A Bela e a Fera: o conto clássico

Você com certeza já ouviu falar do desenho animado da Disney que é uma adaptação desse conto clássico escrito pela madame Beaumont, esse filme foi o responsável por reerguer os estúdios Disney, com o sucesso em 1991. A história da Bela e a Fera já sofreu adaptação em diversos meios como: filmes, discos, desenhos animados, live actions, histórias em quadrinhos, peças teatrais, concertos musicais, orquestras, óperas, dentre outros.

  1. De acordo com o tradutor e diretor editorial, Rodrigo Lacerda – além da animação da Disney de 1991- também merecem destaque outras produções, como por exemplo:
  2. A peça para piano a quatro mãos de M
    aurice RAVEL, 1908. Depois ela passou a ser chamada de “Les entretiens de la Belle et de la Bête” e foi orquestrada com esse nome em 1946. De acordo com o conto original, a Bela poderia, por meio de janelas mágicas, assistir a diversas apresentações culturais de diversos lugares, como França e Itália, eram “janelas para o mundo”.
  3. É imperdível também assistir ao filme dirigido pelo francês Jean Cocteau de 1946. Nessa adaptação, a protagonista, Bela, parece lamentar depois que a Fera transforma-se em um príncipe.
  4. Também merece especial atenção a ópera do compositor minimalista americano Philip Glass, 1994. Ela teria sido composta imaginando-se presente no filme de 1946 predito.

A autora da versão clássica da Bela e a Fera mais difundida entre nossos contemporâneos é a renomada escritora francesa Jeanne-Marie Leprince de Beaumont. Ele teria feito uma versão essencialmente resumida da narrativa original apresentada pela madame Villeneuve, centrando-se unicamente na trama entre a Bela e a Fera. “Sem dúvida, das publicações de ficção escritas por mulheres, as suas (Madame Beaumont) eram as mais famosas do século XVIII” afirma o crítico Joan Hinde Steward.

Tendo sido publicada 16 anos após a versão original no periódico “Le Magasin des Enfants” em 1756. Ele era um manual pedagógico em que uma governanta narrava e dialogava com as crianças as quais tinha responsabilidade pela educação. Desse modo, a autora inseria elementos de ficção entre os diálogos e ensinamentos, numa dessas narrativas aparece a versão que madame Beaumont criou a partir do conto original escrito pela madame Villeneuve.

A essência da história foi aproveitada, assim como fizeram as diversas adaptações -cinematográficas, teatrais, literárias, musicais, dentre outras – do conto da madame Beaumont. Mas outros elementos foram acrescentados. Afinal, quem conta um conto sempre aumenta um ponto, certo?

Sobre a vida da Madame Beaumont

CRANE, 2016.

Ela nasceu em 1711, em Rouen, era filha de um pintor e escultor, cresceu numa família de classe média. Era órfã de mãe e foi preparada para ser freira, passou a educar outros jovens, durante 10 anos.

No ano de 1735 desistiu da vida eclesiástica e voltou a viver com o pai, no nordeste da França – Lorena. Lá começou a trabalhar como preceptora, dama de companhia e professora de música da primogênita do falecido Leopoldo de Lorena, Élisabeth-thérèse. Nesse período teve a oportunidade de conviver com importantes intelectuais da época, como Voltaire, por exemplo.

Além disso, também foi nesse período que ela conheceu o trabalho de importantes escritoras francesas, como: Émilie du Châtelet, Françoise de Gragny, Madame de la Fayette e Madame de Tencin. E também a fundadora da literatura feminina medieval, Christine de Pizan.

Tem se conhecimento de que ela se casou com Antoine Grimand de Beaumont no ano de 1743. Ela também tinha uma filha, chamada Elisabeth, mas alguns biógrafos consideram que esta menina seria fruto de um casamento anterior da Madame Beaumont, pois ela teria sido casada com um bailarino chamado Claude-Antoine Malter.

Não se sabe se por dificuldades financeiras ou por sofrer perseguição do seu agora ex-marido, Antoine de Beaumont, no ano de 1745 ela deixou sua filha num internato e partiu para a Inglaterra.

Nesse novo país, dedicou-se à educação; tanto nas práticas diárias, oferecendo trabalho de preceptora para jovens e crianças aristocratas, quanto à crítica da decadência da escola e das concepções teóricas para as melhorias no universo educacional. Assim escreveu vários livros com tal finalidade.

Inspirada pelos periódicos ingleses fundou “Le nouveau Magasin Français”. Acredita-se que o célebre autor de Robinson Crusoé, Daniel Defo, auxiliou nessa empreitada.  Nesse periódico era possível encontrar assuntos que envolviam tratados de boas maneiras, princípios morais, textos literários e científicos com finalidade pedagógica. A revista acumulou 40 volumes de 1750 a 1780 e chegou a ter publicações de Voltaire – poemas, ensaios, cartas e contos.

Não há provas oficiais que confirmem, mas muitos biógrafos acreditam que ela tenha se casado com Thomas Pichon e que ficaram juntos na Inglaterra até 1762. Reconhecida escritora e pedagoga, madame Beaumont retorna à França e, apesar das inúmeras propostas de trabalho de príncipes que a queriam como predecessora de seus filhos. Ela comprou terras em Chavanot e passou a dedicar-se a produção de romances epistolares, até vir a falecer em 1780.

Resumo do conto clássico “La Belle et la Bête”

Havia um comerciante muito rico que se preocupava e proporcionar uma excelente educação aos seus três filhos e três filhas. Eles levavam uma vida de luxo e ostentação, difundido principalmente pelas duas filhas mais velhas desse homem. Entretanto, a filha mais jovem, chamada Bela, preferia investir o seu tempo em leituras ao invés de se lançar unicamente à vaidade e até mesmo às futilidades que as irmãs cultivavam.

O pai desses jovens acabou por ir à falência, desse modo, toda a família passou a viver numa casa no campo, a única propriedade que lhe restava. A sua filha caçula, habituara-se a viver no sítio e prestar os devidos serviços necessários à manutenção da casa e da família, enquanto as outras irmãs lamentavam-se e criticavam a Bela.

CRANE, 2016.

Um ano depois de se instalarem no sítio, a esperança tornou-se presente novamente na vida daquela família, pois haviam recuperado uma das embarcações do comerciante com algumas mercadorias dele ainda em condições de serem comercializadas, ele imediatamente aprontou-se para ir à cidade, crente de que poderia recuperar a sua fortuna.

As filhas mais velhas não hesitaram em fazer uma enorme lista de pedidos luxuosos e caros, de modo que nem se ele recuperasse toda a sua riqueza teria condições de satisfazer tais desejos.  A Bela, por sua vez, pediu apenas uma rosa, pois não conseguira fazer com que naquele lugar florescesse uma roseira. Como de costume, as irmãs criticaram a escolha da irmã.

Na cidade o comerciante não teve sucesso com as mercadorias, e continuou na mesma situação financeira desfavorável aos desejos das filhas mais velhas. No entanto, ao retornar para a sua propriedade rural, enfrentou uma terrível tempestade de neve quando avistou um lindo castelo e decidiu proteger-se naquele lugar.

Quando lá chega, não consegue falar com ninguém, mas encontra uma mesa de jantar com a melhor comida que poderia ser oferecida. Decidiu, mesmo sozinho, degustar daquele banquete. A tempestade ainda estava forte então cogitou a ideia de passar a noite por ali, com cautela andou pelos corredores do castelo, até encontrar um quarto para conseguir repousar. Assim que amanheceu o comerciante já estava a postos, e foi recebido novamente com uma deliciosa refeição para o café da manhã, mas ainda assim, sem nenhuma pessoa para que ele pudesse, ao menos, agradecer.

CRANE, 2016.

Antes de ir ao encontro de seu cavalo, ele passou por um jardim com uma linda roseira e decidiu levar uma para presentear sua querida filha caçula. Assim que ele retirou uma flor uma fera horrenda apareceu fazendo com que ele quase desmaiasse. Por conta daquele “furto” agora ele deveria pagar a Fera.

Ele teve autorização para voltar a sua casa e trazer uma de suas filhas, que deveriam ir de bom grado, para cumprir a pena no lugar de seu pai. O comerciante, almejava retornar ao sítio apenas para despedir-se de seus filhos, ele não permitiria que nenhuma filha sua se entregasse em seu lugar.

Entretanto, assim que encontrou os filhos ele entregou a rosa para Bela e, já chorando, pediu que ela cuidasse muito bem daquela flor, pois o preço que ele iria pagar era muito alto. Relatou o que acontecera aos seis filhos, imediatamente as irmãs começaram a acusar a jovem Bela, chorando elas gritavam contra a jovem, que por sua vez, não chorava, apesar da grande tristeza não lagrimejava, pois acreditava que não perderia o pai, pois iria entregar-se em seu lugar. Assim que ela faz essa afirmação os irmãos prometem protegê-la com a própria vida.

Tentando manter a calma, Bela rejeita as inquietações do pai e dos irmãos e decidida a seguir o destino que agora lhe pertencia ela afirma veementemente o que fará. No dia de retornar ao castelo, o comerciante e sua filha pegaram a estrada e rapidamente alcançaram aquela estrutura imperial.

CRANE, 2016.

Quando chegaram ao castelo e estavam na mesa de jantar, posta especialmente para eles, a Fera apareceu. Bela ficou apavorada com tal criatura, mas conteve a sua emoção, pois temia por sua vida e também pela do pai. Eles passaram a noite no castelo e quando amanheceu o comerciante precisou ir embora e deixar sua filha naquele local, sozinha e sem saber qual seria, afinal, o seu destino. Antes de ir, porém, a filha lhe relatou um sonho que tivera em eu uma dama afirmava que ela receberia uma recompensa por tamanha bondade que existia em seu coração, tendo em vista o seu ato altruísta de ficar no lugar de seu pai.  Isso acalmou momentaneamente o pai.

Depois que ele retornou para o sítio, Bela caiu no choro e lamentava-se por tudo que acontecera. Ela acreditava que sua vida teria fim no final do dia e praticamente conformada com o que estava porvir ela decidiu explorar o lugar. De repente ela encontra um belo quarto cuja placa na porta dizia “aposento de Bela”. Intrigada ela adentra ao local e fica encantada com tudo que está lá, principalmente uma estante de livros. Assim ela começou a consolar-se, afinal, não preparariam tudo aquilo para ela passar apenas um dia. Ela começa a vasculhar o lugar até que “abriu a estante e viu um livro, no qual estava escrito em letras de ouro: peça o que deseja: aqui você é a rainha e a dona da casa.” Sem hesitar, Bela manifesta o desejo de ver o seu pai.  Então o espelho do quarto transforma-se numa tela em que ela pode ver o seu pai que já chegara ao sítio, porém abatido pela tristeza que o cercava.

Somente ao anoitecer Bela encontrou-se com a Fera que durante o jantar demonstrou ser uma ser integro e inteligente, atraindo assim a atenção de Bela, mas ao fim da noite, ela recebeu um convite que abalou as suas estruturas: a fera perguntou se ela aceitaria casar-se com ele. Ela fica aterrorizada, mas como era muito sincera, nega o pedido do anfitrião. Ele diz que tudo bem, mas se retira num humor diferente daquele que outrora estava.

Todas as noites a Bela e a Fera têm conversas interessantes sobre diversos assuntos, os momentos com aquele monstro passam a se tornar cada vez mais agradáveis, de modo que a jovem anseia esse momento para reencontrá-lo, mas ao final da noite sempre passam pela desagradável conversa em que Bela precisa rejeitar o pedido da Fera de desposá-la.

A jovem viveu três meses nessa situação até que não aguentou mais ver o tamanho do sofrimento de seu pai, que ela conseguia visualizar através do espelho, pois ele estava desolado e sozinho, tendo em vista que as filhas casaram-se e os filhos foram para o exército. Assim, Bela solicitou à Fera que a autorizasse a passar uma semana com a sua família.

Com a promessa de voltar e não permitir que a Fera morresse de desgosto, a jovem vai ao encontro do pai e também de suas invejosas irmãs. Bela portava-se e vestia tal qual uma rainha, o que aumentou ainda mais a inveja das irmãs, que não tinham sido felizes nas escolhas dos seus respectivos cônjuges e não eram, portanto, felizes.

Ao saberem da promessa de Bela, arquitetam um plano para que a irmã caçula retardasse o seu retorno ao castelo da Fera,fazendo com que esta sucumbisse na solidão.

A Bela ficou pouco mais de uma semana quando, depois de uma sonho, percebera que não estava correta com essa escolha. Colocou o anel que a Fera lhe dera sobre a mesa e assim, subitamente retornou para o castelo, as espera pela noite foi dura, e quando o relógio marcou nove horas da noite a Fera não apareceu. Desesperada, Bela sai à sua procura, quando encontra o anfitrião quase desfalecido.

 

No chão, com ele nos braços Bela promete se casar com a Fera, luzes de fogos e símbolos de festa iluminaram o lugar, quando ela retoma o olhar para o seu esposo ele está com outra forma, agora humana e bela. Assim que eles conseguem se levantar e chegam ao salão do castelo, Bela pode encontrar toda a sua família ali, a dama do sonho que lhe prometera recompensas por seu ato nobre havia levado todos para o castelo.

Mas antes da história acabar ela lança outro feitiço, agora destinado às irmãs de Bela, dizendo: “Tudo pode ser corrigido – orgulho, raiva, gula, preguiça-, mas a conversão de um coração mau e invejoso é uma espécie de milagre”, dito isso, ela transformou as irmãs em estátuas e disse que ficariam nessa forma até se arrependerem de tudo o que fizeram.

CRANE.2016.

A Bela e a Fera fizeram a festa do casamento e viveram muitos e muitos anos felizes, baseando os seus atos na virtude.

Referências

BEAUMONT,Jeane Marie & VILLENEUVE, Gabrielle. A Bela e a Fera. SÃO PAULO:Zahar,2016.

CRANE, Walte e outros: ilustrações presentes no livro A Bela e a Fera. SÃO PAULO:Zahar,2016.

Google imagens.

You may also like

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *