida por meio de um sistema tríplice em que há um sistema de formas (mófico), um sistema de frases (sintático) e um sistema de sons (fônico). Desse modo, a gramática possui três divisões essenciais e outras duas complementares.  Observe essas divisões e suas características.

  1. Fonética/fonologia: a Fonética se dedica ao estudo dos sons falados, ou seja, a língua em sua realização, enquanto a Fonologia estuda os fonemas da língua. Entende-se por fonema a menor unidade significativa de uma língua, que compõem um sistema lingüístico.
  2. Morfologia: entende-se por morfema a unidade mínima significativa, ou seja, as “partes” de uma palavra que possuem um significado ou exercem uma função.
  3. Sintaxe: a Análise sintática é a parte da gramática da Língua Portuguesa que se dedica aos estudos dos termos que compõem uma frase, entre as múltiplas combinações possíveis para transmitir um significado completo e compreensível.

Abraços,

Jessica Marquês.

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O espaço da narrativa

A polissemia dos termos narração e narrativa é uma constante sendo variados e utilizados em contextos diversos. Entretanto, é possível se considerar de acordo com Reis & Lopes 1988; a narração como o ato de narrar e a narrativa como aquilo que foi narrado.

De acordo com o foco narrativo, no estudo da tipologia textual; a narração pode ser constituída essencialmente por meio de duas pessoas discursivas. Diante disso, sabemos que “A narração será feita sempre em primeira pessoa (aqui) ou em terceira pessoa (algures). Dessa maneira, teremos sempre um espaço que diz respeito a essa instância de criação do texto literário, considerado o ponto zero a partir do qual se cria a espacialidade da narrativa. Muitas vezes, teremos uma projeção do espaço da narração dentro da narrativa, outras vezes esse espaço só será pressuposto, pois quem narra narra sempre de algum lugar.”

Os lugares por onde a narrativa perpassa vão constituir o espaço dessa construção linguística, entretanto, esse espaço vai muito além do que o lugar onde a narrativa é ambientada, pois se considera também os lugares subjetivos presentes no âmago de cada ser, a depender do tipo de narrativa, ou seja, se ele é mais introspectiva, esses lugares aparecerão com maior forma e frequência. Também devemos entender que existem espaços sociais que vão sendo construídos e ganham forma ao longo da narrativa.

Naturalmente sabemos que o espaço na narrativa é o lugar físico onde as personagens circulam, onde as ações se realizam. Diante disso, podemos conceber o espaço como interno e externo. Mas, além disso, existem outras configurações para o que vem a ser o espaço da narrativa. Observe:

  1. O espaço ou ambiente físico: é aquele mais óbvio e mais fácil de identificar em um texto, pois é o espaço onde as cenas se desenrolam, tendo em vista a paisagem, o lugar literalmente físico ou a colocação dessas personagens em determinado local, é aqui que se configuram as ideias de espaço interno e externo, ou seja, em lugar fechado (um quarto, uma sala, uma casa, um escritório) como na obra “A metamorfose” do Franz Kafka, por exemplo. E o lugar externo sendo ambientado na praia, no campo, na floresta, no espaço, com “O mochileiro das galáxias” do Douglas Adams, por exemplo.
  1. O espaço ou ambiente social: irá apresentar as coincidências sociais, construindo um contexto que insere diversas personagens secundárias/ figurantes para nos apresentar os elementos de determinado contexto social. Esse tipo de construção é muito importante para a obra, pois irá construir não apenas os lugares físicos e visíveis, mas aqueles que estão embrenhados nos meandros dessa sociedade, por vezes, essa colocação vem apenas como um acessório que nos auxilia na construção da personalidade das personagens principais, ou se uma forma muito mais profunda, como uma denúncia social, por exemplo. Eis um exemplo desse tipo de construção: “Capitães de areia” de Jorge Amado ou “O cortiço” de José de Alencar.
  1. O espaço ou ambiente psicológico: nesse tipo de construção é possível conhecer a esfera interna dos seres fictícios. Muitas personagens, dependendo do tipo de construção narrativa, são seres complexos e marcadamente recheados de caracterizações psicológicas. Dessa forma é possível considerar também as experiências, os pensamentos e as emoções de cada personagem na narrativa como espaços ou ambientes psicológicos. As obras mais instrospectivas que vão nos apresentar esse tipo de construção, muitas vezes, podem nem apresentar o ambiente externo, algumas vezes podem configurar apenas as construções e situações ambientadas apenas na psqué desses seres, outras tantas, por sua vez, podem expor tanto o ambiente social quanto físico e ainda sim compor o ambiente psicológico, por exemplo a antologia “Além do ponto e outros contos” Caio Fernando Abreu.

É relevante destacar que os espaços preditos; físicos, sociais e psicológicos são estabelecidos  por meio de relações que vão se compor a  nível do discurso narrativo. Assim, a ambientação da narrativa pode não ser um mero recurso para situar as personagens no espaço, ela pode, ir mais além e contribuir para a construção, desenrolar ou até mesmo o desfecho da trama. Sendo fator fundamental para atenuar a atmosfera dramática, é claro que tudo dependerá da complexidade e da qualidade narrativa.

“A construção do ‘lugar’ ou do conjunto de lugares que um romance contém levaria à consideração de que o ‘espaço’ é, ao mesmo tempo, ‘meio’ do sentido e também seu ‘objeto’ (…)” (Suzuki open cite MONTEIRO, 2002:14).

Para se construir a ambientação na narrativa, colocamos em evidencia outro tipo textual, que se bem trabalhado pode auxiliar nessa explanação dos conflitos da narrativa, a descrição. É pertinente realizar uma descrição que atinja os cinco sentidos do leitor e, de certa forma, o transforme. Observe estes trechos em que há a construção do espaço na obra de Machado de Assis, Dom Casmurro:

“Ia entrar na sala de visitas, quando ouvi proferir o meu nome e escondi-me atrás da porta. A casa era a da rua de Matacavalos, o mês novembro, o ano é que é um tanto remoto, mas eu não hei de trocar as datas à minha vida só para agradar às pessoas que não amam histórias velhas; o ano era de 1857.”

“Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro. Uma lua quente de Verão entra pela varanda, ilumina uma jarra de flores sobre a mesa. Olho essa jarra, essas flores, e escuto o indício de um rumor de vida, o sinal obscuro de uma memória de origens. “ (ASSIS, 2016; p.11)

“Pelas nove da manhã deste dia de Setembro cheguei enfim à estação de Évora. Nos meus membros espessos, no crânio embrutecido, trago ainda o peso de uma noite de viagem […] Eis que me levanta de novo a imagem de meu pai, caído de bruços sobre a mesa, ao jantar, dias antes de eu partir. Todos os anos, pela vindima, meus pais queriam ali os três filhos pelo Natal. O Tomás vivia perto, tinha também a sua lavoura, mas não deixava nunca de comparecer ao jantar. Mas o Evaristo vivia na Covilhã. E agora, que escrevo esta história à distância de alguns anos, exactamente neste mesmo casarão em que tudo se passou, relembro vivamente o estrépito da sua chegada nessa manhã de Setembro. “(ASSIS, 2016; p.16)

Referências

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/pedagogia/o-espaco-da-narrativa/34413 acessado em 28 de abril de 2017 às 08h42.

SUZUKI, Júlio César. O espaço na narrativa: uma leitura do conto “Preciosidade”. Revista do departamento de geografia, 2006, pág. 54 a 57. São Paulo.

FILHO, OZIRIS BORGES. O espaço da narração e o espaço da narrativa. UFTM. ESTUDOS LINGÜÍSTICOS, São Paulo, 37 (3): 341-347, set.-dez. 2008.

Abraços,

Jessica Marquês.

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ORANGE IS THE NEW BLACK

Imaginar-se privada de sua liberdade, a mercê das vontades de outros, à espera de 15 meses debaixo de outras regras, regras estas muito mais divididas e demarcadas por questões que há tempos lutamos para serem diferentes. Os grupos formados por características históricas, sociais e étnicas semelhantes são invariavelmente colocados em evidencia a cada escolha e a cada passo que se decide dentro desse ambiente. As divisões raciais são muito mais claras e evidentes. Não sabia que era assim!

Um pouco dessa divisão é possível de se ver em uma das séries aclamadas da Netflix Orange is the new black em que se conta a história de Piper Kerman, uma balzaquiana condenada a 15 meses de reclusão pelos crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, pois carregou uma mala recheada de dinheiro relacionado ao crime de um país a outro Com a possibilidade de acompanhar não apenas a história da protagonista, mas de nos deixar levar pelas pessoas reais por detrás de cada uma daquelas personas, a série é muito feliz ao nos apresentar os contextos de cada personagens por meio dos flashbacks; em que a cada novo episódio mergulhamos numa nova narrativa, podendo acompanhar as escolhas que acabaram levando aquelas mulheres àquele lugar, ou talvez o que condicionou determinadas posturas ou condutas dentro da prisão.

A Piper não é apenas mais uma daquelas mulheres, a sua condição social e, até mesmo a sua própria pena reflete um pouco do perfil de pessoas que são destinadas a uma cadeia. Poder conhecer essas histórias, acompanhar os dramas e as situações de cada personagem, dos diversos grupos étnicos presentes ali faz com que coloquemos a nossa liberdade e as nossas oportunidades de vida em outro patamar, passamos a valorizar mais tudo àquilo que nos concerne, e aflora em nós o desejo de lutar para que outras pessoas também tenham acesso àquilo que lhes é de direito, e não precisem buscar em ações criminosas uma alternativa para viver.

É claro que enquanto produção televisiva a série vai além desses meandros sociais e abarca também questões comuns em tramas desse gênero, e as aventuras pelas quais as personagens passam, as escolhas e os caminhos que são colocados diante da protagonista ou mesmo o fim que levou algumas personagens praticamente me obrigaram a ler o livro que serviu de base para esta produção. Afinal, eu simplesmente precisava saber até que ponto aquilo era real, tamanha a proporção dos acontecimentos da série. Quem sabe em outro artigo eu me dedique a falar especificamente da série, mas, apesar de não parecer, esta é uma resenha sobre o livro intitulado: “Orange is the new black – o ano que passei numa prisão de mulheres” escrito e vivido por Piper Kerman e que também atua como consultora executiva da série predita.

“O laranja era a cor da moda” (KERMAN, 2016, p.75)  Após receber uma carta de sua melhor amiga – Kristen, a qual evidenciava  por meio de uma página de jornal que as nova-iorquinas estavam sendo solidárias com a Piper, pois estavam portando a cor laranja tanto nas vestimentas quanto nos acessórios “laranjinas à solta” era o título  da reportagem que ao mesmo tempo permitia o trocadilho com o uniforme prisional e  antagonizava com a questão da falta de liberdade.

Naturalmente, por ter apenas baseado a produção da Netflix, o livro é bem diferente, é claro que esta diferença eu já esperava tendo em vista os formatos distintos, mas não imaginava tamanha diferença entre eles, só para se ter uma ideia, a espera de Piper para ir à prisão foi de seis anos, ela e seu noivo e depois marido, Larry Smith mantiveram o relacionamento durante todo o tempo em que ela esteve no instituto penal e continuaram juntos depois que ela saiu, praticamente nenhuma das, digamos, peripécias pelas quais a personagem da série passa aconteceram de fato com a pessoa da vida real, o que senti ao ler o livro foi a oportunidade de conhecer uma Piper Kerman, completa e indiscutivelmente diferente da personagem que acompanhamos na série.

Além disso, muitas das personagens  que conhecemos na série e que amamos são na verdade a ramificação de uma determinada personagem em muitas, os nomes que são apresentados no livro são diferente dos da série e na obra literária apenas duas pessoas permitiram que a escritora utilizasse o seu nome real. Aproveita-se a personalidade complexa de uma determinada personagem, por exemplo, e a divide em outras tantas pessoas quando se passa à produção televisiva.

 Em muitos momentos da leitura me encontrava à procura de determinada personagem, mas percebi que ela não estava lá e sim fazia parte da personalidade de uma pessoa específica. É um exercício interessante! Além disso, alguns laços emotivos ou fraternais são realizados com pessoas diferentes se compararmos o livro e a série. No livro reverbera-se o quanto a vida real na verdade é muito mais tediosa e normal do que se apresenta nas filmografias (que bom que existe a ficção para encher o nosso dia com mais emoções).

É válido ressaltar que a rede familiar e de verdadeiros amigos da Piper não é nem um pouco demarcada na série, os seus amigos fizeram inclusive um blog www.piperbomb.com em que inseriam a lista de desejos da Amazon com os livros que ela almejava ler, apresentam ali no formato de diário algumas informações sobre a trajetória da jovem na prisão, assim como dados importantes para quem quisesse visitá-la ou enviar algo a ela. Essa rede de amigos e familiares é o que diferencia a história da Piper com outras tantas mulheres que são “esquecidas” nas prisões femininas.

Essa questão da diferença entre a mulher que vai para a prisão e o homem, o abandono é um elemento quase comum para diversas reportagens sobre o assunto, quando um homem vai à cadeia, as filas para as visitas são sempre gigantescas, outras mulheres de alguma forma lhes fornecem apoio – mães, esposas, namoradas, irmãs, amantes, primas, tias, avós, noivas, amigas, etc. Basta passar em frente a alguma prisão antes do horário de visitas para constatar essa situação. Quando o gênero é inverso, não se percebe isso, nas filas das prisões de mulheres, não se encontram a mesma quantidade de homens à espera de sua outrora companheira. Há um expressivo abandono!

Desde o início estamos cientes de que não vamos conhecer uma história comum ou que reflita a realidade das mulheres que estão na cadeia, quando temos acesso tanto ao livro quanto a série, a Piper Kerman não está em nenhuma instância nas mesmas condições às quais estão subjugadas a maioria das mulheres encarceradas, isto porque estamos conhecendo a realidade norte-americana das prisões e de uma mulher de classe média alta e calcaziana, seja com esta série ou com a Prison Break, por exemplo. Mas e quando falamos de Brasil?? Com certeza a realidade é outra, muito mais triste do que acompanhamos nas séries e filmes ambientadas no contexto Estadunidense.

De acordo com um estudo divulgado no portal www.mulheresemprisao.org.br (vale a pena conferir!) promovido pelo Instituto Terra, Trabalho e Cidadania – ITTC e pela pastoral carcerária, vivem em torno de 34 mil mulheres nas prisões brasileiras, acontece que metade dos casos é por transporte ou comércio de pequenas quantidades de drogas ilícitas.  O questionamento levantado pela organização de direitos humanos e difundida no site é:  será que estas mulheres deveriam estar presas? Será que não haveria outra medida para promover a justiça pelos seus atos?

Nesse portal é possível conhecer também as Regras de Bangkok que “vêm para reforçar a urgente necessidade de mudar o quadro de negligência, confinamento e abandono a que são submetidas as mulheres em conflito com a justiça.”* Ao final do livro resenhado hoje também encontramos esse clamor para a busca da verdadeira justiça diante dos casos que envolvem as prisões femininas. E você já parou para pensar um pouco sobre a realidade das mulheres que vivem nas prisões de seu país? Será que existe algo que você possa fazer? Informe-se pelos sites que deixei nas referências e você descobrirá!!!

Pequena lista de grandes livros que tratam do assunto de mulheres nas prisões no Brasil!**

1. Cadeia: relatos sobre mulheres, de Débora Diniz – A antropóloga e professora da UnB Débora Diniz conta, neste livro, histórias que ouviu na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, quando fez sua pesquisa no núcleo de saúde da instituição. Lá, ela ouviu as vidas das internas e as intervenções da equipe de saúde, composta por uma psicóloga, uma psiquiatra e um assistente social.

2.    Presos que menstruam, de Nana Queiroz – Neste livro, a jornalista Nana Queiroz traça um panorama das experiências vividas por estas mulheres que, no sistema prisional, são tratadas como homens.

3.    Prisioneiras: vida e violência atrás das grades, de Barbara Musumeci Soares e Iara Ilgenfritz da Silva – As autoras mostram, neste livro, como é a vida das mulheres presas no estado do Rio de Janeiro. Narrando minuciosamente sua chegada na prisão, as intervenções feitas e a dinâmica da instituição, até mesmo o leitor que nunca esteve numa prisão consegue imaginar-se em uma.

4.    Auri, a anfitriã: memórias do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa, de Aline Moura e Bárbara Almeida –  As jornalistas cearenses Aline Moura e Bárbara Almeida contam, aqui, as histórias de quatro internas da única penitenciária feminina do Estado do Ceará. O livro resultou de um trabalho de conclusão de curso da Universidade Federal do Ceará (UFC).

 

*Trecho retirado do site: http://mulheresemprisao.org.br/

** Livros indicados pelo site: http://notaterapia.com.br/ 

Referências

KERMAN, Piper. Orange is the new black – o ano que passei numa prisão de mulheres. Lisboa: Relógio d´água, 2016.

http://mulheresemprisao.org.br/ acessado em 15 de abril às16h.

http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/07/descubra-como-e-vida-das-mulheres-nas-penitenciarias-brasileiras.html acessado em 15 de abril às16h.

http://notaterapia.com.br/2016/02/11/4-livros-que-relatam-a-vida-das-mulheres-presas-no-brasil/ acessado em 15 de abril às16h.

http://www.thepipebomb.com/ acessado em 15 de abril às16h.

Até a próxima!

Jessica Marquês.

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Onde está Wally? – Uma leitura não-verbal

A leitura pode ser feita de diversas formas, umas delas pode se dá por meio da leitura de uma caracterização não verbal, por exemplo, a série de livros de grande sucesso dos anos 90, produzida pelo britânico Martin Handford; Where´s wally?´criada há 30 anos, em 1987 foi uma fenômeno da cultura pop dos anos 90.

Nessa série, o leitor se coloca na posição de detetive o qual deverá encontrar a personagem principal, chamado originalmente de Wally, este jovem veste de óculos redondos, com uma blusa e gorro listrado vermelho e branco, sempre com uma bengala (apesar de jovem), porta também uma máquina fotográfica e uma mochila muito bem equipada. A cada conjunto de páginas apresentam-se diferentes cenários com muitas, muitas, muitas pessoas naquele ambiente e em situações as mais adversas e bizarras possíveis. O desafio é simples, encontre esse jovem com as características preditas e avance para a nova aventura.

A leitura é configurada com o recurso que hoje chamamos de “gameficação”, a busca parece um jogo no qual você embarca na aventura junto com o Wally, vislumbrando nessa busca, vários cenários e lugares. Em cada página há também um cartão postal e algumas palavras do personagem principal. Se você nunca participou dessa aventura, eu o aconselho a ler este postal depois de encontrar o jovem, pois nele há algumas dicas que podem parecer mais como spoilers, ajudando-o a encontrar, faço isso, pois acredito que o interessante seja, observar cada cantinho de cada ilustração.

Ao longo de suas edições que venderam mais de 43 milhões de exemplares, em mais de 33 países e 22 línguas, houve algumas traduções para a personagem principal em outros países, observe essa lista com os outros nomes de Wally:

  1. Уоли (Uoli) (búlgaro)
  2. 월리 (Wolli) (coreano)
  3. Waldo (inglês americano e inglês canadense)
  4. Walter (alemão)
  5. Charlie (francês)
  6. Wally (italiano)
  7. ウォーリ (Wōrī) (japonês)
  8. 威利 (Wēi lì) (chinês)
  9. Holger (dinamarquês)
  10. Willy (norueguês)
  11. Valle (sueco)
  12. Valli (islandês)
  13. Valik (checo)
  14. Vili (húngaro)
  15. Jura (croata)
  16. Volli (estoniano)
  17. Hetti (híndi)
  18. אפי (Efi) (hebraico)
  19. Javier (Colombia)

Além dessa personagem principal, conforme a narrativa ganhou fama, outras personagens foram acrescentadas às aventuras, de modo que o leitor/ detetive, possa realizar diversas buscas num mesmo cenário. Estas personagens, se confundem com o personagem principal, pois portam algumas vestimentas semelhantes às dele. Assim temos as seguintes personagens:*

Wilma: Amiga de Wally apareceu pela primeira vez na The Ultimate Fun Book, e foi substituída por sua irmã gêmea idêntica Wenda no caso de Wally: The Magnificent Poster Book.

Wenda: Amiga de Wally que substituiu sua irmã gêmea, Wilma de In Hollywood (embora ela já apareceu em The Magnificent Poster Book).

Odlaw: Antagonista da série, que fez sua estreia de impressão no cartaz Magnificent Livro. Ele parece quase o mesmo que Wally, exceto que sua roupa é amarela e preta com listras em vez de vermelho e branco, os óculos têm um tom azul para eles; e ele tem um bigode. Embora nós saibamos que “suas más ações são muitas,” ele não é retratado nos livros de fazer qualquer coisa particularmente desagradável. Entretanto, na série de TV, ele é frequentemente visto com a tentativa de roubar algo de Wally. Note que o nome ‘Odlaw “é simplesmente “Waldo” soletrado ao contrário, que é o nome americano para Wally.

Woof:  Cão sem raça definida  de Wally, apareceu pela primeira vez na diversão final do livro, onde ele foi identificado como cão da Wenda. Somente a cauda pode ser encontrada por várias vezes:. O Livro Wonder e os seis livros de atividades lançados entre 1993 e 1995, Woof se mostra para o leitor.

Mago Barba-Branca: Apareceu pela primeira vez em A Viagem Fantástica. Sua assinatura é a barba excepcionalmente longa, que muitas vezes é a chave para encontrá-lo. Em sua primeira aparição, ele foi responsável pelo envio de Wally em uma busca para descobrir a verdade sobre si mesmo, e ele tem marcado presença desde então. Sua aparição em The Ultimate Fun Book, no entanto, é em apenas uma cena (“Old Friendeco”) e sua presença é omitido no livro e atua como um dos personagens de fundo.

Os “Sentinelas”: São seguidores de Wally dedicados ao seu fã-clube. Existem muitos deles (25 aparecem na maioria dos livros, embora haja 99 deles no The Ultimate Fun Book), e eles aparecem sempre onde Wally vai. Nos livros anteriores, um personagem aparece em cada cena e tem-se de olhar para saber quem é, porque não há informações sobre os personagens. Os personagens apareceram como personagens de fundo e todos tinham algo exclusivo para eles, como o cabelo loiro ou uma barba de gengibre, etc.

Essa série possui sete livros principais:

  • Onde está o Wally?
  • Onde está o Wally? 2 Um Passeio na História
  • Onde está o Wally? 3 Uma Viagem Fantástica
  • Onde está o Wally? 4 O Livro dos Jogos
  • Onde está o Wally? O Livro Maluco
  • Onde está o Wally? A Grande Caça aos Quadros
  • Onde está o Wally? Hollywood

Mas extrapolou o universo da produção literária e já foi adaptado para uma série animada, distribuída pela Dic Entertainment and Waldo Films, a série foi ao ar na televisão americana originalmente na CBS kids.  foi executada em uma temporada com 13 episódios de meia hora cada, além de outros 4 filmes de animação.

Além disso, essa franquia se tornou game, ele tem como inspiração o terceiro livro da série, “Onde está Wally? A viagem fantástica”. O jogo é voltado para toda a família e tem como objetivo encontrar a personagem principal o mais rápido possível tendo como ambientação mapas interativos. Atualmente ele está disponível para Wii, Nintendo Ds ou computadores.

O autor dessa incrível produção afirma que almejava“inspirar as crianças – para abrir suas mentes para explorar assuntos mais – para estar ciente do que está acontecendo em torno deles. Eu gostaria que eles vejam maravilha em lugares que podem não ter ocorrido a eles.” Ele leva até oito semanas para construir cada imagem  do livro, e também ressalta que insere o personagem Wally somente no final: “À medida que trabalho o meu caminho através de uma imagem, eu adiciono Waldo quando eu chegar ao que eu sinto é um bom lugar para escondê-lo”, relata Martin Handford.

Ele também já revelou qual é a sua imagem predileta de todas essas produções, ela está inserida no quarto livro da série “Wally em Hollywood”  na página em que há um musical, nessa página há também um diretor com as iniciais MH, acredita-se que esta imagem poderia ser o autor inserindo-se em sua própria produção.

Antes de produzir o famoso Wally, Martin Handford  trabalhou como ilustrador freelancer especializado em cenas de multidões, quando recebeu um convite para mostrar o seu singular talento, a personagem principal nasceu como um elo para ligar cada cena. “É isso que Waldo é – uma reflexão tardia”, diz ele. “Como se vê, os fãs estavam mais interessados no personagem do que nas cenas de multidão.” Afirma.

 

A gente se encontra por aí!

Jessica Marquês.

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Super Mario Run!!!

Finalmente saiu o novo jogo do Mário desenvolvido pela Nintendo para smartphones nas plataformas android ou IOS. Ele foi lançado primeiro para IOS os quais já puderam jogar desde o dia 15 de dezembro de 2016. Nós relis mortais do android só tivemos o prazer de conhecer esse jogo no dia 23 de março desse ano.

No site oficial do Super Mario run podemos vislumbrar alguns vídeos sobre o game e inclusive um lindo vídeo intitulado “Do You Know Mario?” Fico a pensar quem será que não conhece o mário? Esse texto agora se tornou quase que uma utilidade pública, afinal, todos precisam conhecer o Mário!!!! (eu sei que essa não é a realidade de TODO o mundo, ok? Confesso que me exaltei um pouco)

Enfim, voltando à realidade, para aqueles que conhecem esse jogo que já possui três décadas, esse vídeo é um vislumbre para rememorarmos as edições anteriores do jogo, de uma forma rápida e divertida.

Passemos então aos apontamentos acerca do novo game, a proposta da Nintendo é que você possa jogá-lo com uma mão, por isso, o Mário corre sem parar, na verdade quando digo sem parar é uma expressão, pois existem alguns bloquinhos de pausa em que ele pode parar enquanto você planeja qual estratégia adotar, qual caminho a seguir.

Ele continua tão lindo como nas versões para DS ou do console da Nintendo, e ainda traz alguns recursos de outros games atuais, como a possibilidade de realizar uma batalha com outro player. Nessa modalidade do jogo, você faz uma batalha em que você e outro gamer vão correr “sem parar”, mas o objetivo do jogo não é chegar primeiro ao final da linha, e sim quem consegue pegar mais moedas e ainda consegue ganhar mais liks dos diversos, fofos e lindos toads de várias cores (vermelho, verde, azul, roxo e amarelo).

Essa modalidade do jogo é muito divertida, ao final de cada batalha, você pode ganhar ou perder mais toads para o seu mundo. A quantidade de Toads é fundamental para liberar outras fases ou comprar o ovo que vai gerar o querido Ioshi. Não só a quantidade, mas também as cores podem influenciar para a liberação de determinados elementos. Como produtos na loja do jogo em que você pode adquirir para deixar o reino do Mário no seu estilo, podendo incluir construções ou acessórios decorativos, o meu mundo já está assim, observe aquele pequeno castelo ao fundo, ele era um casebre, mas conforme você vai ganhando corridas, e conquistando mais Toads, vai evoluindo de nível e deixando esse castelo mais suntuoso.

O que não achei interessante nessa batalha é que ela não é feita em tempo real com os gamers, como o jogo Clash Royale, por exemplo, em que você para batalhar precisa esperar outro game de qualquer parte do mundo estar online ao mesmo tempo que você ou quando vai jogar com algum parceiro. Pelo que observamos até o momento, acreditamos que quando alguém seleciona batalhar conosco, é apresentado o nosso melhor desempenho no referido mundo daquela corrida. Como fica os Toads que eventualmente perdemos nessas batalhas em que apenas somos desafiados, eu ainda não sei. Acredito que só perdemos os Toads quando desafiamos a corrida e ainda perdemos. Eu prefiro o estilo que acontece no Clash Royale.

Não posso negar que estou amando o Super Mario Run, apesar de não gostar dele correr sem parar, pois infelizmente sou de uma geração em que vídeo game era pare meninos e só pude desfrutar dessa maravilha depois de uma certa idade, com mais liberdade para as próprias escolhas. Então, infelizmente não tenho muito bem desenvolvidas as habilidade de pegar todas as moedas ou recursos especiais, na primeira passada. Consegui zerar o meu New Super Mário do DS, voltando em alguns momentos para buscar aquilo que almejava. Entendo que o jogo é Super Mário Run, mas poderia ter alguma opção para eu escolher não correr sem parar nos mundos que devo conquistar. Acredito que este será o meu maior desafio no que se refere ao jogo, adaptar-me a este modo de jogabilidade.

Outro elemento que não gostei é quanto ao valor do jogo, pois ele é gratuito apenas para as três primeiras fases e o primeiro castelo do chefão. Para você jogar os demais mundos é necessário desembolsar a bagatela de R$35,00!!!!! Já imaginou se todo jogo tivéssemos que obrigatoriamente desenbolsar um valor? Inicialmente, pensei que fosse necessário pagar somente aqueles que desejassem chegar mais rápido a estes mundos e que com determinadas conquistas apresentadas pelo jogo, seria possível evoluir ao ponto de liberar aos poucos, conquista a conquista  os mundos subsequentes, mas não, meus amigos, é isso aí, se quiser jogar vai ter que pagar. Eles fazem isso porque sabem que vamos comprar, afinal, agora posso ter o meu jogo predileto sempre à mão, no meu smatphone.

Eu sei que a questão de espaço é um mega desafio para jogos, principalmente para jogos como este com tantos recursos interativos, mas ele ocupa um espaço considerável no celular, e depende, até mesmo quando não está em batalha com alguém, de conexão à internet. Esse fator limita um pouco à prática do jogo, pois acredito que seria interessante ele pelo menos jogar no modo treino enquanto estivermos offline.

Não conhece ainda o Super Mario Run? Apague algumas coisinhas do seu smathphone e o corra para baixá-lo!

Abraços,

Jessica Marques.

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Cantiga de amor – Trovadorismo

A essa altura já sabe que quando falamos em produção literária no Trovadorismo, a sua principal marca são as cantigas que são divididas em dois gêneros literários. No artigo de hoje falaremos sobre as cantigas de amor, mas antes disso é fundamental compreendermos o que vem a ser o gênero lírico, pois tanto a cantiga de amor quanto a de amigo estão inseridas nesse gênero literários, conforme apresentado no quadro abaixo:

Gênero lírico Gênero satírico
Cantigas de amor Cantigas de escárnio
Cantigas de amigo Cantigas de maldizer

 

Gênero lírico

O gênero lírico consite na manifestção do “eu”, ou seja, os sentimentos pessoais são descritos, tais como; a angústia, a emoção e os estados da alma, por isso é o gênero mais subjetivo. O nome lírico vem da palavra lira, instrumento musical que acompanha os cantos gregos, ressaltando que por vários anos os poemas eram cantados. Dentre as várias formas de poemas, encontra-se:

  • Ode: poesia de exaltação.
  • Hino: poesia de gloricação da pátria o ude deuses.
  • Elegia: poesia com temáticas tristes (morte, fatos tristes).
  • Edílio e écloga: poesia pastoris e bucolícas.
  • Sátira: poesia crítica.

Tendo em vista que essas produções eram baseadas numa cultura de oralidade tão comum na Era Medieval as cantigas eram poesias produzidas para serem cantadas sob o acompanhamento de instrumentos musicais e também de um coro. Elas eram sempre escritas por homens, mas o eu lírico muitas vezes mudava.  Cada tipo de cantiga possui objetivos e características específicos. Observe estes elementos nas cantigas de amor.

  • Composição masculina;
  • Eu lírico masculino;
  • Ambiente palaciano (corte);
  • Amor idealizado (a mulher é um ser idealizado, superior, o eu lírico é servo da mulher amada);
  • Composições que projetam a vida na corte;
  • Visão subjetiva do amor (apresenta o sofrimento amoroso).

Um dos principais compositores de cantigas de amor foi o rei trovador D. Diniz, lembrando que estas cantigas eram produzidas no idioma galego-português. Eis uma de suas composições.

Canção de amor

D. Diniz

Quer’eu em maneira de proença!

fazer agora um cantar d’amor

e querrei muit’i loar lmia senhor

a que prez nem fremosura nom fal,

nem bondade; e mais vos direi ém:

tanto a fez Deus comprida de bem

que mais que todas las do mundo val.

Ca mia senhor quizo Deus fazer tal,

quando a faz, que a fez sabedord

e todo bem e de mui gram valor,

e com tod’est[o] é mui comunal

ali u deve; er deu-lhi bom sém,

e desi nom lhi fez pouco de bem

quando nom quis lh’outra

foss’igual

Ca mia senhor nunca Deus pôs mal,

mais pôs i prez e beldad’e loor

e falar mui bem, e riir melhor

que outra molher; desi é leal

muit’, e por esto nom sei oj’eu quem

possa compridamente no seu bem

falar, ca nom á, tra-lo seu bem, al.

Tradução:

 Quero à moda provençal

fazer agora um cantar de amor,

e quererei muito aí louvar minha senhora

a quem honra nem formosura não faltam

nem bondade; e mais vos direi sobre ela:

Deus a fez tão cheia de qualidades

que ela mais que todas do mundo.

Pois Deus quis fazer minha senhora de tal modo

quando a fez, que a fez conhecedora

e todo bem e de muito grande valor,

e além de tudo isto é muito sociável

quando deve; também deu-lhe bom senso,

e desde então lhe fez pouco bem

impedindo que nenhuma outra fosse igual a ela

Porque em minha senhora nunca Deus pôs mal,

mas pôs nela honra e beleza e mérito

e capacidade de falar bem, e de rir melhor

que outra mulher também é muito leal

e por isto não sei hoje quem

possa cabalmente falar no seu próprio bem

pois não há outro bem, para além do seu.

 

 

Nota geral:

“ Cantiga de amor que D. Dinis pretende fazer “à maneira provençal”, o que se traduz num louvor superlativo à sua senhora: a mais formosa, a mais bondosa, a que tem maiores qualidades, a mais nobre, mas também a que sabe ser simples quando convém, a mais sensata, a que sabe falar bem e rir melhor, a mais leal…

Trata-se de uma das mais conhecidas cantigas de amor de D. Dinis, uma composição que não só confirma o seu o perfeito conhecimento lírica provençal, mas também a consciência que tinha de ser “a maneira provençal” a matriz do género galego-português a que pertence esta composição, a cantiga de amor,

Acrescente-se que, formalmente, a cantiga segue igualmente o modelo provençal, sendo de mestria, com estrofes uníssonas e ainda com inclusão de palavra-rima.” *

 

Existem vários cantores e grupos musicais que se dedicam a fazer interpretações dessas cantigas medievais ou ainda apresentar uma releitura, desenvolvendo assim, uma recriação moderna de tais composições. É possível encontrar algumas dessas interpretações no Youtube, mas de forma mais completa existe um site português (http://www.cantigas.fcsh.unl.pt) que apresenta um verdadeiro e complete banco de dados com todas as informações acerca das cantigas trovadorescas, assim como dos cancioneiros, apresentando inclusive imagens desses cancioneiros. Vale a pena conhecer!!!

*Nota geral retirada do site: http://www.cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=544&tr=4&pv=sim

 

Referências:

http://www.cantigas.fcsh.unl.pt

Com amor,

Jessica Marquês.

 

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Foco narrativo

Já sabemos que a tipologia textual conhecida como narração tem elementos e estruturas específicos, diante disso existem características que devemos conhecer, uma delas é o foco narrativo, que consiste na estrutura narrativa, ou seja, na construção do texto na primeira pessoa do discurso ou na terceira. Para cada construção existem estratégias e recursos diferentes. Desse modo temos:

Foco narrativo em primeira pessoa

  1. Narrador personagem: Conta a história em primeira pessoa, pois faz parte dela, por isso esse texto é marcado por subjetividade, limitada a um único ângulo de visão acerca da história. Apresenta além dos fatos, uma carga emocional sobre eles. O interessante é que este tipo de narrador pode contribuir para o clima de suspense da narrativa tendo em vista que as circuntâncias e os fatos são limitados para o narrador, o leitor descobre junto com ele no decorrer da narrativa.
  2. Narrador protagonista: como o próprio nome diz, aqui o narrador personagem é o foco principal da narrativa, assim toda a trama gira em torno dele, por isso, ao narrar apresenta-se com uma carga emocional muito maior. O leitor terá, nesse caso, a visão subjetiva dessa personagem e uma visão limitada às suas emoções com relação à narrativa. Saberá da trama sob o olhar de quem a vive diretamente.
  3. Narrador testemunha: o narrador faz parte da história, mas não é a personagem principal, ainda sim, teremos uma visão subjetiva da situação, entretanto, como a trama não está centrada nele, a carga emocional é menor.

 

Foco narrativo em terceira pessoa

  1. Narrador onisciente: a palavra “onisciente” deriva do latina cujo prefixo “oni” significa todo e a palavra “ciente” refere-se àquele que tem ciência, ou seja, conhecimento de algo. O narrador onisciente, é como se fosse um deus na narrativa, ele conhece todos os ângulos da história, inclusive o pensamento, as sensações, as emoções de todas as personagens. Ele é capaz, inclusive de descrever ações que acontecem ao mesmo tempo em lugares diferente, ele também é onipresente.
  2. Narrador onisciente neutro: por mais que ele conheça tudo acerca da história e das personagens, ele apenas descreve as ações e as personagens, sem apresentar opiniões a respeito delas, desse modo, ele não influencia o leitor. Descreve os fatos para uma compreensão mais ampla da narrativa.
  3. Narrador onisciente seletivo: conhecedor de tudo, apresenta os fatos, os acontecimentos e  as personagens e ainda tece observações e opiniões acerca de cada elemento da narrativa, trazendo certa influencia para o leitor se posicionar contra ou a favor.
  4. Narrador observador: Não faz parte da história, nem conhece todos os elementos da narrativa, este narrador tem apenas um ângulo da história. É alguem que acompanha uma história de fora, por isso, suas observações são mais objetivas, porém limitadas ao seu raio de visão acerca dos acontecimentos concernentes àquela narrativa.

A não ser que seja uma intenção dentro de sua produção narrativa, não se deve mudar o foco narrativo de seu texto ora escrevendo na terceira, ora na primeira pessoa do discurso.

 

Abraços,

Jessica Marquês.

 

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Qual a diferença entre onde e aonde?

Antes de entendermos as diferenças ortográficas dessas formas é relevante compreendermos que o termo “onde” não pode ser usado como o curinga na qual muitas vezes ele é aplicado, tendo em vista que só se deve utilizar onde quando referir-se a lugar físico, caso contrário deve-se utilizar o termo “em que” ou “no qual” (e suas variantes)

A reunião onde  em que/ na qual atuei foi fenomenal!

Nas oportunidades onde  em que/ as quais eles se encontravam.

 O estatuto onde  em que / no qual ele considerou para a sua defesa final estava desatualizado.

Atençao! Sempre que utilizar o termo “onde” em seu texto, volte e verifique se ele está fazendo referência a lugar físico, se não for o caso, substitua-o pelo termo “em que”.

Sabendo que onde ou aonde só são utilizados para se referir a lugares físicos, quando devemos utilizá-los?

Para considerar a diferença entre os termos, deve-se considerar os verbos que os acompanham, sabendo fazer essa análise a diferenciação é simples, veja:

  1. Onde : será utilizado com verbos que indicam estado ou permanência, por exemplo:

Não sei onde estou.

Vivo no mesmo prédio onde mora  o homem-aranha.

Onde ficou meu celular?

  1. Aonde também é utilizado para trasmitir a ideia lugar, mas deverá ser utilizado quando acompanhado de verbos que indicam movimento, tais como: ir, chegar, dirigir, dentre outros.

Aonde você vai?

Aonde chegamos agora?

Aonde devo me dirigir para conseguir essa assinatura?

 

Basta considerar o verbo para diferenciar!!!

Gramaticalmente o termo  “onde” pode exercer a função de pronome relativo, advérbio interrogativo, adjunto adverbial os quais serão apresentados quando iniciarmos nossos estudos sintáticos

Até breve!

Jessica Marquês.

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Você (Brasil e Portugal)

Já parou para pensar que o comumente “você” utilizado no Brasil pode ter uma aplicação um pouco diferente em Portugal? Sabemos que o pronome de tratamento “você” é utilizado para se referir a segunda pessoa (com quem se fala), mas ele recebe a conjugação verbal na terceira pessoa. Isso acontece, pois existe uma segunda pessoa indireta.

A segunda pessoa indireta será considerada quando pronomes que indicam o nosso interlocutor, ou seja, a pessoa com quem falamos, a segunda pessoa do discurso, entretanto, ao invés de apresentar verbos conjugados na segunda pessoa do discurso, realiza a construção textual por meio da terceira pessoa do discurso. Temos essa situação com os pronomes de tratamento.

Em algumas regiões do Brasil, o pronome de tratamento “você” ganhou estatuto de pronome pessoal, e nessas áreas houve quase uma extinção do uso do “tu” e do “vós”. Na maior parte do Brasil, o “você” é a forma mais comum de se dirigir a qualquer pessoa, é claro que para as pessoas mais velhas ou em situações formais, superiores hierárquicos ou autoridades, nós utilizamos os pronomes de tratamento, “senhor” ou “senhora” e as suas variações de número.

É nesse quesito que encontramos a diferença do pronome “você” entre Portugal  e Brasil, porque esse pronome em Portugal é uma forma de tratamento semi-formal, então nas situações de informalidade que no Brasil chamamos a pessoa de “você”, em Portugal seria como se num contexto informal você estivesse tratando a pessoa tal qual nós aplicamos o senhor/senhora no Brasil.

Dependendo do contexto, isso não pega muito bem, apesar de que os Portugueses já sabem como nós utilizamos o “você” e entendem que é a nossa maneira informal de se dirigir a alguém. E esse “você”, de maneira informal, não é exclusivo da língua portuguesa falada no Brasil, outros países lusófonos também o utilizam de maneira informal. E como existem muitos imigrantes desses países vivendo em Portugal esses conterrâneos já conhecem essa nossa prática com o termo “você”.

Uso dos pronomes pessoais e formas de tratamento
1.ª pessoa singular Eu falo
2.ª pessoa singular Tu falas Brasil (algumas regiões): pouco usado

Portugal: informal

3.ª pessoa singular Ele/Ela

Você

O senhor/A senhora

A gente

fala Você no Brasil: informal

Você em Portugal e algumas regiões brasileiras: semi-formal

O senhor/A senhora: sempre formal

A gente: sempre informal

1.ª pessoa plural Nós falamos
2.ª pessoa plural Vós falais Brasil: não se usa

Portugal: usa-se (pouco) nos dialectos setentrionais e galegos

3.ª pessoa plural Eles/Elas

Vocês

Os senhores/As senhoras

falam Vocês: sempre informal

Os senhores/As senhoras: sempre formal

Se, por exemplo, você precisar escrever algum texto publicitário é fundamental conhecer essas diferenças, e aplicá-las no contexto correto, seja ela formal ou informal. Além disso, é primordial produzirmos um texto ou enunciarmos utilizando a Uniformidade de Tratamento, ou seja, quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”, não poderemos usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa.

Por exemplo:
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (errado)
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. (correto)
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (correto)

Algumas observações sobre o modo como se dirigir a segunda pessoa do discurso, num contexto informal no Brasil:

  • Apesar do pouco uso do pronome tuno português falado na maior parte do Brasil, o seu correspondente pronome oblíquo te ainda é amplamente utilizado no português brasileiro, frequentemente em combinação com formas pronominais e verbais de terceira pessoa. Apesar de comum mesmo entre falantes escolarizados, o uso de te com você é condenado pelas gramáticas normativas usadas nas escolas brasileiras e é evitado na linguagem formal escrita.
  • O pronome possessivoteu também é ocasionalmente usado no português brasileiro para referir-se à segunda pessoa, embora seja menos comum do que o oblíquo te.
  • A combinaçãovocê/te/teu no português brasileiro falado assemelha-se em natureza à combinação vocês/vos/vosso encontrada requentemente no português europeu coloquial.
  • Otu é amplamente utilizado nas regiões norte  e sul, mas conjugado requentemente na 3ª pessoa do singular: Tu fala, tu foi, tu é. Em algumas regiões do Norte e do Nordeste, o uso do tu na forma culta (conjugado na 2ª pessoa do singular) é até bem mais usado que o você.
  • Em alguns lugares da região Sul e em praticamente todo o Nordeste, o tratamento portu é mais comum, usando-se os pronomes pessoais oblíquos de forma mais consistente (p.ex. para ti, com o mesmo significado que teria para você).
  • Em parte da região sul e do Nordeste, muitas vezes conjuga-se o pronome pessoal tu com a mesma forma utilizada na 3ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do subjuntivo para referir-se ao pretérito perfeito do indicativo. Ex: Tu fizesse isso? Tu comesse no bar ontem?

 A gente se vê,

Jessica Marquês.

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A maldição do tigre

Você provavelmente já ouviu o ditado “Não se pode julgar o livro pela capa” nesse tipo de ensinamento aprendemos que não devemos julgar pelas aparências, que devemos nos permitir conhecer a essência dos seres, e nos livrarmos das concepções pré-concebidas. Mas sabemos que na prática não é tarefa fácil, pois criamos a todo o momento conceitos “pré” formados acerca de quase tudo que nos cerca, é uma luta diária para quebrar os que já existem e evitar que novos faça parte da nossa vida.

Mas e quando isso acontece com um livro, quando o mercado editorial consegue apelar para o consumidor por meio da imagem concebida na capa? Quando nos sentimos atraídos quase que involuntariavelmente pela capa do livro, quando julgamos que aquela capa representa qualidade textual? O que devemos fazer quando isso acontece?

O problema desse tipo de interpelação é que depositamos muitas expectativas para a narrativa que iniciamos a leitura, narrativa não, saga, pois estou me referindo a obra intitulada “A maldição do tigre” livro inaugural da escritora norte americana Colleen Houck que antes de estar nas prateleiras das livrarias, convencendo-nos a adquirir a referida obra, esteve nos meandros da internet, pois foi publicada em primeira instância como e-book, até que com o sucesso de sua publicação alcançou esse status de publicação física.

Quando iniciei a minha leitura dessa obra estava com a expectativa muito alta, pretendia me ingressar numa nova saga literária, havia recebido recomendações do livro de algumas leitoras que convivia e esperava uma história envolvente e apaixonante. Infelizmente, não foi o que encontrei. Mas não culpo a escritora por isso, eu sou a maior responsável por isso, porque depositei uma expectativa muito grande na obra, se tem algo que vamos aprendendo com a vida é a não criar grandes expectativas para nada, essa simples estratégia nos ajuda a gostar mais das coisas, tendo em vista que se a expectativa é baixa, a chance de se surpreender é maior.

As surpresas que esperava do livro não foram tão surpreendentes assim, senti-me decepcionada com a leitura. Mas é claro que isso não foi de forma completa, sempre procuro encontrar algo interessante das leituras que experimento e com essa obra gostei da possibilidade de conhecer um pouco sobre a cultura e religião hindu, pois as personagens vão sair dos Estados Unidos e vão enfrentar uma jornada, uma não,várias jornadas pela índia e estarão sujeitas a algumas vontades de divindades hindus.

Este livro vai apresentar a jornada do herói, quer dizer, a jornada de uma heroína, a jovem Kelsey  que vai embarcar numa aventura épica na tentativa de ajudar o príncipe Alagan Dhiren Rajaram que enfrenta uma maldição que o transformou em tigre. Esse tigre, Ren pode transformar-se em sua forma humana em certo momento de cada dia. Além desse jovem vivendo há 300 anos sob o julgo dessa maldição, podemos conhecer também o seu irmão Kishan.

Ao longo da narrativa é possível respirar os ares indianos, a autora apresenta uma descrição rica em detalhes e coloca o personagem nomeado por Senhor Kadam para especificar aquilo que cerca a mitologia hindu, os momentos de descrição das lendas e referências hindus tornam-se um pouco cansativas, existe o anseio de conhecer mais acerca dessa cultura hindu apresentada no livro, mas a maneira como ela é, em sua maioria, apresentada torna um pouco cansativa, pois é quase sempre o senhor Kadam explicando / relatando algo para a jovem Kelsey.

Assim como muitos romances adolescentes (Crepúsculo, O diário de um vampiro…) haverá aqui um triângulo amoroso entre a indecisa e insegura Kelsey, o jovem romântico Ren e o seu irmão rebelde Kishan. A proposta da aventura épica e sua proposta de literatura fantástica restringe-se em grande parte ao surgimento do romance. É compreensível, tendo em vista o público ao qual este livro é destinado, mas acredito que desrespeita a sua proposta inicial.

Não posso negar que muitas descrições românticas presentes na narrativa são interessantes, mas de forma alguma foram tão envolventes ou me deixaram com o coração a mil. Como eu predisse; seria melhor se eu tivesse mantido a expectativa baixa. Esperei muito de um livro cuja elaboração não era tão profunda assim.

É claro que se tratando de uma saga, este é apenas o início da apresentação das personagens e da narrativa, quem sabe nos demais livros eu tenha a possibilidade de encontrar alguma complexidade ou possa me envolver mais com a narrativa. A saga é formada por cinco livros, além da “Maldição do tigre” há ainda; “O resgate do tigre”, “A viagem do tigre”, “O destino do tigre” e “A promessa do tigre”. Todos com capas simplesmente incríveis!

Desde 2013 existe a promessa do filme, os direitos dos livros foram vendidos à Paramount Pictures que pretendia lançá-lo em 2016. Sabemos que isso não aconteceu, então o lançamento ficou para 2017.  No entanto, atualmente ainda não se tem uma data prevista. A informação que se tem até o momento é que ele se encontra nas mãos do diretor Shekhar Kapur nos estágios iniciais de produção, provavelmente não será lançado nesse ano.

Quem sabe assim tenho mais tempo para criar coragem e ler os demais livros e talvez passar a gostar mais da narrativa. As cenas da divulgação inicial do filme são surpreendentes, acredito que a produção cinematográfica será saborosa, deliciando-nos com lindas imagens da índia que outrora foram descritas no livro.

Referências

http://colleenhouck.com/blog/2014/01/27/movie-announcement/

http://www.imdb.com/title/tt2084124/

http://www.tigerscurse.wikia.com/wiki/Tiger%27s_Curse_(film)

 

A gente se vê em breve,

Jessica Marquês.

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