A maldição do tigre


Você provavelmente já ouviu o ditado “Não se pode julgar o livro pela capa” nesse tipo de ensinamento aprendemos que não devemos julgar pelas aparências, que devemos nos permitir conhecer a essência dos seres, e nos livrarmos das concepções pré-concebidas. Mas sabemos que na prática não é tarefa fácil, pois criamos a todo o momento conceitos “pré” formados acerca de quase tudo que nos cerca, é uma luta diária para quebrar os que já existem e evitar que novos faça parte da nossa vida.

Mas e quando isso acontece com um livro, quando o mercado editorial consegue apelar para o consumidor por meio da imagem concebida na capa? Quando nos sentimos atraídos quase que involuntariavelmente pela capa do livro, quando julgamos que aquela capa representa qualidade textual? O que devemos fazer quando isso acontece?

O problema desse tipo de interpelação é que depositamos muitas expectativas para a narrativa que iniciamos a leitura, narrativa não, saga, pois estou me referindo a obra intitulada “A maldição do tigre” livro inaugural da escritora norte americana Colleen Houck que antes de estar nas prateleiras das livrarias, convencendo-nos a adquirir a referida obra, esteve nos meandros da internet, pois foi publicada em primeira instância como e-book, até que com o sucesso de sua publicação alcançou esse status de publicação física.

Quando iniciei a minha leitura dessa obra estava com a expectativa muito alta, pretendia me ingressar numa nova saga literária, havia recebido recomendações do livro de algumas leitoras que convivia e esperava uma história envolvente e apaixonante. Infelizmente, não foi o que encontrei. Mas não culpo a escritora por isso, eu sou a maior responsável por isso, porque depositei uma expectativa muito grande na obra, se tem algo que vamos aprendendo com a vida é a não criar grandes expectativas para nada, essa simples estratégia nos ajuda a gostar mais das coisas, tendo em vista que se a expectativa é baixa, a chance de se surpreender é maior.

As surpresas que esperava do livro não foram tão surpreendentes assim, senti-me decepcionada com a leitura. Mas é claro que isso não foi de forma completa, sempre procuro encontrar algo interessante das leituras que experimento e com essa obra gostei da possibilidade de conhecer um pouco sobre a cultura e religião hindu, pois as personagens vão sair dos Estados Unidos e vão enfrentar uma jornada, uma não,várias jornadas pela índia e estarão sujeitas a algumas vontades de divindades hindus.

Este livro vai apresentar a jornada do herói, quer dizer, a jornada de uma heroína, a jovem Kelsey  que vai embarcar numa aventura épica na tentativa de ajudar o príncipe Alagan Dhiren Rajaram que enfrenta uma maldição que o transformou em tigre. Esse tigre, Ren pode transformar-se em sua forma humana em certo momento de cada dia. Além desse jovem vivendo há 300 anos sob o julgo dessa maldição, podemos conhecer também o seu irmão Kishan.

Ao longo da narrativa é possível respirar os ares indianos, a autora apresenta uma descrição rica em detalhes e coloca o personagem nomeado por Senhor Kadam para especificar aquilo que cerca a mitologia hindu, os momentos de descrição das lendas e referências hindus tornam-se um pouco cansativas, existe o anseio de conhecer mais acerca dessa cultura hindu apresentada no livro, mas a maneira como ela é, em sua maioria, apresentada torna um pouco cansativa, pois é quase sempre o senhor Kadam explicando / relatando algo para a jovem Kelsey.

Assim como muitos romances adolescentes (Crepúsculo, O diário de um vampiro…) haverá aqui um triângulo amoroso entre a indecisa e insegura Kelsey, o jovem romântico Ren e o seu irmão rebelde Kishan. A proposta da aventura épica e sua proposta de literatura fantástica restringe-se em grande parte ao surgimento do romance. É compreensível, tendo em vista o público ao qual este livro é destinado, mas acredito que desrespeita a sua proposta inicial.

Não posso negar que muitas descrições românticas presentes na narrativa são interessantes, mas de forma alguma foram tão envolventes ou me deixaram com o coração a mil. Como eu predisse; seria melhor se eu tivesse mantido a expectativa baixa. Esperei muito de um livro cuja elaboração não era tão profunda assim.

É claro que se tratando de uma saga, este é apenas o início da apresentação das personagens e da narrativa, quem sabe nos demais livros eu tenha a possibilidade de encontrar alguma complexidade ou possa me envolver mais com a narrativa. A saga é formada por cinco livros, além da “Maldição do tigre” há ainda; “O resgate do tigre”, “A viagem do tigre”, “O destino do tigre” e “A promessa do tigre”. Todos com capas simplesmente incríveis!

Desde 2013 existe a promessa do filme, os direitos dos livros foram vendidos à Paramount Pictures que pretendia lançá-lo em 2016. Sabemos que isso não aconteceu, então o lançamento ficou para 2017.  No entanto, atualmente ainda não se tem uma data prevista. A informação que se tem até o momento é que ele se encontra nas mãos do diretor Shekhar Kapur nos estágios iniciais de produção, provavelmente não será lançado nesse ano.

Quem sabe assim tenho mais tempo para criar coragem e ler os demais livros e talvez passar a gostar mais da narrativa. As cenas da divulgação inicial do filme são surpreendentes, acredito que a produção cinematográfica será saborosa, deliciando-nos com lindas imagens da índia que outrora foram descritas no livro.

Referências

http://colleenhouck.com/blog/2014/01/27/movie-announcement/

http://www.imdb.com/title/tt2084124/

http://www.tigerscurse.wikia.com/wiki/Tiger%27s_Curse_(film)

 

A gente se vê em breve,

Jessica Marquês.

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