A Bela e a Fera: crítica do filme


Sentimentos são… fáceis de mudar…

Estes versos da canção que embalou nossos corações no início da década de 90 com a animação da Disney sobre o conto A Bela e a Fera não foram suficientes para acalentar os nossos saudosos e nostálgicos corações ao assistir ao live action que lançou essa semana.

Diferente de outras live actions da Disney que optaram por apresentar outro olhar acerca daquela história, este filme preferiu se dedicar a fidelidade da animação de 1991, é claro apresentando algumas adaptações, mas sem fugir da essência do filme original, é compreensível isso tendo em vista que a produção de 1991 foi responsável por reerguer os estúdios da Disney e tem um peso tão importante assim como a primeira produção de sucesso “A branca de neve e os sete anões”.

É interessante poder assistir nas telas do cinema aquela narrativa presente em nossa infância e ainda na opção de live action, poder encontrar alguns elementos tanto do conto original quanto do clássico e vislumbrar cada elemento da narrativa, mas infelizmente meu sentimento ao produzir esse texto é sem muita profundidade, paixão, emoção. Deixe-me explicar melhor!

Durante os meses em que fomos preparados/ instigados/provocados para assistir a esta produção, em vários momentos senti uma súbita emoção ao assistir, por exemplo a interpretação da atriz Angela Lansbury cantando a célebre canção do filme “The beauty and the beast” em um especial sobre o filme foi simplesmente lindo, nem imaginava que me emocionaria tanto ao assistir aquela canção; chorei, arrepiei-me e revi inúmeras vezes…

Nos vídeos de divulgação do Live action, quando mostrava os lustres do castelo, a canção introdutória, a Bela olhando a rosa, tudo isso mexeu com as emoções e, consequentemente com as expectativas para o filme. É preciso deixar claro que não achei o filme ruim, pelo contrário, gostei da produção, das canções, da fotografia, da atuação das principais personagens…  O que faltou, entretanto, foi a emoção! (Logo a  Disney que  tem a arte de trabalhar tão bem com o efeito emoção em muitas de suas produções!)

Sinto um nada, digo nada porque não é tristeza, nem alegria, ao declarar isso, mas sinto um nada, um vazio, uma ausência de profundas emoções esperadas com esta produção. A preocupação do diretor Bill Condon em apresentar a narrativa de 1991 e ainda acrescentar alguns elementos (como as história da mãe da Bela e também a explicação do por que aquele príncipe seria tão arrogante) tornou as coisas um pouco automatizadas demais, sem nos surpreender. Faltou o elemento importante de uma narrativa, a surpresa!

Nesse mundo em que as coisas acontecem tão rápido, o filme apresentar, assim como o conto clássico da Madame Beaumont, uma evolução, o crescimento do relacionamento entre a Bela e a Fera teria sido mais gostoso de assistir. Na vida real, as coisas acontecem
em seu tempo, naturalmente, é claro que existem momentos que são avassaladores, mas fazem parte de um processo. Infelizmente, esse processo foi pulado, (ou talvez mal construído) ao se apresentar o sentimento de Bela crescendo pela Fera. Acredito que existem vários recursos cinematográficos tão comumente utilizado pelas produções Hollywoodianas; como mostrar vários momentos flashes da interação entre eles, e incluir outros com mais emoção, teria sido, talvez banal, mas efetivo.

A personagem Bela continua encantadora, dona de si, responsável por suas escolhas e ações, agente de seu futuro e do cuidado com o seu pai, por exemplo. Apesar de ser Bela até no nome ela se identifica com a Fera, por ser diferente. Ela é uma jovem que não consegue se acomodar naquela pequena vila e naquela rotina de vida, ela quer viver outras experiências e explorar o mundo… Amaria um final em que a Bela e a Fera saísse para explorar o mundo, mais ou menos como o final do filme dirigido por Phyllida Lloyd; o musical Mama Mia. Ficaria fieil à produção de 1991 e ainda acrescentaria um “je ne sais quoi” que faltou na produção.

Alguns momentos da edição não são muito inteligentes, há cenas que não são muito bem conectadas, existe um filme que eu simplesmente amo, em português ele tem o nome de Simplesmente amor. Nesse filme, a edição é simplesmente perfeita, porque cada cena conecta-se de uma maneira muito bem construída, aproveitando até as canções para isso. (Eu sei que usei muito a palavra, simplesmente- mas foi simplesmente proposital, simples assim…) Digo isso, porque poderiam ter conectado melhor as cenas, por se tratar de um musical, poderia, por exemplo, conectar as cenas por meio das canções, simples assim! Se não assistiu ainda ao filme Love Actually, dirigido por Richard Curtis. Assista! Você perceberá facilmente o que estou falando.

Para mim, a construção que mais deixou a desejar, foi a personagem da madame Samovar, que foi transformada em bule de chá, interpretada pela Emma Thompson, porque na produção de 1991 ela exerce um papel fundamental nessa conexão entre a Bela com a Fera e também entre expectadores e produção. Faltou trabalhar melhor essa conexão, e consequentemente, mexer com as nossas emoções.

Será que vale a pena assistir esse live action da Bela e a Fera? Com certeza… Mas esteja ciente de que nem a magia da Disney está conseguindo quebrar esses corações duros dessa nova geração. E agora, José?

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